“China has broadcast its message. Calling on Africa, Australia and South America for resources, on the West for support, and on the world for understanding, its role in the global hierarchy is established yet pivotal. But that communist blink in the Imperial eye should not deceive you. China has a well shod foot in the global door of capitalism”.
Alex Mackinnon and Barnaby Powell
China Calling: A Foot in the Global Door
A influência geoestratégica da China, como nova potência no mundo, passa pela execução de um projecto intervencionista em termos económicos, tendo em vista a competição global de mercados e o escoamento competitivo dos seus produtos. Tal política tentacular, abrange todos os continentes, vindo a fortalecer-se e a expandir-se nos continentes de economias mais débeis, como o africano e o sul-americano.
A primeira fase dessa política de alargamento comercial, espelha a indispensabilidade material, que passa pela disponibilidade de excedentes monetários da sua economia, cujo PIB atingiu cerca de 8 por cento no ano transacto, prevendo-se que este ano seja de 9 por cento ou superior.
Essa possibilidade obriga à procura de recursos naturais, que não têm a possibilidade de ser renovados, indo desde logo contra o princípio do desenvolvimento sustentável, plasmado na “Declaração do Rio Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento”, como sendo o direito dos seres humanos de viverem e produzirem de acordo com a natureza e correspondente ao seu princípio n.º 1, e que se caracteriza como a forma de sustentar uma economia conciliável com as necessidades respeitantes ao desenvolvimento e ambiente das gerações actuais e futuras, correspondente ao seu princípio n.º 3.
Nessa estratégia bem definida, a China irá aplicar não a totalidade dos seus, cerca de 3 triliões de dólares de reservas em divisas estrangeiras, mas pelo menos 2/3 das mesmas, para reforçar a sua posição a nível externo por via dos investimentos, participações e aquisições na sequência das recentes afirmações do seu primeiro-ministro, acerca do plano de investimentos externos, suportado por empresas nacionais.
Os investimentos directos da China num período de sete anos, cresceram dos insignificantes 150 milhões de dólares em 2002, até um valor superior a 40 mil milhões de dólares no passado ano, prevendo-se que possa vir a atingir um valor situado, entre os 60 e 70 mil milhões de dólares este ano.
O sub-continente sul-americano e ex-quinta dos Estados Unidos, virou-se na sua grande maioria, em particular para a China, apesar de algumas excepções, como é o caso da Colômbia, que continua praticamente desapoiada no restante do continente e a enfileirar, sem contrapartidas, as políticas do seu aliado americano, garantindo o último baluarte de domínio americano na região.
O presidente Uribe, sem alternativas externas, tenta sobreviver politicamente e com ele o país, recorrendo a uma fórmula incompatível com a tradição democrática, por recurso a um terceiro mandato, politicamente sustentado em compromissos político-partidários com suporte em alterações constitucionais de duvidosa legitimidade democrática. Pretendia ser o presidente mais democrata do continente, que tinha como tema de campanha em 2002 “Mano dura con un corazón grande”. Só é aberta a porta a novo mandato, por si forçado e criando uma situação quase ditatorial.
A região volta-se não só para a China, mas também para a Índia, Irão e Rússia, o que significa afastar-se cada vez mais da União Europeia.
O Peru, segundo produtor mundial de cobre, irá começar a exportar nos próximos dois anos para a China, usando o porto de Xangai, proveniente das extracções de uma mina explorada pela empresa Chinalco Peru, uma filial da empresa mineira estatal, Aluminium Corporation of China (Chinalco), e resultante de um empréstimo bancário chinês de 2 mil milhões de dólares, concedido a 18 de Novembro de 2008, com o fim de desenvolver o projecto de cobre de Toromocho.
As facilidades para a concessão de crédito realizaram-se dentro do quadro do “Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC)”. Tratou-se pelo volume do empréstimo, do mais importante apoio da China aos projectos de investimento na América do Sul, no qual são igualmente beneficiários. Tanto mais relevante é, quando o investimento se deu no momento, em que começaram a agravar-se de forma notável a oferta de liquidez de capitais nos mercados financeiros, por força da crise sistémica global.
A crise vem favorecer a China, com excesso de liquidez em mercados onde os mesmos são escassos ou inexistentes, definindo as regras do jogo, num continente onde é o maior importador de matérias-primas, sendo por conseguinte um consumidor dominador. Este investimento permite ao Peru, aumentar em 25 por cento a sua produção anual de cobre.
A China tornou-se no primeiro semestre do passado ano, no maior mercado de exportação dos produtos do Brasil. Aquando da visita do presidente do Brasil à China, foram celebrados a 19 de Maio de 2009, dez acordos nas áreas financeiras e de cooperação petrolífera, tecnológica e jurídica.
No sector petrolífero, o acordo mais importante é relativo à concessão de um empréstimo de 10 mil milhões de dólares, pelo Banco de Desenvolvimento da China à empresa petrolífera brasileira Petrobras, para financiar os investimentos relativos à prospecção em águas profundas, referentes às enormes reservas petrolíferas recém- descobertas, a mais de 6000 metros de profundidade, na costa sudeste.
O acordo contém uma promessa da Petrobras, de elevar as suas vendas para 150 mil barris diários de crude no primeiro ano, e de 200 mil barris diários nos nove anos seguintes, aos preços da data da assinatura da concessão do empréstimo, à Unipec Ásia, que é uma empresa subsidiária da Companhia Petroquímica da China, Sinopec, cujo estado chinês detém 71 por cento do capital, sendo o restante é detido por bancos chineses e fundos de investimento.
A Sinopec desenvolve a sua actividade nas áreas da exploração, produção, refinação, comercialização de petróleo e gás e nas indústrias petroquímica e química. Assinou ainda, com a Petrobras uma carta de intenções, tendo em vista a cooperação nas áreas da prospecção, refinaria, petroquímica e dos bens e serviços.
O comércio entre as duas maiores economias emergentes do mundo em 2008, foi de 36,5 mil milhões de dólares, representando um aumento de 60 por cento em relação a 2007.
A China e a Argentina, por meio dos respectivos bancos centrais, a 30 de Março de 2009, assinaram um pré-acordo de “swap” ou “troca” de moedas, em que a primeira colocaria à disposição da segunda, o equivalente a 10 mil milhões de dólares em yuans, destinadas às suas operações comerciais. Este acordo permitia que a Argentina assegurasse as suas reservas em dólares, auxiliando a estabilidade da moeda americana, fortalecido nessa data e garantindo o pagamento das suas importações à China. Na realidade não se tratou de uma operação de “swap”, mesmo tendo a China acesso ao peso, mas de um autêntico empréstimo.
Entretanto, as empresas estatais chinesas compraram áreas petrolíferas no Equador e na Venezuela. A 12 de Agosto de 2009, a maior empresa estatal chinesa, China National Petroleum Corporation (CNPC), afirmou que apressaria as suas aquisições na América do Sul e África.
A Índia, Rússia e o Irão centram as suas atenções na América do Sul. Este último país, com especial interesse nas minas de urânio da Bolívia.
A China tem actuado de forma pacífica na América do Sul, não contrariando a doutrina proclamada em 1823, pelo presidente americano James Monroe e simplificada pela abstracta frase da “América para os americanos”.
Não pondo aparentemente em risco a hegemonia americana, que nunca foi de totalmente aceite na América do Sul e na Europa; nem que o Ocidente seja o maior parceiro comercial e os Estados Unidos o maior investidor na região, não deixa de causar preocupação para os Estados Unidos, que novas potências económicas e geopolíticas, deambulem pelo continente.
O seu aparecimento é em parte devido ao declínio dos Estados Unidos como potência global única, de predomínio total após a ruptura e desmembramento da União Soviética, até meados da presente década.
Terminada a Guerra Fria, que era uma das faces da moeda, desapareceu a outra, e os centros do poder deslocaram-se para a região do Pacífico, a partir da década passada, sob os olhos do presidente George Bush, o mais desastrado que os Estados Unidos teve, que para além de ultraconservador teve a particularidade de destruir o conseguido arduamente pelo presidente Ronald Reagan, criando uma discórdia única na América do Sul, por força da ideia fixa de se meter na frustrante e infeliz guerra internacional contra o terrorismo.
















