“The foremost aspect in the ‘Taiwanese story’ is that Taiwan was a latecomer in terms of its industrial development and learning how to compete in world markets. A second and related aspect is the role of government and public policy. Here, the crucial point is not simply that the government intervened in development, but that it played a key strategic role by changing the economic base to produce new comparative advantages and creating new market segments in which Taiwanese firms could compete. A third aspect of the ‘Taiwanese story’ is specialization”.
Charles Edquist and Leif Hommen
Small Country Innovation SystemsGlobalization,
Change and Policy in Asia and Europe, 2008
O muro de Berlim caiu há vinte anos o que faria pensar na concretização de um do sonho silencioso, que consistia numa nova ordem internacional, em que a democracia seria o pilar fundamental dos regimes políticos, a sinceridade a regra nas relações internacionais e o mercado global livre ofuscaria a política. Tratou-se simplesmente de uma previsão errada. O cenário posterior à guerra fria, no qual voltamos a viver, é um campo de batalha entre antigos ou recentes actores políticos e económicos. Tem-se analisado profundamente esta matéria, no contexto dos Estados e muito pouco no âmbito das empresas. Tem-se considerado mais a globalização dos mercados, em detrimento dos mercados regionais, as ideias, aspirações sociais, tendências que os inspiram e os preocupantes desafios que enfrentam e oferecem.O poder é partilhado a nível mundial entre Estados em permanente conflito. Ainda que, a nova realidade multipolar possa profetizar sucessivas lides e incertezas, o sistema internacional multilateral pode ser suficientemente estável. Após a guerra fria, previa-se que os novos ou iniciais poderes globais como os Estados Unidos, União Europeia, Japão, China, Rússia, Índia e Brasil tentariam manter-se ou conquistar novas posições no tabuleiro geoestratégico mundial. Os jogadores mais bem posicionados a nível regional, tentariam limitar a influência dos grandes poderes globais pertencentes à sua região.
O poder empresarial associado à nova realidade, exige autonomia operacional nos seus diversos sectores, pois a maioria das trocas comerciais dá-se no interior de uma região, não no seu exterior. As cadeias de abastecimento desenvolvem-se a nível local e não mundial, e exigem uma gestão descentralizada. Os modelos globais, limitam-se às funções institucionais e intervêm nos diversos segmentos do comércio global. Os estudos de mercado e a publicidade, como componentes do “marketing”, solicitam uma procura limitada e desprezam as marcas mundiais. As empresas petrolíferas realçam essa nova realidade. São forçadas a movimentarem-se entre os objectivos nacionais e as suas regras relativas à exploração ou comercialização de recursos naturais em contínua metamorfose.
A hegemonia como supremacia de alguns Estados, que entendem ser a estabilidade internacional um fim apetecível, prescrevendo a existência de um Estado detentor da capacidade de estruturar o intercâmbio entre os principais membros de um determinado sistema. A potência hegemónica define a ordem política, primeiro, através de uma dinâmica e grande economia, liderança tecnológica e poder militar. Existem hegemonias a nível regional como a Alemanha e a França que foram e em menor grau são, Estados dominantes na Europa Ocidental e a África do Sul, no sul de África.
A resposta adequada face a uma estabilidade hegemónica, implica seguir o Estado que detém esse poder e conservar fracções substanciais dos negócios e operações no seu enorme mercado. Estado que oferece vantagens adicionais às empresas sob o seu domínio, nem sempre nascidas por virtude das forças de mercado, mas por questões geopolíticas. Uma entidade com esta natureza exige que as suas marcas adoptem símbolos e imagens unidas a tal hegemonia global. A sua estrutura e gestão têm de se adaptar à do estado dominante. Muitas empresas americanas, como a multinacional “Halliburton Oil Well Cementing Company” é o exemplo mais evidente de como retirar altos lucros por força da hegemonia militar americana no Iraque. Analogamente, existem empresas chinesas que exploram recursos naturais, aproveitando o crescente domínio do seu país em diversos países africanos.
A institucionalização provoca a criação de regras globais, negociações e forte autoridade. A competição entre os Estados é substituída por acordos de cooperação. O Conselho de Segurança das Nações Unidas decide em teoria os conflitos internacionais de segurança e a Organização Mundial de Comércio arbitra em matéria de comércio internacional. As empresas organizadas de forma institucional preferem seguir as regras estabelecidas por fortes instituições internacionais. Suportam de forma firme os tratados multilaterais de comércio, dando apoio internacional a patentes e direitos intelectuais, e normas ambientais, entre outras.
Estas empresas possuem redes globais de fornecimento e produtos uniformizados pelo mundo. A sua estrutura de gestão apoia-se numa administração central e numa cadeia hierárquica. As empresas farmoquímicas, farmacêuticas, de biociências e alta tecnologia, que dependem da inovação e estritos direitos intelectuais, tendem a ver o mundo com lentes institucionais, participando na definição e promoção de normas internacionais.
O pensamento liberal defende que as empresas, grupos de pressão, organizações sectoriais, trabalhadores e demais população activa que compõem a sociedade civil desempenham papéis relevantes na ordem global. As empresas, por exemplo, criam complexas interdependências impelidas pela diminuição dos custos comerciais, sendo relegadas a relevância da força militar e do equilíbrio de poderes. Tal processo, solidifica as inter-relações económicas e aumenta as possibilidades de cooperação entre os Estados, por virtude de agentes sociais mais fortes.
A revolução informática aumentou a capacidade dos intervenientes, como por exemplo, as Organizações Não Governamentais, de influírem nos destinos da ordem mundial. As empresas de matriz liberal podem ser definidas como organizações de actividades abertas, com estruturas rígidas em que a direcção determina os princípios e fins, deixando a terceiros a escolha dos meios.
A diversidade socialista, cultural ou social considera-as como activos estratégicos, que criam marcas globais, destinadas a segmentos de mercado com base no poder aquisitivo, não em semelhanças. O “Google” era um caso evidente de empresa liberal, dado permitir que os utilizadores da “WEB” possam navegar sem restrições suportadas em informações culturalmente neutras. É sugestivo que o “Google” e outros provedores de conteúdos virtuais tenham sido objecto de fortes pressões no sentido de banir princípios liberais, operando em contextos tão hegemónicos, como a censura de países totalitários.
Em período de crise internacional mundial de vários matizes, parece que vivemos em anarquia fatalista, pois o Estado deixou de ser o pilar da ordem mundial e o caos é epidémico. O Estado está a relaxar-se na responsabilidade de controlo das suas fronteiras territoriais, segurança, serviços e gestão das finanças públicas. Está a crescer em número esta espécie de Estados fracos, onde o princípio da legalidade é ténue e a corrupção está em crescimento. As empresas, num tecido social anárquico, procuram oportunidades, exploram-nas, praticando altos custos operacionais e riscos colaterais como origem dos seus lucros. São empresas hobbesianas que planeiam e esperam o pior mergulhando no fatalismo, como se de versos de música tribalista se tratasse, num princípio de que a vida é dura e curta, o melhor é tirar o maior lucro, no menor tempo possível.
Face a tal cenário, os dirigentes das empresas trabalham com governos débeis, subornando os funcionários públicos, penetrando e abandonando rapidamente o mercado desses países. Não se preocupam com as marcas, pois o comércio é feito através da venda de produtos de má qualidade a baixo preço, não têm relações comerciais com fornecedores, bancos locais e clientes, sendo um campo aberto à proliferação do crime organizado como acontece na América do Sul, África, Ásia Central e Oriental.
Nesta maré alta de crise, as empresas terão de estudar e avaliar os mercados locais, antes de elaborar estratégias empresariais a nível global. Os dirigentes têm de compreender os regimes políticos que se deparam e o comportamento das suas empresas. Qualquer estratégia é sempre uma mudança, face a uma resposta e uma antecipação de determinada visão. As empresas não são simples coisas, mas intervenientes na evolução das relações internacionais. O sucesso das estratégias das empresas líderes de mercado passa pela avaliação das possíveis rupturas geopolíticas a nível global e regional e pelo estudo do mercado onde exercem a sua actividade, familiarizando-se com sistemas políticos, tipos de governo e legislações.
















