“We are committed to avoiding the most serious consequences of climate change and determined to achieve the stabilization of atmospheric concentrations of global greenhouse gases consistent with the ultimate objective of Article 2 of the United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC).”
Hokkaido Toyako Summit
O mundo sofreu setenta e oito calamidades naturais em 1970 que atingiriam oitenta milhões de pessoas e causou danos avaliados em mais de onze mil milhões de dólares. Passados trinta e cinco anos o número de catástrofes naturais são assustadoras com quatrocentos e quarenta e cinco desastres naturais, duzentos e dez milhões de vítimas e um prejuízo superior a cento e cinquenta mil milhões de dólares.
Aspecto curioso é que o aumento prodigioso de catástrofes não tem em conta que muitas delas por serem de pequena magnitude não foram registadas. Tendo em conta tal redução, a quantidade de inundações, furacões, tufões, avalanches e outros desastres naturais foi subindo exponencialmente nos últimos trinta anos. Pior ainda, é que essas catástrofes estão a produzir cada vez mais vítimas e prejuízos, obrigando a maiores despesas em obras de reconstrução. O planeta não só está sobrepovoado, mas também mais pessoas vivem nos densos conglomerados urbanos e nos “bidonvilles”.
O número de pessoas desalojadas devido às calamidades naturais excede o número de exilados de guerra segundo um recente relatório da Cruz Vermelha Internacional. Esse número tenderá a aumentar enquanto os orçamentos das organizações multilaterais que têm por missão auxiliar, atender e realojar as vítimas não acompanhar o aumento das catástrofes e das vítimas. O Banco Mundial, uma das principais fontes de meios financeiros e assistência técnica, disponibiliza actualmente menos fundos que há dez anos.
O orçamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, liderado pelo ex-primeiro-ministro Engenheiro António Guterres aumentou o seu orçamento apenas 65%, em quinze anos. Parece magnânimo, mas é exíguo, considerando que, nos próximos dois anos, cerca de cinquenta e cinco milhões de pessoas serão desalojadas devido a causas ambientais. O orçamento global da Nações Unidas não aumentou 25% durante os últimos quinze anos, pelo que não é estranhar que a sede da organização apresente deterioração em edifícios e deficiências em diversos aspectos relativos à segurança, bem como7 a 9 realizou-se a Cimeira do G-8 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido Canadá, Itália e Rússia) com uma agenda rica e conclusões pobres.
Este tipo de Cimeiras como outras que se realizam, dificilmente se encaixa na actual estrutura de poder a nível mundial. Sendo concebida primeiro para a década de 1970 e depois para a de 1990, as suas deliberações actualmente perderam muito da sua relevância e podem ser interpretados com simples sinais de algumas das principais economias. Trata-se de uma realidade inadequada à era que vivemos e por tal incapaz de fazer face ou avaliar novos problemas surgidos nos mercados de risco e na economia global.
Numa perspectiva assaz diferente, o presidente francês prefere que o actual G-8 passe a G-14, acrescentando a China, Índia, Brasil, México, África do Sul e Coreia do Sul, sem mecanismo rígidos e cimeiras onde não existiriam técnicos bem remunerados.
A continuar a existir não tem sentido ficar de fora a China com mil e trezentos milhões de habitantes e a índia com mil milhões de habitantes somado o peso das suas economias. Mas como este tipo de cimeiras serve para passear o gosto de cada um, o cambaleante primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, prefere um G-13 excluindo a Coreia do Sul, talvez por ser um país supersticioso.
Outros preferem um G-16 com a Austrália de pouca população e enfeudada aos Estados Unidos, a Indonésia caracterizada pelo seu estado de caos e corrupção e a Arábia Saudita de monocultura petrolífera cujas reservas se esgotam e os restantes preferem um G-20 que seria o G-16 somado da União Europeia, Ucrânia, Turquia e Argentina. No actual G-8, a União Europeia tem quatro Estados-membros representados, pelo que não teria sentido. Se com todas estas preferências ninguém se entende, o G-8 vem incentivar a confusão ao convidar observadores de catorze países, entre eles, países africanos de muito parco desenvolvimento. Assim, se pode explicar a quase total ausência de propostas ou decisões concretas nos longos comunicados finais de cada reunião, sendo cimeira ou não cimeira. problemas de poluição. Existem variadas explicações para tais desequilíbrios, sendo a mais relevante, a natureza dos bens e serviços públicos a nível mundial. Esta categoria define o tipo de grupos de pessoas que devem beneficiar de ajuda, sem impedir que outras participem, um conceito quase oposto ao do sector privado.
Os esforços para que a gripe aviária não se converta em pandemia são um exemplo típico. Num outro plano, os desequilíbrios económicos e financeiros a nível global estão irremediavelmente associados aos fantásticos deficits fiscais e comerciais dos Estados Unidos, à política cambial da China, ao lento crescimento da União Europeia e aos obstinados subsídios agrícolas atribuídos por americanos, europeus e japoneses.
Como se não bastassem todos estes factores, os países desenvolvidos e em desenvolvimento em perfeito desentendimento, são culpados pelos primeiros da actual carestia alimentar. As exportações de alimentos foram reduzidas em trinta Estados com o fundamento de que os seus habitantes não têm comida suficiente a preços razoáveis como defende a oblíqua Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) a favor dos importadores. O Vietname, maior exportador do mundo de arroz, seguido da China, Índia e mais onze Estados limitaram ou proibiram a sua venda ao exterior, e outros quinze Estados, como o Paquistão, decidiram seguir as mesmas pisadas em relação ao trigo. Por fim, doze Estados reduziram as exportações de milho e o Cazaquistão de girassol. Num apelo compassivo, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), gerida por monetaristas franceses defende que tais medidas dificultam os países importadores, em particular os mais pobres, a adquirir alimentos básicos a preços acessíveis. Sem dúvida, que essas limitações estimulam a especulação e posteriores aumentos, como bem reconhece o Presidente da Organização Mundial de Comércio (OMC) e ex-comissário europeu do comércio da União Europeia, no executivo de Romano Prodi, o francês, Pascal Lamy, desde há muito um campeão da defesa dos enormes subsídios agrícolas que mantêm as três maiores economias do mundo, a União Europeia, Estados Unidos e Japão, pese o encarecimento geral dos preços dos alimentos. Após o colapso da Ronda de Doha, a OMC vive uma virtual hibernação caracterizada pela nula apresentação de propostas.
Mas a OCDE padece da mesma doença e não se pronuncia acerca dos famosos subsídios que distorcem o comércio a nível global praticados pelos prósperos países desenvolvidos que os atribuem aos seus ineficientes produtores para competirem com exportadores de países pobres ou em desenvolvimento. Os verdadeiros problemas vêm desde a década de 1980 e têm-se arrastado até ao presente, em que os valores dos bens industriais e serviços, ajustados pela inflação, triplicaram. Pelo contrário, os preços dos alimentos subiram cerca de 70% por razões simples, como a opaca textura de tarifas e subsídios ao comércio agrícola, maquinada pela Comissão Europeia, pelo governo americano e japonês em favor dos seus produtores e graças à sua enorme influência política.
Enquanto as três principais economias continuarem com a descarada política de subsídios com o beneplácito de um presidente da OMC que nunca deveria ter sido nomeado, não é possível existir comércio justo a nível global. Entretanto, os Estados Unidos são castigados por inundações, a Ásia por sismos, ciclones e inundações e a Austrália por secas. Assim, se pode explicar a quase total ausência de propostas ou decisões concretas nos longos comunicados finais de cada reunião, sendo cimeira ou não cimeira.
















