JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

As cidades integradas

Smart Transportation: Integrating Systems for More Efficient Transportation

 

 

climate-friendly cities

“Land shortages for urban development in China’s cities are endemic, and it is quite clear that, other than easy access to money, they are the main reason for its housing affordability crisis.”

 

Planet of Cities

Shlomo Angel

 

As grandes empresas de tecnologia da informação (TI) consideram que o desenvolvimento das cidades digitais é uma área de negócios com enorme futuro. As cidades inteligentes são assim designadas para as diferenciar de um modelo que só procura desenvolver a digitalização das administrações municipais.

A ideia tem como objectivo prover as cidades de inteligência, ou seja, de instrumentos de análise de dados que permitam antecipar problemas e tomar melhores decisões. O plano é incorporar um nível de inteligência para resolver os problemas diários. Algumas das multinacionais de TI como a IBM, estão a desenvolver um programa arrojado de converter num curto espaço de tempo, um grande número de municípios em cidades inteligentes no continente sul-americano, como é o caso do Rio de Janeiro.

O programa consiste em procurar cidades onde exista uma oportunidade de fazer negócios e uma liderança política que possibilite levar a cabo o projecto. As cidades diferenciam-se entre si e todas têm o seu calcanhar de Aquiles, sendo o objectivo final resolver os problemas dos cidadãos. As autoridades municipais conhecem os problemas das suas cidades, mas não sabem qual deva ser a solução.

As cidades têm as suas particularidades próprias mas existem problemas constantes, como a segurança pública nas cidades de média dimensão e de transportes nas cidades de grande dimensão. O tema que se tem mostrado de capital importância é o relacionado com soluções que contendem com a gestão da água e energia e a criação de soluções para situações de emergência causadas por catástrofes naturais como terramotos ou temporais.

Existe uma grande quantidade de municípios, não apenas na América do Sul, que estão interessados em investir na digitalização, principalmente onde exista uma boa cobertura de redes de telecomunicações e desenvolvimento do sistema nacional de comunicações. As cidades por sua vez, têm feito investimentos que as colocam em boa posição e lhes permitem assumir este tipo de projectos.

Alguns países conseguiram resolver grandes problemas de infra-estruturas, mas necessitam de trabalhar as grandes questões de tomada de decisões políticas e de liderança. Os projectos em curso em muitas cidades são pouco questionáveis, porque o futuro está a seu favor em termos de soluções preconizadas e ao modificar as operações das cidades, transcendem as administrações.

Os municípios em geral começam com projectos de pequena dimensão e vão incorporando novas áreas ao programa digital. O futuro será caminhar para um tipo de cidade integrada onde cada departamento municipal como a saúde, transportes e obras públicas entre outros, esteja interligado e possa aceder à informação do departamento que administra outra área. Um dos factores mais importantes que mobilizam as administrações locais para converter o município numa cidade inteligente é a procura da cidade e por consequência o aumento de população residente.

Os cidadãos esperam que as administrações públicas locais tenham uma conduta idêntica às das empresas privadas, que saibam quais os seus desejos e necessidades e possam fazer consultas por linha directa. Os governos sabem que as redes sociais estão a ter um protagonismo crescente na participação dos cidadãos, pelo que as administrações públicas locais as devem incorporar como forma de comunicar com os cidadãos/administrados.

O projecto do município do Rio de Janeiro desenhado pela IBM, solidifica, completa e liga a informação dos diversos serviços do município, mas todavia falta a análise da informação. A cidade inteligente promove o crescimento económico e a prosperidade dos seus habitantes e consegue atingir tal desiderato porque é um local onde os residentes esperam obter uma melhor qualidade de vida, boa e eficiente prestação de serviços, bem como oportunidades para prosperar num ambiente sustentável a longo prazo.

Tais cidades têm informação que vai desde a qualidade da água e ar, passando pela rede de transportes públicos até à energia que consomem os edifícios e às acções delituosas. Sabe-se onde se encontram as pessoas e aonde vão. Toda esta informação existe em muitas cidades mas não está a ser usada para melhorar o funcionamento da cidade.

O conhecimento, por exemplo, dos padrões de mobilidade das pessoas permite prever onde haverá congestionamento de tráfego e sugerir aos cidadãos que sigam outro itinerário ou mudem de meio de transporte. Os serviços e a infra-estrutura da cidade melhorados e mais eficientes atraem pessoas com talento que trarão negócios e empresas que servem o desenvolvimento da cidade e se convertem em fontes propulsoras do crescimento económico.

A cidade onde os serviços são eficientes e a vida é agradável atrai pessoas inteligentes e criativas que são fontes de prosperidade. As cidades têm todo o tipo de tecnologias, como telefones inteligentes, câmaras, centros de dados, fibra óptica, e monitores inteligentes, bem como enormes montanhas de informação, mas a soma de todos estes elementos não tornam uma cidade inteligente.

Acredita-se e mal que é possível fazer uma cidade inteligente pela compra e instalação estratégica de alguns equipamentos, ligando-os a uma rede. É importante, mas será sempre um corpo sem cérebro, pois falta-lhes a análise de dados e a tomada de decisões, só sendo possível pela união e estudo de toda a informação que provêm desses equipamentos. Se forem instaladas mil câmaras de vigilância não é possível pensar em ocupar mil pessoas para vê-las durante vinte e quatro horas, o que necessitam é de um programa inteligente que analise a informação automaticamente e soe o alarme em tempo real.

O tempo real muitas das vezes não é suficiente porque existe a necessidade de prever os acontecimentos que podem ocorrer no futuro, só sendo possível se existir informação em tempo real e informação histórica e ambas combinadas podem, por exemplo, chegar a uma conclusão, como o da aproximação de um temporal que pode provocar problemas em algumas subestações de energia eléctrica, tornando-se então necessário reforçá-las para evitar “apagões”.

Tal situação tem a intervenção do ser humano no sistema, pois este é de apoio às decisões. As decisões são tomadas pelas pessoas com base em informação adequada que lhes é disponibilizada pelo sistema automatizado. Algumas cidades no mundo instalaram com a coordenação da IBM centros de operações inteligentes com para as áreas de águas correntes, de recolha e limpeza das cidades e de incineração de resíduos sólidos.

A cidade de Chinkiang implementou um centro de operações inteligentes para os transportes públicos. Os governos das cidades gastam enormes montantes em segurança pública destinados a contratar e formar mais agentes de segurança, a comprar mais equipamento ou a melhorar as operações. É possível aumentar a eficiência se for usada a tecnologia adequada.

O sector privado tem uma importante intervenção, pois existem muitas outras funções que tem a ver com a gestão de infra-estruturas ou serviços sociais como saúde, educação e lazer, ou também infra-estruturas como as de transportes, água e energia e em ambas as situações tais serviços são concessionados ao sector privado por contratos de longo prazo. O fornecimento de água, de energia eléctrica, gás e transportes públicos devem ser efectuado pelo sector privado que deve investir adequadamente a fim de oferecer um bom serviço aos cidadãos.

É possível ter a cidade do futuro por duas vias, uma será construí-la com a  melhor tecnologia disponível e práticas arquitectónicas e a outra passa por equipar uma cidade inteligente com a mais avançada tecnologia para obter um funcionamento mais eficiente dos seus antiquados sistemas. As cidades de Masdar e Songdo são exemplos da primeira situação e o Rio de Janeiro, exemplo da segunda situação.  

A cidade de Masdar que será abastecida por energia solar tem por objectivo ser não apenas sustentável, mas também auto-abastecida. Quando a sua construção terminar poderá ser considerada uma das primeiras cidades totalmente ecológicas e a primeira a ser edificada para uma vida sem emissões de carbono e resíduos. Disporá de uma central de comando e controlo das actividades da cidade, que monitoriza a tecnologia e são reguladas as funções e cada actividade tem um lugar e um momento determinado.

Os cidadãos serão consumidores de opões que lhes são disponíveis por cálculos prévios, como onde comprar o ter uma consulta médica da forma mais eficiente. Não existirão experiências ou erros. As pessoas aprenderão a sua cidade de forma passiva, elegendo sempre opções de uma lista.

A cidade de Masdar supõe a existência de um centro inteligente que dispõe da melhor ideia de onde se deve desenvolver cada actividade. Os seus habitantes, por consequência, só têm a possibilidade de escolher as opções de uma lista previamente programada. Songdo é um projecto arquitectónico majestoso com gigantescos conjuntos de edifícios eficientes e limpos ligados entre si pela mais recente tecnologia disponível, que comunica não apenas com edifícios, mas também com todos os componentes da cidade.

Está previsto o termo da sua construção para o próximo ano e será uma das primeiras cidades do mundo em que os sistemas de informação, residenciais, médicos e comerciais, estarão ligados. O projecto pretende fazer da cidade e da Coreia do Sul o centro de negócios por excelência da Ásia. O projecto do Rio de Janeiro é totalmente diferente porque a cidade existe e as obras não são uma criação, mas uma modernização.

O Rio de Janeiro tem uma larga história de inundações cujos efeitos são agravados pela pobreza e criminalidade. No passado as pessoas sobreviviam por meio da estrutura social das favelas e presentemente são auxiliadas pelas novas tecnologias. Estão a usar tecnologias para prever desastres físicos, coordenar respostas às crises de trânsito e organizar o trabalho de segurança pública.

O Rio de Janeiro é uma experiência audaciosa e potencialmente lucrativa que poderá ser exemplo para o futuro das cidades a nível mundial. O Centro de Operações é um edifício que foi desenhado pela IBM a pedido do prefeito da cidade. Em nenhuma das grandes cidades do mundo existe algo de parecido. Foram criados centros de dados idênticos em outros locais para entidades, como por exemplo, departamentos de polícia. Nunca anteriormente tinha sido construído um sistema para uma cidade que integrasse mais de trinta instituições.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 07.02.2014
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