JORGE RODRIGUES SIMÃO

ADVOCACI NASCUNT, UR JUDICES SIUNT

As cidades inteligentes e ecologicamente sustentáveis

Masdar: The City of the Future

 Smartcities

“A Smart City is an urban region that with Internet and Communication Technologies efficiently weaves together physical, social, and business infrastructure to facilitate intelligent decision making and efficient city dynamics, in order to realize sustainable development goals through citizen empowerment and participatory governance.”

Urban and Regional Data Management: UDMS Annual 2013

Claire Ellul, Sisi Zlatanova, Massimo Rumor and Robert Laurini

 

A expressão “cidade inteligente” segundo a definição da enciclopédia livre consiste na tradução e adaptação do termo na língua inglesa “smart city”. É um conceito emergente, e portanto os seus significados em outras línguas, incluindo a inglesa estão sujeitas a constante revisão. É um termo actual, que está a ser utilizando como um conceito de marketing (estudo de mercado) no âmbito empresarial, relativamente a políticas de desenvolvimento, e no que concerne a diversas especialidades e temas.

A “cidade inteligente”, também chamada de “cidade eficiente” ou “cidade super-eficiente”, refere-se a um tipo de desenvolvimento urbano baseado na sustentabilidade e que é capaz de responder adequadamente às necessidades básicas das instituições, empresas e dos seus habitantes, tanto no plano económico, como nos aspectos operacionais, sociais e ambientais.

As cidades do mundo não param de crescer e o último relatório da ONU sobre a matéria, prevê que 70 por cento dos seres humanos habitarão em centros urbanos em 2050. O aumento da população converter-se-á num problema grave a não ser que se consiga manter alguma harmonia entre os aspectos espacial, social e ambiental das localidades e dos seus habitantes.

É neste quadro que o debate à volta desta questão ganha redobrada relevância, bem como os avanços práticos ao redor do conceito de “cidade inteligente”. Ainda que não exista uma definição homogénea para “cidade de inteligente”, pode-se afirmar que é aquela que utiliza os avanços tecnológicos para melhorar a qualidade de vida dos seus habitantes.

As tecnologias de informação e de comunicação, nas “cidades inteligentes” são utilizadas para instalar infra-estruturas em rede que melhorem a vida dos cidadãos, possibilitem o desenvolvimento sustentável, permitam uma maior optimização do consumo energético, fomentem uma maior qualidade na prestação de serviços, maior eficiência de todos os recursos e uma maior participação dos cidadãos.

Os projectos nas “cidades inteligentes” são de todo o tipo, mas fundamentalmente podem-se considerar duas categorias, que são os das cidades novas, como é Songdo na Coreia do Sul e Masdar em Abu Dhabi, denominados de “Greenfield” (terra verde ou terreno virgem), e aquelas cujos projectos a implementar procuram melhorar as grandes cidades existentes, denominados de momento ou situação de desenvolvimento “Brownfield” que actua sobre áreas como os transportes, segurança urbana, serviços aos cidadãos, educação e saúde.

A criação e desenvolvimento das “cidades inteligentes” é uma singular experiência permitindo ao habitante da cidade sentir-se envolvido na história de um futuro próximo que se situa entre a ciência de ficção por um lado, e o que implica por outro, num contexto onde muitos dos sinais do futuro se encontram presentes. O mais importante, sem dúvida, a acontecer este ano em matéria de crescimento e inovação no sector IT, gira à volta do que os analistas denominam de “terceira plataforma”, a partir da convergência de serviços na nuvem, artefactos móveis, tecnologias sociais e “Big Data”.

É o mundo difuso das tecnologias de informação e comunicação (TICs) ou (ICT nas siglas em língua inglesa referentes a Information and Communications Technology) ou a convergência destas tecnologias da informação e das telecomunicações. A velocidade de crescimento neste segmento multiplica-se deixando para trás qualquer outro considerado.

 Prevê-se que o investimento total em IT este ano, será superior a 2 mil milhões de dólares, 5,8 por cento superior a 2013, e destinado à “terceira plataforma”.

A venda de artefactos móveis, como “tablets” e telefones inteligentes pode crescer 25 por cento, gerando igualmente 25 por cento de todas as vendas em tecnologia e contribuindo para um crescimento total do sector de IT muito perto dos 60 por cento. É previsto que no período de 2014 a 2020, 93 por cento do crescimento em IT será criado a partir da nuvem, do mundo móvel, das redes sociais e seus negócios, e da “Big Data”.

O estudo do IDC, publicado em Dezembro de 2012, denominado de “The Digital Universe in 2020: Big Data, Bigger Digital Shadows, and Biggest Growth in the Far East” revela uma ruptura na “Big Data”, em que pelo menos 1,5 por cento dos dados mundiais serão analisados e menos de 22 por cento serão protegidos. Estão a começar a ser aplicados instrumentos tecnológicos, com diversos níveis de avanço para resolver problemas concretos dos habitantes das cidades, como a instalação de sensores, por exemplo, que permite dispor de informação em tempo real e que pode medir determinadas situações importantes como a intensidade do tráfego ou a concentração de pessoas. Esses e outros instrumentos tecnológicos de fornecimento de informação em tempo real servirão para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.

O surgimento de um estilo de vida baseado na Internet está a converter a rede no quarto serviço público a par do fornecimento do gás, água e electricidade. Quando as redes se converterem num serviço essencial para o utilizador, a “casa inteligente” será a regra, e as pessoas conectar-se-ão com todos e com tudo dentro da habitação e também com o mundo exterior para subscreverem serviços que melhorem a sua vida caseira.

Algumas universidades e grandes empresas de tecnologia estão a efectuar pesquisas para desenvolver formas de aplicar na prática os avanços tecnológicos, sendo uma o Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT na sigla na língua inglesa), através do projecto “City Science”, no qual os pesquisadores realizam um conjunto de projectos com investigações interdisciplinares para enfrentar os grandes desafios associados à urbanização global.

Os projectos incluem análise urbana e modelação sendo analisados dados da actividade económica, as percepções das pessoas sobre temas como a insegurança, o comportamento da população urbana, os padrões de mobilidade e o consumo energético de forma a enriquecer o processo de desenho das cidades. A cidade na era pós-petróleo começou a ser desenhada com instrumentos paramétricos e simulações computadorizadas.

Os incentivos e a governança são factores importantes que consideram factos comprovados, como o veículo automóvel que permanece em média, estacionado cerca de 87 por cento do tempo. A partir dessa comprovação é estudada a forma de concessão de incentivos dinâmicos para sistemas de uso partilhado e opções flexíveis para as viagens diárias. É utilizada a simulação computadorizada à escala urbana para concessão de incentivos aos habitantes que alterem os seus padrões actuais de comportamento e usem alternativas, quer em termos de mobilidade, como em uso energético ou local de trabalho.

As redes de mobilidade são factores importantes a considerar, uma vez que os planos modernos de viagens melhoraram notavelmente a experiência multimodal de trânsito para milhões de pessoas que diariamente se deslocam ao centro urbano, mas estão limitadas por algumas situações como conduzir, andar ou usar os transportes públicos.

Os projectos que estão a ser preparados pelo MIT incluem o desenvolvimento de um sistema de mobilidade multimodal que vai desde o estacionamento de automóveis até motociclos partilhados e que é mantido por dados em tempo real, tais como o padrão climático, trânsito ou comportamento anterior do utilizador. Novos veículos urbanos e vias para ciclomotores e bicicletas estão a ser desenhadas pela Media Lab.

Os locais de residência e de trabalho são factores fundamentais a serem considerados. A omnipresença dos dispositivos móveis e de conectividade sem fio à Internet está a alterar a natureza do trabalho. O tradicional edifício de escritórios está a ficar antiquado como lugar de trabalho. As fronteiras entre a residência e o local de trabalho estão a desaparecer com grande rapidez estimuladas pela computação avançada. Estão a ser desenhados e a ser fabricados modelos de residências urbanas personalizadas e alteráveis para maximizar a funcionalidade da pequena residência e assim melhorar a vida diária e a conveniência.

O espaço que se altera e se partilha segundo a procura e tempo permitirá o trabalho em colaboração e reuniões pessoais, dando às empresas a oportunidade de reduzir as suas necessidades por espaços para escritórios e reduzir o consumo energético. A Media Lab está a trabalhar também na integração de sistemas modulares de agricultura familiar urbana hidropónica e aeropónica para dar aos residentes das cidades a oportunidade de cultivar os seus próprios alimentos e melhorar a transparência do complexo sistema de oferta alimentar.

As redes electrónicas e sociais são igualmente importantes, pois ninguém esqueceu a incidência que tiveram na denominada “Primavera Árabe”. As redes sociais permitem a multiplicação instantânea de ideias e acontecimentos e algumas contribuíram para o nascimento e expansão de movimentos sociopolíticos e revoluções. Os projectos, nesta área, irão explorar os sistemas nervosos electrónicos da escala do corpo humano à da cidade.

As redes electrónicas e sociais descentralizadas podem formar a base de novos padrões de aprendizagem, de recreio, de produção e de saúde, abrindo os caminhos de comunicação das pessoas com as suas esferas públicas e privadas. Terá de ser desenvolvido todo o seu potencial e um sistema de intercomunicação de redes de confiança que contribuam para a segurança através de tecnologias biométricas e de encriptação.

As redes de confiança assegurarão privacidade face aos sistemas invasivos que usam dados altamente pessoais como padrões de mobilidade, consumo de recursos como água, alimentos e energia e perfis personalizados de saúde. É de considerar como factores fundamentais ainda, as redes de energia. As novas tecnologias para redes e medições inteligentes podem permitir às redes urbanas de energia que respondam de forma dinâmica à mobilidade das pessoas e aos seus padrões de comportamento.

Os sistemas interconectados para responder à procura podem reduzir o ónus das horas de saturação nas velhas redes eléctricas, sendo que a integração de fontes de energia renovável continuarão ainda a ser difícil devido à intermitência.

Os projectos do MIT nesta área serão centralizados na exploração de micro-redes de corrente contínua para células humanas compactas que incorporem a geração de energia renovável localizada como painéis solares de cobertura e microturbinas. Estas redes energéticas podem reduzir as perdas na conversão da corrente alternada para corrente contínua em edifícios habitacionais e dar ligações directas a armazenamento de energia solar fotovoltaica e energia acumulada em baterias. O MIT está a estudar ainda as novas tecnologias e o armazenamento de energia, incluindo modelos comerciais e de serviços, com o fim de dar nova utilidade às bateristas dos veículos automóveis, para que armazenem energia de rede e facilitem a rápida recarga dos veículos eléctricos.

 

Jorge Rodrigues Simão, in HojeMacau, 17.01.2014
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