Deng Xiaoping
A saudação habitual entre os chineses durante séculos foi “como estás”? Mas essa forma de cumprimento ou saudação, alterou-se ao longo dos anos, essencialmente nas urbes, por outras formas de cumprimento que espelham a evolução da comunidade que as emprega. Na década de 1970, as necessidades básicas dos chineses não eram objecto de protecção e quando dois amigos se cruzavam trocavam entre si o galhardete do que cada um tinha “comido”. Vivia-se a era de Mao Tsé-Tung, que faleceu a 9 de Setembro de 1976 e cujos marcos políticos foram o planeamento estatal da economia e o controlo da sociedade. Na década de 1980, quando se inicia a abertura económica programada por Deng Xiaoping, com as denominadas quatro reformas traduzidas na descolectivização progressiva do campo e por consequência da agricultura, na passagem de uma economia planificada para uma economia mercantil de tipo experimental sem sair da estrutura comunista do regime, na criação de zonas determinadas tendo em vista a captação de investimento privado e estrangeiro na forma de capital e tecnologia e instalação de empresas multinacionais, destinadas essencialmente à exportação. Foram criadas as denominadas Zonas Económicas Especiais (ZEE's), usualmente províncias situadas no litoral com legislação específica no sentido de favorecer o formação de determinadas estruturas capitalistas e a recepção de capitais e empresas estrangeiras e que seria a pedra angular da economia socialista de mercado visionada pelo timoneiro chinês. Nessa década, grande parte dos chineses era possuidor dos quatro equipamentos essenciais de pequena dimensão e preço como a bicicleta, relógio, rádio e máquina de costura e ambicionavam os quatro equipamentos de maior dimensão e preço como o frigorífico, televisão, máquina de lavar a roupa e a aparelhagem de som. Nessa década, a saudação versava sobre ter visto determinado programa televisivo. Na década de 1990, o grande salto económico em frente veio com um “slogan” traduzido na saudação do estar rico ou ter mudado de casa que era idêntico. Na década que transcorre o cumprimento generalizado é sobre a última viagem realizada ou a realizar. O realmente chique na China dos nossos dias é as pessoas viajarem. Após anos sem conta de pobreza e de parca liberdade de circulação, milhões de chineses desvendaram o turismo interior e as viagens ao estrangeiro. Vão sendo cada vez em maior número os que viajam em três determinadas datas fixas, como as festas do Ano Novo Lunar ou Festival da Primavera, o dia do Trabalhador e o dia da Implantação da República Popular da China. A partir de 1958 e até há bem pouco tempo, existia um método de controlo criado por Mao Tsé-Tung durante o infeliz “Grande Salto em Frente" para barrar a emigração no interior e apelidado de “registo familiar” que identificava a pessoa como pertencente a determinada família de um local definido. Sem autorização especial, a pessoa não podia sair do seu local de origem. Teve a virtude de prevenir e evitar a criação de grupos marginais nos grandes conglomerados urbanos e o desmérito da violação de um dos mais elementares direitos do homem, o da liberdade de circulação. Sendo uma das grandes barreiras à adesão à Organização Mundial de Comércio, a 11 de Dezembro de 2001, o governo foi obrigado a abolir este tipo de “apartheid”. A inexistência de autorização especial permitiu aos chineses deslocaram-se por todo o país. Conquistaram essa liberdade na pobreza. Os desempregados agrícolas que se estimavam em cerca de centena e meia de milhão, emigraram para as cidades na busca de emprego. Muitos arranjaram no crescente sector da construção civil e os restantes foram avolumar os pardieiros urbanos. O fluxo de viajantes, que de imediato nos apercebemos ao entrar num comboio ou autocarro é constituído, não só por emigrantes, em que a maioria é turistas de toda a espécie, desde pobres a ricos. É difícil imaginar um bilião e trezentos milhões a quinhentos milhões de pessoas a deslocarem-se num país e que segundo as previsões da UNICEF, quarenta milhões vivem no limiar da pobreza avolumados pelos trágicos sismos, que desde 12 de Maio se têm registado na Província de Sichuan. A China como país de economia emergente, fez emergir uma classe média com poder de compra que se estima em cerca de cento e setenta milhões de pessoas que viajam ao estrangeiro em média 2,5 vezes ao ano. Existem cerca de duzentos e oitenta mil milionários que viajam uma média de sete vezes por ano ao estrangeiro e cerca de quinze são possuidores de uma fortuna declarada superior a trezentos milhões de dólares americanos. O turismo é um sector igualmente emergente na crescente economia chinesa, considerada a 4 de Julho de 2006, pelo Banco Mundial como quarta economia mundial a seguir aos Estados Unidos, Japão e Alemanha e continua a crescer em termos de PIB, desde há trinta anos a um ritmo de 10% e superior ao ano. Prevê-se este ano que trinta e cinco milhões de chineses viajarão ao exterior. Nos próximos anos doze anos antevê-se que sejam cerca de cento e vinte milhões de chineses a viajarem ao estrangeiro, transformando-se a China no primeiro país do mundo de exportação de turistas. Todavia, o turismo interno continua a dominar, nesta fase de grande desenvolvimento e investimento, em que a proporção de turismo na China é de 1,5 estrangeiros para cada dez chineses. Quem viaje a Pequim e visite a Cidade Proibida e a Grande Muralha dá-se conta dessa percentagem que fatalmente mudará no mês de Julho e Agosto. Há trinta anos os únicos chineses existentes no primeiro dos locais eram os trabalhadores do museu apelidados de formigas azuis dada a cor do uniforme e a sua lida contínua. Actualmente são bandos de turistas chineses bem vestidos que gozam o seu imenso património cultural.
















