“Haiti is a divided country in the midst of a political, economic, ecological, and social crisis. Hiv/aids rates are among the highest in the Western hemisphere. Violence, bolstered by the prevalence of thousands of small arms in the hands of both state and non-state actors, has sabotaged attempts to establish the rule of law, leading to an overall climate of insecurity. The government lacked popular legitimacy, and state infrastructure is notably absent in much of the country, particularly in the rural areas. In sum, Haiti is by most measures a fragile state.”
Hope for a Fragile State
Yasmine Shamsie and Andrew S. Thompson
O mais pobre país da América, que habitualmente vive em estado de emergência, sofreu no passado dia 12, pelas 16:53 horas, um sismo de magnitude 7 na escala de Ritcher, tendo o epicentro, situado a 10 quilómetros da superfície, coincidindo com a cidade de Porto Príncipe, a capital do Haiti.
O país encontra-se na ilha de Hispaniola, conjuntamente com a República Dominicana, sobre a microplaca, denominada de “Gonave”, limitada a sul pela zona de falha “Enriquillo-Plantain Garden”, que separa as placas tectónicas da América do Norte e das Caraíbas.
As placas tectónicas continentais, têm em geral, um movimento de cerca de 20 milímetros por ano, mas no dia do terramoto a deslocação foi de metro e meio. As placas apresentam movimentos convergentes ou de aproximação, divergentes ou de afastamento e tangenciais, em que resvalam lateralmente, raspando entre si. Foi deste último tipo, a que provocou o sismo do Haiti, com uma energia libertada, equivalente a trinta bombas atómicas, idênticas às lançadas em Hiroshima.
O sismo foi sentido na República Dominicana e em Cuba, tendo-se registado réplicas subsequentes de 5,9, 5,5 e 5,1 graus, respectivamente, na escala de Richter. Os movimentos telúricos, mais graves ocorridos, no mundo, nos últimos vinte anos, vitimaram 600 mil pessoas, sendo o mais recente o de Sichuan, na China, a 12 de Maio de 2008, com um grau de intensidade de 7,9 na escala de Richter , que produziu a morte a 87 mil pessoas.
A capital do Haiti, ficou praticamente destruída, não parando de aumentar, as previsões de mortos, tendo os próprios membros do governo no meio do caos, que se vive, apresentado números divergentes num só dia, como o de 120 mil pessoas primeiro, e horas depois de 150 mil pessoas.
No meio da avalanche de escombros, na sua grande maioria por remover, podem ser encontrados um número de vítimas bem maior; basta a título de exemplo pelas imagens transmitidas, que à data da tragédia, numa universidade que ruiu por completo, encontravam-se e entre 500 e 1000 pessoas. É bem possível, que após a limpeza da cidade, o número de mortos possa ser superior a 300 mil, o que corresponde ao mesmo número de desabrigados.
O país tem uma população de cerca de 10 milhões de habitantes. O analfabetismo é de perto de 50 por cento. O PIB é de 7 mil milhões de dólares e o rendimento “per capita”, de cerca de 600 dólares anuais, em média, pois não existe um valor consensual, situando-se conforme as fontes, entre 560 dólares e 650 dólares, tendo apenas 30 países no mundo um valor inferior.
O país sofre de miséria endémica, em que mais de 80 por cento da população vive abaixo do limiar de pobreza. A expectativa de vida é de 60 anos, 10 anos menos, que na vizinha República Dominicana.
A principal actividade económica do país é a agricultura de subsistência. As imagens televisionadas são um horror indescritível, em que nada foi poupado à ferocidade das forças da natureza.
A Catedral foi praticamente destruída, e o seu arcebispo soterrado, o mesmo aconteceu com o Congresso que se desmoronou, ficando o presidente do Senado debaixo dos escombros. O palácio presidencial foi retalhado, tendo o presidente da República, ficado sem a residência oficial e particular.
O prédio onde se situava a Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, caiu como um bloco de cartas fazendo 200 vítimas. As consequências reais deste terramoto são imprevisíveis, estando a ser minoradas pela ajuda humanitária que tenta suprir as maiores carências, traduzidas na falta de abrigo, água, comida, medicamentos e luz.
A pobreza inimaginável jorra, por meio das imagens que nos chegam em catadupa, várias vezes ao dia, sem apelo nem agravo. No desenvolvimento acelerado da informação e tecnologia, passámos a ser observadores acostumados e acomodados com toda a sorte de cataclismos naturais e produzidos, entre eles, os sismos, como uma espécie de lista de acontecimentos inesperados que chagam o planeta de forma rápida, e que após momentos de pasmo são alimento do esquecimento colectivo, com excepção dos que sobrevivem e suas famílias. Todavia, a pobreza, não tem recordações. Não é hábito, lembrar a pobreza, para a explicar.
Alguns países são como a pobreza, lampiões passageiros que aparecem nos meios de comunicação social, enquanto a morte e a violência relampejam o seu território. Passada a calamidade, conflito ou a grotesca imagem da desumanidade, continua a murmurar na obscuridade do olvido, difundido pelos meios de comunicação.
O Haiti é um dos superiores modelos desta enfermidade do nosso século e milénio. Não é o facto de ser um país miserável sem instituições que funcionem, sem infra-estruturas e toda a sorte de recursos que os países em desenvolvimento têm, pois dada a localização do epicentro do sismo, seria impossível evitar a enormidade da tragédia.
As consequências seriam praticamente as mesmas. A comunidade internacional, a que pertencemos todos, é responsável por deixar chegar a maior parte da população de países como este, a um limiar inferior ao da pobreza.
Tratou-se de uma catástrofe natural, que nada tem a ver com alterações climáticas, como alguns tolos pseudo cientististas têm vindo a afirmar. É impossível prever tais situações num rigor de prevenção positiva. Aconteceu, e o problema reside em como socorrer os vivos, tratar dos feridos, enterrar os mortos sem causar epidemias e reconstruir a cidade que levará entre cinco e dez anos.
O Haiti, apresentou na Conferência Internacional sobre ó país, que se iniciou dia 25, em Montreal, com a presença de delegados, essencialmente, dos Estados Unidos, União Europeia e organizações internacionais, um pedido de ajuda para a reconstrução, de 3 mil milhões de dólares.
Estes dias que se prolongarão envolvidos no sofrimento, em que o mundo têm sido saciado de imagens e frases que contém o pequeno país das Caraíbas, nas diversas línguas universais, no seu léxico, gramática e fonética até ser novamente votado ao esquecimento. Sempre assim foi. Sempre assim será. O Haiti não tem muito para nos oferecer, por mais que nos doa, para além do momento efémero. Não tem capacidade de mudar a memória da natureza humana. Mesmo que a sua história seja escrita pela adversidade. A história do mundo tem sido mais de fatalidades, que de sucessos. Tudo, porque a genética da história é a desventura.
















