“There are enormous obstacles facing us in the decades ahead, and whether we surmount them is up to us. For Americans, opening our borders to the world's skilled workforce and education reform must be high on the policy agenda”
Alan Greenspan
The Age of Turbulence
O continente asiático enfrenta uma enorme batalha pela educação e talento tornando-se num dos focos principais da maioria dos países desta vasta região. Os dirigentes das empresas e os governantes entenderam que nesta nova era económica de desregrada globalização e correlação de mercados, mesclada de ciclos cada vez mais curtos de crises financeiras de repercussões mundiais, onde a mobilidade do capital e a volatibilidade cambial, se tornaram uma constante quase diária, o núcleo do debate privado e público a nível mundial deixou de ser a estratégia empresarial ou governamental, mas o modo como aplicá-la na prática. A psicologia dos comportamentos sociais de mercado e da reacção das comunidades à aplicação das políticas governamentais, tem vindo a aprofundar a diferenciação de atitude dos diferentes sectores envolvidos, no sentido de entender as variadas preferências e a sua causa. A revista “Fortune” tem como um dos seus objectivos identificar e estudar o comportamento das empresas mais consideradas do mundo. Nela têm sido formuladas opiniões relevantes, dignas de consideração e análise atenta por revelarem um conhecimento profundo do comércio global, dando uma panorâmica das empresas que se encontram mais bem preparadas para resistir, prosperar, concorrer e globalizarem num mundo pautado por crescentes incertezas económico-financeiras. O continente asiático passou num curto espaço de tempo do subdesenvolvimento para o âmago da actividade comercial mundial. A grande interrogação, é de como foi possível dar-se tal milagre e o que existe em grande parte das economias asiáticas que faltam nas outras? Não existiu milagre, mas sim uma estratégia que qualquer país pode implementar, ainda que, os resultados só sejam visíveis a médio e longo prazo. É algo que se sabe desde sempre, e ao qual os governantes e os países têm descurado. A maior parte dos países da Ásia está a investir enormes recursos na educação, na indústria, no desenvolvimento e inovação. Os países sempre perderam as grandes batalhas na área da educação e do conhecimento. Acrescentar a essa estratégia, existe uma virtude em grande proporção nos diversos povos dos países asiáticos que é a disciplina. Têm metas e cumprem-nas à risca. São no geral povos muito trabalhadores e muito concentrados nas actividades que desenvolvem. A educação tem vindo a ganhar no continente asiático um papel dominante. Os governos têm tido a preocupação de se envolverem decididamente no processo educativo e de desenvolvimento. Existem elementos comuns em muitos países asiáticos. Por exemplo, a Coreia do Sul, Japão e Singapura não são o paraíso de civilidade desta última, mas têm em comum, determinar objectivos e caminharem directamente nessa direcção, cumprindo-os. Tal característica, tem vindo a notar-se em cada vez mais países asiáticos e a centralização nos objectivos a atingir virá a ser uma particularidade da Ásia. A disputa pelo talento como tema global, tem vindo a ter mais acuidade nos países asiáticos, preocupados de forma crescente com a sua carência. Singapura por exemplo, conseguiu negociar e instalar no seu território o maior número de universidades possível, particularmente americanas. Podem as empresas e os governos terem muitos negócios com estratégias magníficas e políticas excelentes, mas existe uma grande distância entre o planeamento delineado e a prática ou execução. Nessa diferença reside o problema. A solução não mora na estratégia, mas na forma como se realiza ou se executa. Para se praticar ou cumprir estratégias comerciais ou políticas governamentais têm de existir pessoas com particulares aptidões e capacidades, o que só é possível através da educação e formação de alta qualidade que acarretam anos de concretização e envolvem enormes custos. Um número cada vez maior de empresas asiáticas está a globalizar-se, entre elas, existem empresas familiares que passaram a ser cotadas na bolsa ou a desenvolver a sua actividade à escala global, o que têm constituído preocupação para a transição e transformação. O processo de desenvolvimento dos países asiáticos no geral tem ocorrido de forma mais acelerada, porque os governos têm vindo a preocupar-se com a preparação dos cidadãos, conhecendo o motor da diferenciação, a forma como desenvolvem as suas actividades e a disciplina de implementação da estratégia. Povos disciplinados desenvolvem actividades de forma mais rápida, mas que tem um preço, traduzido no adiamento da inovação. Em muitas empresas e governos de países asiáticos não é possível implementar estratégias ou políticas de forma excelente por estarem subordinadas ao princípio da disciplina. A economia mundial parece entrar numa nova fase, se conseguirmos identificar uma desaceleração ou uma recessão na economia americana. Pensamos que ainda é prematuro enquadrar o momento que o mercado global atravessa como consequência em grande parte da recessão da economia americana. Para quem teve a oportunidade de ler o livro escrito por Alan Greenspan, “The Age of Turbulence – Adventures in a New World” que têm contribuído para a criação e manutenção de ondas de choque psicológicos nos investidores e por consequência nas bolsas mundiais ao prever a recessão da economia americana. Livro profundamente recomendado para o entendimento de anteriores e presentes acontecimentos em termos económico-financeiros e quiçá como forma de prevenir os futuros que virão a curto prazo. A nosso ver sofre de um pessimismo e de um tecnicismo voluntarista ou determinismo pouco compatível com os movimentos psicológicos, que a maior parte das vezes determinam os comportamentos dos mercados financeiros, mais que os das economias físicas. Todavia, é um trabalho notório de elucidação, com grande mérito, mais de quem escreve. É um acto cultura e de educação o respeito pelas opiniões dos demais, mesmo que se discorde do proposto. As opiniões revelam a visão subjectiva de quem escreve certo ou errado. Todavia, há quem se perca no horizonte da sua própria subjectividade e das respectivas interpretações.
















