“Sex work involves the exchange of sexual services, performances, or products for material compensation. It includes activities of direct physical contact between buyers and sellers (prostitution, lap dancing) as well as indirect sexual stimulation (pornography, stripping, telephone sex, live sex shows, erotic web cam performances). The sex industry refers to the workers, managers, owners, agencies, clubs, trade associations, and marketing involved in sexual commerce, both legal and illegal varieties.”
Sex For Sale: Prostitution, Pornography, and the Sex Industry (2010)
R onald Weitzer
Após a implantação da República Popular da China, a 1 de Outubro de 1949 por Mao Tse-tung, foram entre outras medidas, encerrados os prostíbulos e declarada a prostituição como crime subsistente até ao presente.
Passados mais de 60 anos, a cidade de Dongguan, situada entre os canais do delta do rio das Pérolas, na região meridional da Província de Guangdong, decidiu ser a metrópole desinibida do sexo transparente. Casualmente, uma rusga da polícia relembra que vender sexo é um crime, mas na realidade, as autoridades não fazem nada para travar este tipo proscrito de actividade comercial atípica.
Foi escolhida esta cidade por se localizar no percurso entre a cidade de Shenzen que faz fronteira com Hong Kong e Guangzhou (Cantão), a capital da província de Guangdong, que são duas metrópoles industriais com milhões de trabalhadores temporários, empresários e clientes em viagens de negócios.
Muitos reúnem, os dois requisitos mais importantes para serem clientes deste tipo de serviços; estarem distantes das residências habituais e família e terem dinheiro. Nas três décadas de explosão global da economia da chinesa, Dongguan converteu, o que era uma actividade artesanal numa verdadeira indústria.
A actividade inicia-se pela manhã, com a abertura das portas de cerca de 25 mil estabelecimentos entre saunas, centros de massagens, bares, banhos, karaokes e discotecas
Existem mais de uma centena de hotéis de luxo, destinados a homens especialmente magnânimos, que adoram mulheres lindas e elegantes de várias nacionalidades. Nenhum dos estabelecimentos onde se praticam estas actividades é oficialmente considerado um prostíbulo, com não são os de Hong Kong ou de Macau
O sexo que nada tem a ver com amor é descrito em termos de refinado marketing, como cheio de exotismo e gentileza oriental, administrado como uma enorme linha de produção. Cada estabelecimento apresenta mulheres diferentes, distintas pelas suas particularidades. Para reunir essas característica cada mulher é sujeita a um curso especial prático de treino profissional.
Os cursos, para as possuidoras de maiores qualidades, incluem a dança, canto e recitação. Mas a grande inovação da cidade, foi o facto de ter solicitado e obtido o certificado sobre Sistemas de Gestão da Qualidade - ISO 9000.
A ISO na sigla inglesa corresponde a (International Organization for Standardization). Tem a sua sede em Genebra, e como objectivo a normalização a nível mundial, através da criação de normas que variam consoante os produtos, matérias-primas, áreas de actividades, como a classificação de hotéis, etc. Tornou-se popular pelas normas sobre Sistemas para Gestão e Garantia de Qualidade nas empresas.
Entre elas, contam-se as destinadas ao facto da empresa estar totalmente empenhada na qualidade como a ideia de satisfação do cliente; adequada gestão dos recursos humanos e materiais necessários ao desenvolvimento das actividades; existência de regras de conduta, preceitos e registos de trabalho, que mostrem todas as actividades que podem prejudicar a qualidade, e a monitorização dos métodos por meio de sinais e tomada de decisões, quando os objectivos definidos não são alcançados.
Esta certificação obtida pela cidade para estas actividades, tem por fim garantir a qualidade do serviço prestado e pela qual mais de 300 fiscais, inspeccionam todos os meses, estabelecimentos e prostitutas, aquilatando da limpeza, higiene, saúde, idade, qualidades, quantidade de mulheres ao serviço efectivo e as suplentes; risco possível de clientes serem objecto de uma operação policial.
Tudo é cuidado ao mais ínfimo pormenor. Provavelmente terão descoberto algum método genioso de prevenir as doenças sexual transmitidas (DST) e do vírus da síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), bem como devem ter um gabinete de crise com psicólogos e relações públicas, caso as esposas ou namoradas dos clientes os descubram em flagrante delito.
Os locais mais luxuosos são multidisciplinares, onde não falta a alta tecnologia, com prostitutas high-tech, que ensinam os clientes a serem verdadeiros cibernautas.
Existem empresas que pelo equivalente a vinte euros por ano, enviam aos seus membros, SMS (Short Message Servisse) ou (Serviço de Mensagens Curtas) diárias, com as notícias, plano do dia e o ofertório.
Estima-se que 15 por cento dos trabalhadores da cidade de Dongguan, estudam com frequência diária, nessa universidade da vida. Este negócio tem um fluxo semanal de cerca, do equivalente a 75 milhões de euros.
Não contando com as estrangeiras, onde as eslavas e sul-americanas predominam, cerca de 80 por cento das chinesas trabalhavam antes da crise sistémica global ter despoletado, nas fábricas da província de Guangdong. A crise atirou-as para os bordéis.
Se pretender visitar esta cidade de alta tecnologia prostituída, inquira junto do membro do clero da sua residência, independente da religião professada, para saber acerca das consequências morais e espirituais de tal desatino.
Se o membro do clero inquirido o confundir por ir contra a sua ideia, não deixe de partilhar com a sua esposa ou namorada, que certamente darão o veredicto final.
Bibliografia: Sex For Sale: Prostitution, Pornography, and the Sex Industry
Publisher: Routledge; Pages: 374; 2010; ISBN 041599604X. A groundbreaking collection of essays on the sex industry. Sex for Sale contains original studies on sex work, its risks and benefits, and its political implications. The book covers areas not commonly researched, including gay and lesbian pornography, telephone sex workers, customers of prostitutes, male and female escorts who work independently, street prostitution, sex tourism, legal prostitution, and strip clubs that cater to women. The book also tracks various trends during the past decade, including the mainstreaming and growing acceptance of some types of sexual commerce and the growing criminalization of other types, such as sex trafficking. Sex for Sale offers a window into the lived experiences of sex workers as well as an analysis of the larger gender arrangements and political structures that shape the experiences of workers and their clients. The book greatly contributes to a growing research literature that documents the rich variation, nuances, and complexities in the exchange of sexual services, performances, and products. This book will change the way we understand sex work.
Jorge Rodrigues Simão, 01.02.2010
Texto original na língua francesa a ser publicado em Paris, LMD
















