Paul Kennedy
Desafios para o Século XXI
Estabilizar moedas, privatizar e abrir mercados, desapareceu perante um novo pragmatismo onde não existem fórmulas que garantam o crescimento sustentado de economias subdesenvolvidas em que os governos têm de eleger as melhores opções, o que dificilmente acontece, sendo na maior parte das vezes impraticáveis ou desajustadas. A base das opções é feita na maioria dos casos por políticos desonestos e ignorantes, tornando o governo dispensável.
O novo pragmatismo é o crescimento social, e sem melhoras substanciais no bem-estar dos cidadãos, não é possível a redistribuição de rendimentos. Uma das grandes questões que se coloca, é sobre a forma de como foi possível, que uma minoria de 13 países de economia emergente continue a crescer a um ritmo anual de 7% a 10% desde há vinte anos. As conclusões são apenas duas e residem no desenvolvimento sustentável robusto que exige compromissos políticos a longo prazo por parte do governo e tem de se enlaçar com a economia mundial como fonte de tecnologia e procura.
Os dois conceitos de desenvolvimento sustentável e sustentado têm sido usados, não sendo definidos de forma exacta, sendo comum associar o desenvolvimento sustentável, como o que se pode sustentar por si e o desenvolvimento sustentado, o que se completa por meio de factores externos. O conceito preferencial é o do desenvolvimento sustentável que ajusta de forma adequada o crescimento económico com a protecção dos recursos naturais e a coesão social com as apropriadas situações a serem seguidas a longo prazo.
Só é possível um país ter um crescimento real com elevados investimentos em infra-estruturas, saúde e educação. Desenvolver implica profundas mudanças e obriga a considerar os cidadãos como a parcela mais importante. A propensão a descuidar o ambiente nas primeiras fases de desenvolvimento ou industrialização rápida como foi a dos Estados Unidos e no momento a China, Índia, Vietname, Brasil, e outros países é um profundo erro.
Os recursos naturais por motivo das desigualdades geográficas naturais são outro tipo de dificuldade, como o Cáucaso, pequenas ilhas ou superfícies montanhosas e declives abruptos e aquelas em que as oportunidades ao desenvolvimento apresentam um particular perigo como grande parte da África subsaariana, em que predominam os conflitos; as dificuldades de competir no mercado internacional; pesados encargos com a dívida externa, distribuição adequada de terras, degradação ambiental, crescimento populacional, doenças e outras epidemias. Muitos países de rendimentos médios defrontam problemas como os combustíveis ou altos preços dos alimentos básicos. A paz e o crescimento estão unidos.
O mundo debate-se com inúmeros problemas e um dos mas graves é a inflação. Questiona-se se os preços aumentam ou não enquadrados na clássica quadrilogia do quanto; quais; como e onde. Apercebemo-nos que os preços aumentam e muito. Em sentido contrário recebe-se a enganadora notícia esquizofrenizante e oficial do que se vê não é real; os preços não aumentam, só temos a impressão de que aumentam. Trata-se de uma controvérsia sobre a inflação no plano explicativo, porque quando vamos ao supermercado a verdade é palpável e a conclusão é de que se trata de um tema abstracto.
A polémica no plano metafísico acerca da existência ou não da inflação, impõe seguir o caminho da filosofia, como ciência de bases insólitas. Existem líquidos que medidos em polegadas cúbicas são mais pesados que muitos sólidos, mas a tendência é visibilizar como mais leves. Associamos o significado dado pelo dicionário universal da língua portuguesa de levez com leviandade e mobilidade com instabilidade. A prática ensina-nos que quanto menos carregados nos movemos, mais rápido será o nosso percurso. São algumas das causas que legitimam a liquidez como metáforas apropriadas para definir o actual modernismo. A dissolução dos sólidos levou a uma gradual autonomia da economia dos seus tradicionais vínculos políticos, morais e culturais.
A principal técnica do poder é a fuga, o gotejar, a eliminação, a capacidade de evitar, a rejeição material de qualquer limitação territorial e as incómodas consequências de construção e manutenção de uma política, da responsabilidade pelas suas consequências e da necessidade de enfrentar os seus custos. Será correcto dizer que, em termos inflacionários, convivemos com uma realidade líquida? Não existe nenhum teólogo da economia que o impeça. Trazendo uma novidade à confusão geral, podemos ter um índice inflacionário singular apoiado num índice líquido. Assim, medir-se-á um só produto, que representa o elemento essencial da vida, presente em 70% do corpo humano e que representa a superfície do planeta.
Um outro problema que mais preocupa o mundo é o ambiente. O marketing verde, é um reflexo da percepção ecológica das marcas A humanidade ao longo da sua evolução, na senda do progresso, causou demasiados danos ao planeta que deseja usá-lo como meio para o cuidar e corrigir. A publicidade divulga esse intento. Os consumidores tornaram-se muito exigentes, não só querendo produtos de boa qualidade, mas produtos que não prejudiquem a sua saúde e a qualidade do meio ambiente em que vivem. É o consumo consciente ou responsável.
Os produtores, devem oferecer produtos e serviços que se achem em conformidade com a procura. O marketing, ou seja, todo o conjunto de actividades que levam ao público a mensagem sobre produtos ou serviços, deve vestir-se de cor verde. O respeito pela natureza criou um negócio milionário designado por indústria verde. É constituído por produtos mais caros, porque exigem processos de produção distintos dos usuais e que se destinam a uma fracção do mercado em crescimento, antes da actual crise alimentar. Este ano é propício para as campanhas publicitárias verdes, tal como revelam as maiores empresas internacionais do sector.
Os Jogos Olímpicos de Verão de 2008, irão ser disputados em Pequim, de 8 a 24 de Agosto, com o tema “Um Mundo, Um Sonho”, e que a China pretende que sejam os mais verdes da história do evento. Pode ser um incentivador activar as melhorias ambientais na cidade e em todo o país esforçando-se por equilibrar o rápido crescimento económico e a protecção da saúde e do ambiente.
















