JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

Os edifícios inteligentes

Smart buildings - the future of building technology

 

SmartBuildings

 

“In due course buildings will become full of technology. Walls and ceilings will be embedded with sensors, and every aspect of a building’s performance and use will be metered and measured. Software tools will be used to automatically optimize building systems without human intervention; real-time information about the building that is relevant to their particular needs will be provided to occupants and building management. Buildings will be fully interactive with the power grid, and geospatial location systems will be deployed for every building asset.”

 

Smart Buildings Systems for Architects, Owners and Builders

James M Sinopoli

A casa inteligente é uma realidade. A visão de um autómato em cada casa está a ser substituído por um conceito mais prático que consiste no uso de uma rede para ligar equipamentos e integrar subsistemas. O estilo de vida imposto pela Internet criou um interesse desmesurado pela aceitação do lar inteligente, ligado e conectado que integra subsistemas residenciais e equipamentos que permitem a conexão entre pessoas e entre estas com todas as coisas no seu interior. Esse conceito é conhecido por “Smart+Connected Communities Institute (S+CC)” e foi lançado na Exposição Universal de 2010, em Shanghai.

O (S+CHome) é uma ideia desenvolvida pela Cisco com origem no (S+CC). A ideia de uma casa ligada e conectada, há alguns anos, era a de uma rede caseira com vários computadores e impressoras ligados por cabos ou por tecnologias sem fio. A rede caseira era usada para partilhar o acesso à Internet e arquivos entre os computadores.

Os fabricantes criaram posteriormente, equipamentos residenciais que podiam ser ligados à rede, como por exemplo, um telecomando que permitia acender e apagar as luzes, temperar a água das piscinas ou "salus per aquam", comummente designados por “Spa”, ligar e desligar alarmes e manter a temperatura do ar no nível desejado.

A crescente procura por acesso permanente à Internet e a popularidade de equipamentos móveis como telefones inteligentes e “tablets”, nos últimos anos pressionaram os fabricantes de electrodomésticos e de equipamentos electrónicos a introduzir a possibilidade de ligação à Internet em alguns equipamentos.

Assim, os televisores com Internet podem estar ligados a serviços gratuitos ou por assinatura que prestam informações sobre o clima, desportos, notícias ou oferecem filmes e outro tipo de programação. Os frigoríficos actuais trabalham como sistemas de administração de alimentos, podendo manter um inventário dos produtos que armazenam e do seu tempo de permanência, podendo avisar os proprietários sobre a deterioração dos mesmos e permitir um ajustamento remoto da temperatura.

O (S+CHome) é muito mais que uma ligação entre equipamentos inteligentes, pois oferece uma experiência de vida interligada que usa o controlo caseiro para criar um determinado estilo de vida tendo em vista aumentar a comodidade, conveniência, eficiência energética e segurança e usando a rede como plataforma de construção e desenho de soluções que permite criar e integrar os novos serviços concentrando-se na interacção comunitária. A rede pode ser usada como plataforma de prestação de serviços transformando uma comunidade residencial física numa comunidade residencial ligada e conectada, obtendo sustentabilidade económica, social e ambiental.

O (S+CHome) oferece um modelo de negócios para construtores de bens imóveis e administradores de propriedades, possibilitando uma solução económica e eficiente, bem como a utilização de serviços suportados numa plataforma. A rede como plataforma, tanto dentro da residência como na comunidade, cria uma série flexível e extensiva de funções e serviços que melhoram a sustentabilidade económica, social e ambiental.

É alterada a forma como se desenha, constrói, cria e se renovam as comunidades residenciais. É uma solução orientada aos serviços permitindo que os construtores possam oferecer a quem adquire uma habitação, um tipo único de vida, diferenciando assim as suas propriedades e dando uma melhor experiência de vida aos residentes. A Internet, tal como o gás, água e electricidade está a tornar-se num fornecimento de serviço caseiro primordial.

A procura de residências inteligentes é estimulada pelo “estilo de vida Internet” (EVI). O EVI surge para fazer face aos desafios das pessoas que necessitam de simplificar as incontáveis exigências da sua vida profissional e familiar. Este estilo de vida significa associar tecnologia com vida caseira e familiar de forma a criar um meio ligado e conectado onde as pessoas se podem comunicar entre si e controlar o interior da residência, seja de dentro ou de forma remota, através da Internet.

O EVI perfilha soluções habilitadas por Internet que incluem vídeo e áudio por fluxo de média para lazer e aprendizagem, monitorização de energia e segurança, diagnóstico remoto, comunicação pessoal e familiar e acesso simultâneo à Internet a partir de vários computadores ou equipamentos ligados e conectados. A disponibilidade e diversidade de aplicações baseadas na “Web” está alterar a forma como é usada diariamente a Internet, permitindo uma nova geração de aplicações como as comunicações por voz e vídeo, soluções de comércio electrónico, serviços personalizados de informação meteorológica e notícias, segurança e automatização caseiras e serviços de gestão de recursos.

O conjunto de serviços deste tipo trará fatalmente novos níveis de conforto, conveniência e segurança aos consumidores. As chaves mestras de mercado para o aparecimento e desenvolvimento do conceito (S+CHome) são o aumento do uso da Internet, pois as pessoas consomem cada vez mais aplicações de voz, vídeo, música, dados, navegação, correio electrónico, telefones via internet, fotos digitalizadas, compras em linha e jogos, bem como a crescente necessidade de acesso rápido à Internet, pois os utilizadores exigem maior velocidade e maior disponibilidade de aplicações que requerem maior largura de banda, dado que o número de aplicações assente em vídeo cresceu nos últimos anos e exigem um método mais rápido de aceder à Internet.

O aumento do teletrabalho é outra das principais características, pois é cada vez maior o número de pessoas que trabalham em casa e necessitam de acesso de alta velocidade para conectar-se e comunicar com a sua empresa e clientes. As tecnologias como redes virtuais privadas (VPN na sigla em língua inglesa) são fortemente usadas para aceder à rede do escritório, a partir de casa. O desejo de aplicações multimédia na residência é o maior impulsionador, motivando os consumidores pelo (S+CHome), sendo a Internet a aplicação que detém a maior procura mundial.

A Internet em toda a casa utiliza uma rede que melhora as comunicações com os membros da família, permite importar arquivos de áudio e vídeo da “Web” e partilhá-los por toda a casa. O (S+CHome) é o conjunto de componentes que processam, concebem, conduzem e armazenam informação que permite a ligação conexão e a integração de múltiplos equipamentos na residência.

A rápida aceitação da Internet conjuntamente com os rápidos progressos em telecomunicações e o desenvolvimento de equipamentos inteligentes aumenta a sua necessidade, que exige cinco componentes essenciais que são uma rede que conecta todos os equipamentos e subsistemas na residência.

Os subsistemas incluem dados, voz, lazer, segurança, iluminação, aquecimento, ventilação e refrigeração; quanto às infra-estruturas, as novas habitações podem ser construídas com incorporação da rede de cabos necessários, enquanto as antigas necessitam de os instalar, a menos que usem as tecnologias sem fio; o acesso à Internet de alta velocidade é fundamental para levar os serviços ao lar; o equipamento IP (Internet Protocol na língua inglesa) é imprescindível, como electrodomésticos, aparelhos electrónicos e outros que usam uma linguagem comum para se comunicarem.

Ao escolher equipamento que usa Protocolo de Internet, a sua conexão à rede é uma realidade, podendo comunicar e assinar serviços que os prestadores oferecem em grande número mediante uma assinatura, como o acesso à Internet, telefone, televisão e vigilância da casa.

O aparecimento do estilo de vida Internet está a converter a rede no quarto serviço público mais procurado e consumido no mundo depois do fornecimento de gás, água e electricidade. Aquando da Exposição Universal de Shanghai, a Cisco, apresentou a visão, baseada na ideia de que quando as redes se convertessem num serviço essencial para o proprietário, o (S+CHome) seria a regra e as pessoas estariam ligadas e conectadas com todos e com tudo dentro da residência e com o mundo exterior assinando serviços que melhoram e tornam mais confortável a sua vida caseira.

As empresas procuram novas formas de rentabilizar o seu investimento e diminuir as suas despesas de operação, reduzir o consumo de energia e aumentar a produtividade dos seus trabalhadores, uma vez que muita das infra-estruturas IT estão instaladas, de forma a que os escritórios integrem as funções IT com os sistemas tradicionais. As empresas investiram enormes somas em infra-estruturas IT e tecnologias de redes, como redes IP, sem fio, VOIP, mobilidade e ferramentas de colaboração como correio de voz, mensagens electrónicas, videoconferência e planeamento. A maioria das empresas, além de IT e infra-estruturas de redes, têm instalações ou sistemas físicos de edifícios, como aquecimento, ventilação, ar acondicionado, iluminação, energia, elevadores e equipamentos de áudio e vídeo, que operam de forma não integrada.

A investigação do (S+CC) afirma que as mesmas empresas estão à procura de formas novas e inovadoras de aproveitar as suas infra-estruturas para reduzir as despesas de operação e uma das formas de o conseguir é diminuir o consumo de energia e melhorar a produtividade dos trabalhadores, e utilizando um método centralizado em redes, a convergência desses sistemas isolados permite às equipas de gestão de serviços aumentar a perceptibilidade do uso dos recursos em todo o edifício e identificar a sua óptima utilização. Utilizando tais processos e métodos é possível ter edifícios inteligentes com uso eficiente da energia.

Os edifícios consomem quase 50 por cento de toda a energia que se utiliza no mundo e os custos energéticos representam quase 35 por cento dos custos operativos totais de um edifício. Os edifícios serão os maiores consumidores de energia do mundo em 2025.O número absoluto de edifícios no mundo está aumentar a ritmos nunca antes registados, especialmente com a explosão de construção nos países de economias emergentes como a Índia e a China.

O crescimento do mercado da propriedade de bens imóveis na China é particularmente notável porque está a aumentar em cerca de vinte e cinco mil milhões de pés quadrados por ano, ou seja, o equivalente a uma terça parte da actual área construída no Japão. O que significa que a cada três anos um novo Japão nasce na China em termos de área construída.

A União Europeia realizou um estudo que indica que o consumo energético nos edifícios dos seus Estados-membros é destinado fundamentalmente ao aquecimento, refrigeração em climas quentes e iluminação, constituindo as maiores fontes de dióxido de carbono. O consumo de energia nos edifícios, por exemplo em França, é de 44 por cento, contribuindo em mais de 22 por cento das emissões de dióxido de carbono, representando os custos energéticos cerca de 31 por cento da totalidade dos custos operativos de um edifício.

O mesmo estudo indica que grande parte do consumo de energia nos edifícios durante o seu ciclo de vida é criado durante a sua operação (cerca de 75 por cento) comparado com o período de construção. O impacto do comportamento do utilizador e do controlo em tempo real da informação é calculado em cerca de 20 por cento, logo é possível identificar a tecnologia de informação e comunicações como instrumento credível para ajudar a desenhar, optimizar e controlar o consumo de energia nos edifícios inteligentes actuais e futuros.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 14.02.2014
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