“The anti-neoliberal left that has grown strong in other Latin American countries has failed to grow in Chile precisely because the leftist version of neoliberal policies has proven to be successful in terms of consolidating democracy, generating economic growth and reducing poverty.”
Beyond Neoliberalism in Latin America
John Burdick, Philip Oxhorn and Keneth M. Roberts
O recente relatório da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE), nas perspectivas para 2010 no que ao continente sul-americano concerne, denomina de nova elasticidade as políticas anti-cíclicas, que não lesam os princípios base seguidos por alguns países da América do Sul, com o Brasil a liderar, na qualidade de maior economia emergente do continente, seguido pelo Chile, como o que apresenta maior dinamismo e estabilidade, sendo os países que melhor conseguiram resistir à crise sistémica global.
Entre as duas faces da moeda, situam-se os países em que a recessão e a queda de preços dos produtos primários, no primeiro semestre do passado ano, fizeram transparecer as suas fragilidades e que apresentam uma perspectiva menos ortodoxa, como a Argentina e a Venezuela. As economias mais atingidas são as mais dependentes dos Estados Unidos, como a do México e dos países centro-americanos e das Caraíbas.
A principal causa não foi a diminuição da procura americana pelos seus bens e serviços, mas pela enorme redução das remessas de dinheiro, enviadas pelos seus emigrantes residentes na América do Norte.O cenário actual da região, é que após a contracção do Produto Interno Bruto Regional (PIB regional) de cerca de 1,95 por cento em 2008 e 2009, venha a apresentar este ano uma recuperação de 3 a 4 por cento, o que será maior que o das economias desenvolvidas, mas menor que o previsto para a Ásia Oriental e Meridional.
Assim, prevê a Comissão Económica para América Latina e Caribe (CEPAL), ainda que tal afirmação se encontre distante, em 5 por cento da média anual do triénio, de 2004 a 2007, oferecendo por consequência lugar a dúvidas ou possíveis correcções futuras.O crescimento para o corrente ano na região da América do Sul, Centro-americana e Caraíbas, no meio de dados tão díspares oferecidos pelos países e pelas organizações internacionais, criando a maior crise que há memória, em termos de transparência estatística, leva a que previsões e resultados sejam os mais disparatados e menos confiáveis.
O crescimento, sempre terá como causa principal a favorabilidade ou não das condições internacionais, sabendo que situações de riscos se voltarão a apresentar no próximo ano, devido à recessão dos Estados Unidos e da União Europeia (UE), que certamente irão propor um modelo económico enviesado, em que a segunda queda, estará relacionada com maus resultados da economia da UE este ano.A procura e os preços dos produtos primários sul-americanos serão sustentados pela China, cujo PIB está crescer a um ritmo muito perto dos 9 por cento, o que poderá criar um sobreaquecimento na economia e devendo ultrapassará os 10 por cento no próximo ano.
As exportações regionais continuarão a subir se alguns países mantiverem os incentivos, mesmo em oposição às correntes de pensamentos, oposições e práticas monetaristas.O comércio mundial teve uma queda de cerca de 26 por cento em 2008 e 2009, devendo reduzir este ano, tal desaceleramento em 10 por cento.
A liquidez a nível mundial aumentará, ainda que, algumas economias desenvolvidas elaborem planos de não utilização, redução e saída dos pacotes de estímulos pouco convencionais no próximo ano, o que facilitará no continente sul-americano, o acesso ao crédito público e privado, ainda que, alguns países de economias mais fracas poderão continuar a estar sujeitos a limitações nessa área.
As perspectivas de crescimento para a região no corrente ano são positivas, apesar de restrições estruturais em alguns países e dos altos níveis de pobreza e violência.O Brasil será a locomotiva da América do Sul, representando 41 por cento do PIB regional. O México apresenta graves problemas, com tendência a aumentar, entre eles, o narcotráfico sistémico e a carência de acção governamental que o combata adequadamente, impedindo o desenvolvimento do país.
A maioria do sector privado brasileiro terá lucros superiores aos alcançados em 2009, e mais de 60 por cento das empresas inovarão ou criarão novos produtos ou serviços. Aumentarão em 50 por cento as fusões e aquisições, em comparação com as realizadas em 2009, que foram pouco mais de 12 por cento.O perfil e os processos produtivos das empresas brasileiras alteraram-se extraordinariamente, como da noite para o dia nos últimos vinte anos.
O Brasil tem actualmente políticas monetárias mais sólidas, apresenta uma maior estabilidade macroeconómica e menor proteccionismo.O Brasil, Chile e Argentina não irão certamente seguir os métodos receitados pela OCDE e CEPAL, dado que as empresas sul-americanas estão em condições razoáveis de aumentar os lucros, reinvestir e acelerar o seu alargamento.
A Petrobras iniciou as suas actividades em 1953, sendo considerada em 2007, a 7.ª maior empresa de petróleo do mundo e em 2008, a mais sustentável do mundo. O plano quinquenal de investimentos iniciado em 2009 até 2013, passa pelo investimento de 174 mil milhões de dólares nos sectores da exploração petrolífera submarina, exploração geral, refinação, fertilizantes e electricidade.A energia e os combustíveis são os sectores chaves, por serem cotados internacionalmente.
O barril de crude negociado a 3 de Janeiro, em Nova Iorque, a 83 dólares por barril, cotava-se ontem a 77 dólares, e espera-se que venha a descer ainda mais depois do Departamento de Energia dos Estados Unidos, ter anunciado, que as reservas americanas de crude aumentaram mais que o esperado.É de realçar na região da América do Sul, Centro-americana e Caraíbas, um aumento significativo dos investimentos em combustíveis limpos ou renováveis, cujo processo regional é liderado pelo Brasil e um etanol à base de milho, no qual é o maior produtor mundial, seguido da Índia, e que domina o mercado dos biocombustíveis.
A Guatemala tem vindo crescer a sua posição no mercado, dado ser a principal produtora de cana-de-açúcar, tendo ultrapassado o Brasil. Na América do Sul, apenas o Brasil, Guatemala, Guiana e Paraguai e na região Centro-americana, a Nicarágua, produzem o suficiente para acrescentar 10 por cento de etanol à gasolina que consomem, proporção que não exige alterações nos motores e diminui de forma considerável a emissão de gases poluentes para a atmosfera e causadores do efeito estufa.
A continuidade dessa estratégia e programa fez do Brasil o único país com capacidade para exportar grande quantidade de etanol, além de misturá-lo à e ter um parque automóvel de milhões de unidades, que podem utilizar até 100 por cento desse tipo de combustível. O aumento dos preços deve-se ao facto dos Estados Unidos estarem a aumentar a produção de etanol extraído do milho, criando uma instabilidade no comércio mundial de grãos que elevou os preços.
Apenas, cerca de 30 por cento do aumento de preços se deve ao etanol, tendo como causa a desmesurada da procura de alimentos na Ásia e à alta do petróleo que encareceu os transporte e produtos agrícolas de origem petrolífera, bem como os agrotóxicos e fertilizantes.O governo e o sector privado brasileiros procuram incentivar o desenvolvimento agro- energético da região, por considerarem que um mercado mundial e a transformação do etanol em mercadoria global só serão atingidos, quando a maior parte dos países a nível regional o produzirem e exportarem. Em reconhecimento de tal esforço, foi criado o Fórum Internacional de Biocombustíveis (FIB), no qual participam o Brasil, Estados Unidos, UE, África do Sul, China e Índia, tendo em vista estabelecer padrões universais, que facilitem o comércio desse tipo de combustível.
São processos que levam tempo a dar resultados, enquanto o mercado vai sendo construído com alterações e contradições, criadas por interesses económicos e políticos de carácter imediato.Os incentivos ao etanol de milho salvaram de uma grave crise, a agricultura de metade do noroeste dos Estados Unidos e eliminá-los criaria um forte desemprego na região e um prejuízo incontável ao ambiente.
Em termos mais genéricos, medidas relacionadas com o efeito de estufa influirão este ano, os meios empresariais e de negócios, mesmo após ter fracassado a Cimeira de Copenhaga. O Brasil requereu alterações legislativas e limiteis temporais para a redução de emissões de gases contaminantes.Os alimentos são outro sector prometedor este ano, pese a sua escassez nos países mais pobres do continente, com Haiti à cabeça.
Os principais grupos alimentários da região devem alargar-se para a Ásia do Sudeste, Meridional e Ocidental., Nessas regiões a concorrência local é menos forte que a existente nos Estados Unidos, Canadá e UE. Uma situação complementar para a economia, mas psicologicamente importante são os mercados bolsistas e, especialmente, os dois hegemónicos, São Paulo e a Cidade de México.
Ambos encerraram em 2009, em níveis anteriores aos da crise sistémica ocidental. É de prever que o índice brasileiro líder, o de São Paulo, conhecido por Bovespa, atinja no final do ano recordes históricos.
















