“The theory of global warming challenges our current concepts of the nation-state versus global responsibility, and the short-term vision of our political leaders both of which must be overcome if global warming is to be dealt with effectively.”
Mark Maslim
Global Warming
O processo para substituir o protocolo de Quioto implementado em 1997 e que entrou em vigor a 16 de Fevereiro de 2005, depois da Rússia o ter ratificado em Novembro de 2004 e que expira em 2012, pelo que após essa data deve existir um acordo substitutivo. Assim, começou na primeira semana de Abril, em Banguecoque a reunião inicial que teve a participação de cento e noventa países, com o objectivo de criar as bases do acordo substitutivo e conhecido por “Quioto 2”.
A reunião deu-se, após a 13.ª Conferência da ONU sobre as Alterações Climáticas realizada entre 3 e 14 de Dezembro de 2007, em Bali em que foi aprovada a agenda de negociações do novo acordo que irá lutar de uma forma mais adequada e correcta perante as alterações climáticas. Na reunião deram-se as primeiras dissensões, pelos países em vias de desenvolvimento se recusarem a aceitar controlos ou limitações às suas emissões de gases poluentes e os países desenvolvidos não se responsabilizaram pela ajuda financeira a ser prestada. A proposta do Japão que previa uma redução da emissão de dióxido de carbono por sectores, foi declinada pela China, índia e outros países.
O Brasil e a África do Sul propuseram que os níveis de emissões fossem reduzidos pelos países desenvolvidos e controlados pelos países emergentes. O grupo de trabalho adiou as discussões até 2009, tendo em vista as obrigar os Estados Unidos, na esperança que o novo presidente a ser eleito em Novembro, seja mais favorável aos compromissos do Protocolo de Quioto, que o Presidente George Bush, dado ser o único país industrializado que não o ratificou.
Tem como objectivo agir sobre as emissões de dióxido de carbono (CO 2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), hidrofluorocarbono (HFC), perfluorocarbono (PFCs) e hexafluoreto sulfúrico. O acordo começou a ser negociado de 2 a 13 de Junho de 2008, em Bona tendo sido discutida a transferência de tecnologia dos países industrializados para os países emergentes. Será realizada uma reunião entre 21 e 30 de Agosto, no Gana, sobre o reflorestamento e o combate à desarborização que são acções fundamentais de combate ao aumento das temperaturas do planeta. A última reunião no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, realizar-se-á de 1 a 12 de Dezembro na Polónia. A UE assinou o acordo de 2007, comprometendo-se a reduzir em 20% as suas emissões de CO2 até 2020. A grande meta da UE e dos Estados Unidos é a Cimeira de Copenhaga em Dezembro de 2009, mas acrescem obstáculos e um extremamente nocivo que dá pelo nome de trifloro de nitrogénio (TN).
Quer os países emergentes, quer os países subdesenvolvidos, coincidem no facto de quase todas as emissões de gases com efeito de estufa, como o monóxido e dióxido de carbono acumulados desde a segunda metade do século XIX terem ou têm origem nos países industrializados e cada cidadão desses países contribuiu com maior volume de contaminantes do que a restante população do globo. Ironizam os culpados afirmando que a China e a Índia, fontes geradoras de monóxido de carbono devem ser responsabilizadas igualmente, mais quando se descobre o contaminante (TN), umbilicalmente ligado à produção de ecrãs de cristal líquido (PCL). O Senado dos Estados Unidos é unânime em afirmar que a China, além de ser o maior contaminante do mundo, nada faz para diminuir esse ritmo crescente, ainda que, tal encargo não se repercuta por habitante. O presidente George Bush irá certamente deixar cair o tema por ocasião da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.
A Índia, Indonésia, Brasil e Vietname são também, contaminantes activos. As emissões praticadas pelas indústrias dos países em desenvolvimento aumentam de forma demasiado rápida invalidando os tímidos esforços das economias dos países desenvolvidos. Aproxima-se do argumento defendido pelas empresas petrolíferas. Infelizmente como todas as atitudes são válidas, é de considerar a ideia de que se torna mais fácil reduzir as emissões dos países subdesenvolvidos, dado que as medidas adoptadas são menos consistentes e daí ineficientes, pelo que existe o beneplácito de continuarem a instalar fábricas contaminantes.
Assim, se pode concluir, se os países desenvolvidos aceitam pagar tais custos, os restantes serão a excepção pelo menor custo e maior contaminação. É um propósito mercantilista ao revés, defendido inclusive pelo Protocolo de Quioto. Os países desenvolvidos, aceitaram em 1997 diminuir as emissões de poluentes ou pagar pelas diminuições de terceiros países através dos “Mecanismos de Desenvolvimento Limpo” (CDM - Clean Development Mechanisms). Gananciosos banqueiros investiram milhares de milhões de dólares purificando gases tóxicos, aperfeiçoando a eficácia dos combustíveis e estimulando a energia eólica nos países emergentes e subdesenvolvidos. Considerado numa perspectiva global continua a ser muito diminuta e incentiva os países pobres a esquivarem-se à aplicação fácil de regras em favor da melhoria das alterações climáticas.
Os acordos para além de serem urgentes e necessários, são praticáveis. As economias dos países desenvolvidos devem aumentar consideravelmente o fluxo dos investimentos em indústrias limpas e os países emergentes de maior dinamismo devem comprometer-se a reduzir de forma real as emissões de monóxido e dióxido de carbono e o Ocidente beneficiaria com o menor custo de emissões poluentes praticadas por países terceiros. Seguindo essa trilha, a UE admite o aproveitamento do MDL a nível internacional, obrigando as empresas a reduzir as suas emissões ou permutar com terceiros na forma de bónus ou créditos. E quanto ao trifloro de nitrogénio?
Está a ser usado massivamente em ecrãs de cristal líquido e agrava o efeito de estufa. Não se encontra previsto no Protocolo de Quioto, porque à data não era usado. Sarcasticamente, este gás foi escolhido para reduzir emissões de dióxido de carbono. As recentes investigações realizadas demonstram que a sua contribuição para o efeito de estufa é cerca de quinze mil vezes mais forte que outras concentrações moleculares comparáveis como o dióxido/monóxido de carbono. Os prejuízos são latentes, mas não houve acumulação de TN bastante na atmosfera, existindo tempo e possibilidade de inverter a situação pelo recurso à mudança da tecnologia usada no fabrico dos PCL, da qual, um dos maiores fabricantes é a Coreia do Sul. A média de vida deste poluente é de cerca de 600 anos. Prevê-se que este ano sejam produzidos 5000 toneladas deste poluente e em 2009, o dobro. Os Estados Unidos, têm vários produtores sendo o maior a “Air Products and Chemicals, Inc.” Que tem subsidiárias na China, Hong Kong e Portugal. A procura do poluente obrigou a empresa americana a instalar duas fábricas adicionais nos Estados Unidos e outra na Coreia do Sul servindo a Samsung. A China também o fabrica.
A bem do Protocolo de Quioto e das negociações do Quioto 2, a UE, os Estados Unidos e a China estão de acordo quanto ao aumento da produção desse elemento com todas as suas consequências nefastas. Se os Estados Unidos não derem o passo decisivo de aderirem ao protocolo, de pouco servirá a existência de um instrumento internacional nesta matéria.
Tão grave é não ratificar, como ratificar e não cumprir. A mudança da política ambiental americana é essencial à vida do planeta. É na incerteza que se negoceia, apesar do evidente aumento dos fenómenos climáticos anómalos em todas as regiões do planeta, que os Estados Unidos alicerçam a sua decisão de não ratificar o Protocolo de Quioto e apostar em soluções tecnológicas, como não efusão de carbono para a atmosfera e a sua injecção no subsolo, residindo um outro grande erro da América.
















