JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

As cidades ecológicas

What is an Eco city?

ecologicalcity

“Sustainable development and sustainable urban forms need to pervade the whole environment, and not simply be exemplars that are separated from every day, messy reality.”

 

Dimensions of the Sustainable City (Future City)

Mike Jenks and Colin Jones

 

Os especialistas em demografia estabeleceram como momento histórico em que a urbanização a nível mundial atingiu o seu ponto de não retorno, o dia 23 de Maio de 2007, o que significa que mais pessoas vivem em áreas urbanas em detrimento das áreas rurais. As previsões apontam para que em 2015, 70 por cento da população mundial viverá em cidades, ou seja mais de cinco mil milhões de pessoas.

O mundo terá nesse altura, trinta megacidades, com população superior a dez milhões de habitantes. Existem actualmente vinte e seis megacidades, como Londres, Cidade do México e Cairo. A urbanização faz crescer as megacidades conjuntamente com as periferias suburbanas para formar mega regiões de alta densidade populacional e superiores a quinze milhões de habitantes. 

Os megas corredores de transporte ligam as megacidades e as megas regiões para formar agrupamentos massivos de pessoas. A urbanização atinge as pequenas e médias cidades com populações de um a dez milhões de pessoas, que estão a sofrer um vertiginoso aumento de população.

O “IBM Institute for Business Value” no seu último estudo afirma que o desempenho dos sistemas centrais das cidades actuais é fundamental não apenas para o seu progresso social e económico, mas igualmente tem efeitos a nível mundial. Tais sistemas ao fazer face a importantes desafios podem ser melhorados com o recurso à aplicação de soluções inteligentes.

O “IBM” mostra como podem as cidades avaliar e fiscalizar o progresso da optimização dos seus sistemas usando como referência um conjunto de parâmetros, que serve igualmente de ajuda à elaboração de um estudo comparativo com outras cidades. As cidades são redes complexas de componentes, como pessoas, empresas, transportes, comunicações, água, energia, serviços e outros sistemas.

As pessoas e as empresas dependem dos sistemas de infra-estruturas para o desempenho das suas actividades e bem-estar. As melhorias ou rupturas nos sistemas de transportes, comunicações e serviços públicos têm enorme impacto nas actividades diárias dos residentes das cidades e nas empresas.

Os serviços das cidades integram e coordenam as actividades que têm lugar nos outros componentes. Tal entendimento permite às cidades uma nova perspectiva sobre a sua evolução, de forma a atingir os objectivos que tem como meta. Têm a possibilidade de apressar a sua marcha tendo em vista o progresso sustentável usando soluções práticas de gestão inteligentes.

A combinação desses factores permite reunir dados de maior qualidade e rapidez, como por exemplo, os medidores de serviço e sensores que monitorizam a capacidade da rede de distribuição de energia eléctrica que podem ser usados para reunir ininterruptamente dados sobre oferta e procura de electricidade.

Os instrumentos para medição de gás, água e electricidade são actualmente mais divulgados e económicos que anteriormente e permitem além de medir, efectuar um controlo exacto dos bens fornecidos. Se forem agregados à interconexão com etiquetas de identificação de radiofrequência (Radio Frequency Identification - RFID), (mais de trinta e três milhões de etiquetas RFID estiveram activas em 2010, ou seja, cinco por cada habitante do planeta) os sensores e medidores podem incorporar-se aos sistemas urbanos como uma primeira etapa para solucionar os desafios das cidades.

A interligação cria laços entre dados, sistemas e pessoas de forma antes impensável. O mundo num futuro próximo será povoado por milhões de objectos inteligentes, como os veículos automóveis, electrodomésticos, câmaras, vias rodoviárias e que no conjunto criarão a “Internet das coisas”. Estas interligações permitem a comunicação e coordenação entre objectos, pessoas e sistemas por toda a estrutura da cidade, abrindo novas formas de reunião e partilha de informação.

A inteligência, entendida como novas formas de modelos computadorizados e algoritmos, possibilita às cidades criar modelos previstos de forma a tomar decisões informadas e actuar em tempo útil, e conjuntamente com a análise avançada, armazenamento e poder computacional cada vez maiores, esses novos modelos podem converter os gigantescos volumes de dados em inteligência para criar modelos de acção.

Nasce assim uma nova geração de soluções que aproveitam os instrumentos, a interligação e as capacidades inteligentes e que pode ser aplicada a quase todos os sistemas centrais da cidade, e têm a capacidade de lançar luz sobre as interacções entre os diferentes sistemas, e dar aos governantes um melhor entendimento do que está a acontecer nas cidades, de forma a que actuem com mais eficiência e apresentem melhores resultados.

A aproximação mais inteligente para que uma grande cidade planeie uma melhoria contínua dos seus sistemas e qualidade de vida dos seus residentes começa pelo desenho de um roteiro que engloba o desenvolvimento de uma estratégia de longo prazo e metas de curto prazo; priorizar e investir em alguns sistemas escolhidos que terão maior impacto; integrar os sistemas para melhorar a experiência dos residentes e a eficiência; optimizar serviços e operações; descobrir novas oportunidades de crescimento e optimização.

O desenvolvimento de uma estratégia urbana é o passo mais difícil e de primordial importância para que uma cidade possa vir a ser considerada de inteligente. A estratégia ajudará a decidir onde e quando investir, articulará os pilares fundamentais e o retorno sobre o investimento e auxiliará a definir o calendário para a integração de todos os sistemas.

Existe a necessidade de uma avaliação prévia dos sistemas que devem ser adaptados tendo em consideração a visão da cidade e o impacto de factores externos; holística e compreensão de todos os sistemas; amplitude para entender como mudaria o desempenho ao introduzir soluções inteligentes e comparativas com respeito a outras cidades.

A avaliação deverá adaptar-se à visão da cidade e ao impacto de factores externos. Deve ainda considerar que as cidades têm diferentes visões e prioridades para atingirem os seus objectivos. A forma de cumprir com esse requisito passa pela existência de uma metodologia onde os diferentes critérios tenham valores de acordo com as prioridades.

Se uma cidade, por exemplo, quiser reduzir a sua pegada de carbono terá que atribuir maior importância aos factores que tem efeito imediato sobre as emissões de dióxido de carbono, bem como o tipo e qualidade da energia, a infra-estrutura e o uso energético do sistema de transportes.

Se a preocupação imediata é converter a cidade em local global para a inovação, as indústrias de alta tecnologia e as criativas darão a maior importância aos factores relacionados com aptidões e ambiente empresarial. A avaliação deveria ademais adoptar uma visão totalizadora da cidade. Os sistemas urbanos interactuam entre si, afectando-se mutuamente, pelo que as alterações num sistema invariavelmente afectarão outros.

A avaliação deve assim, considerar a totalidade da estrutura da cidade. A avaliação deveria ser abrangente e medir o progresso de todos os sistemas. Por definição, uma avaliação de cidade inteligente deveria ter como ambição entender como os sistemas individuais poderiam transformar-se quando se aplicam soluções inteligentes. É possível especificando os critérios e variáveis relevantes para os requisitos de cada sistema, sua gestão, uso de soluções e os resultados que se esperam.

A avaliação, por último, deveria ser comparativa, tendo as outras cidades como pontos de referência. Eleger cidades adequadas como pontos de referência, cidades que compartilham características, desafios e prioridades pode trazer conhecimentos valiosos extraídos das experiências de outros servidores públicos e das suas comunidades.

As cidades continuam a desenvolver-se e a aperfeiçoar as suas metas económicas e sociais e as estratégias para as atingir. Afim de aproveitar estes métodos inteligentes que ajudam a levar por diante essas estratégias, as autoridades urbanas e toda a comunidade devem entender qual é o funcionamento da cidade, onde se realizam progressos ao introduzir inteligência nos seus sistemas. A capital do estado brasileiro de Paraná é considerada um modelo de sustentabilidade, progresso ambiental e qualidade de vida.

As inovações da cidade nestas áreas foram realizadas ao abrigo do “Plano Director de Curitiba”, adoptado em 1968 e que teve controlos rigorosos em termos de expansão urbana, redução de trânsito no centro da cidade e preservação da sua zona histórica. As inovações em transportes públicos incluem uma “Rede Integrada de Transportes”, com autocarros articulados e biarticulados que circulam em faixas ou corredores exclusivos com alta-frequência.

O sistema foi copiado por cidades como a Guatemala, Los Angeles e Kuala Lampur. Curitiba tem 1,5 milhões de carros em circulação, mas mais de 70 por cento da população escolhe a rede integrada de autocarros colectivos, único sistema de transportes públicos que tem uma frota de 2,6 mil autocarros, cuja prioridade são os autocarros biarticulados. Estes autocarros com uma capacidade que pode ir até aos 290 passageiros circulam a uma velocidade média de 70 km/h em faixas ou corredores exclusivos desenhados para permitir uma frequência adequada à procura dos utentes.

Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil, tendo como prioridade a preservação dos seus espaços verdes. Os residentes plantaram 1,7 milhões de árvores nas ruas. A cidade adoptou soluções criativas para os problemas das inundações que a atormentavam, canalizando as águas pluviais para novos lagos e parques. A cidade brasileira é considerada um dos melhores exemplos de planeamento urbano do mundo tendo a UNESCO recomendado como modelo para a reconstrução das cidades afegãs destruídas depois da invasão americana em 2001, cada vez mais arruinadas.

 

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 24.01.2014

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