“BP announced a $900m gas-exploration deal with Libya's national oil company, another sign of warming relations with the country over the past couple of years.”
The Economist

Um dos conselheiros políticos e amigo do Presidente George Bush, o director de comunicação da Casa Branca, Dan Bartlett, deixará de exercer as suas funções no início do próximo mês.
Saída que tem outras componentes além da decisão pessoal, motivada por questões económicas, dado no sector privado serem maiores os salários, mas que tem a ver essencialmente com a perda de poder presidencial, pese o facto de o assessor ter torcido o braço aos legisladores democratas, apelando ao patriotismo no sentido de obter financiamento, sem prazo de evacuação do Iraque.
Não é normal que os colaboradores mais próximos do presidente abandonem o barco, quando existe mais de um ano e meio para navegar.
Chegou à Casa Brasa pela mão de outro natural do Texas, Karl Rove, o cérebro de marketing das campanhas políticas do presidente e o mais fanático, superando o Vice-presidente Richard Cheney.
Não são a juventude que determinam esta baixa mas os sinais de deterioração política que se multiplicam, especialmente no plano externo e nomeadamente no Iraque.
O mês passado foi o pior mês em termos de baixas militares, com cerca de 140, desde Novembro de 2004.
Este mês a contabilidade em 50 meses de invasão é de 3480 mortos e cerca de 25500 feridos dos quais 11000 são graves.
As baixas civis vão a caminho das 80000 ainda que a informação oficial seja menor.
O presidente, vice-presidente e o coordenador político devem ser os últimos moicanos que consideram que a guerra não está perdida.
As últimas sondagens revelam que 75% dos americanos considera que a situação iraquiana não terá uma solução positiva e no Reino Unido eleva-se a 84%, ainda que ambos os países ocultem os números reais de baixas.
A esta altura do campeonato, cremos que nem o Presidente Bush acredita numa vitória, mesmo depois de impor-se a um congresso hesitante que poderia mudar de posição ao reabrir as sessões em Setembro, altura em que o comandante das forças dos Estados Unidos no Iraque apresentará uma avaliação, depois de ter incorporado 30000 militares como reforço.
A cidade de Mosul no Nordeste do país com autonomia curda, a capital Bagdade, no Centro Ocidental, bem como a cidade de Bassorá no Sul são áreas onde a maioria xiita e as tropas invasoras tem feito uma propaganda desvairada para a eliminação da minoria sunita atribuindo-lhe erroneamente a culpa por toda a violência e mais de 100 mesquitas ligadas à sua religião foram incendiadas, sendo uma das formas de justificação da permanência quer dos Estados Unidos, quer do Reino Unido no Iraque, que segundo as últimas declarações dos primeiros se prevê por mais dez anos.
Nesta predominância xiita no Iraque, a Jordânia, Bahrein, Kuwait, Qatar, Oman, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são sunitas.
Com o péssimo desempenho dos Estados Unidos neste semestre, os legisladores irão decidir se concedem os fundos adicionais para o Orçamento de 2007-2008, cuja execução começa em Outubro.
O mês de Setembro é também o início da campanha relativa às eleições gerais de Novembro. Mais que uma vitória, o Presidente Bush pretende salvar a face.
Há dias afirmou que estava a reformular a estratégia em função da proposta formulada o ano passado pelo grupo de estudo bipartidário, trabalhando no mesmo plano que foi recusado há seis meses, ou seja, avalia-se uma retirada paulatina e a menos tempestuosa possível, próxima das ideias da Síria, Irão, Turquia e Arábia Saudita, dado que nenhum dos vizinhos do Iraque deseja apressar a retirada dos americanos.
Uma evacuação desordenada equivaleria ao caos, como defendem a França, Itália, Alemanha e Rússia.
A reformulação em gestação conduz a uma saída pouco grata para o Irão e Turquia, sendo o fim do estado inventado pela Grã-Bretanha em 1923 e o regresso das três antigas províncias otomanas.
Para além da questão política e geoestratégica, existe a questão petrolífera e foi essa que acabou por decidir a sorte da invasão do Iraque, perante a passividade de um Conselho de Segurança e de uma ONU desprestigiada, falida de autoridade, caduca no seu modelo operativo que não corresponde ao do nosso século e do aceleramento da história destes últimos sessenta anos, do seu deficit democrático e de um ex-secretário-geral encostado à parede pelos americanos e caído no comodismo que o tornou amorfo e que o sul-coreano terá de seguir nessa linha.
Um dos motivos reais senão o mais importante para ocupar o Iraque era controlar por conta de algumas empresas anglo-saxónicas os jazigos do ex-terceiro exportador mundial de hidrocarbonetos.
Os hidrocarbonetos que ultrapassam novamente os 72 dólares por barril e a maioria das empresas cuja actividade é a prospecção e exploração do petróleo, disputam os recursos disponíveis, um pouco por todo o mundo fomentando a guerra onde seja necessário, independente de ser Iraque ou África.
Neste continente talvez os países detentores de tais recursos não estejam conscientes dos seus riscos reais.
Em vários países do continente, poderão enfrentar situações insustentáveis.
No ano transacto foram concedidas 110 licenças para a exploração de gás e crudes em África, na bacia mediterrânica de África ou do Saara.
Esse número de licenças será ultrapassado por certo este ano.
Os milhares de milhões de dólares que afluem ao continente reflectem, em parte, um apogeu de actividade originado em preços que sem chegar ao máximo nominal histórico de 2006, de 78,50 dólares por barril não baixam de sessenta a setenta dólares.
Para as empresas ocidentais e orientais, a atracção é inegável pois, com frequência, são melhores recebidas, que no Médio Oriente, Rússia e outros lugares, onde existem tendências nacionalistas quanto aos recursos naturais não renováveis e tabus, quando não são praticados pelos Estados Unidos.
Quem possui as maiores reservas, em outros lugares que não a África, foram ou são hostis às empresas petrolíferas ocidentais.
Explicável na Rússia, mas inclui as repúblicas turcas da Ásia Central e os aliados dos americanos, tal como a Arábia Saudita ou os seus satélites na península, que são o Kuwait, Qatar, Bahrein, Omã e Emiratos Árabes Unidos.
A estratégia da Rússia e da China contém projectos imperiais que atingem a América do Sul e a África.
A Rússia é a maior potência petrolífera do mundo.
A China é um dos maiores importadores e tem fundos superiores a um bilião de dólares em reservas, planeando investir 1/5 no exterior e na área dos hidrocarbonetos.
A Índia dispõe de liquidez para investir nos crudes.
Estes três países são encarados com muito menores apreensões e como fontes de capital e tecnologia petrolífera, quer por africanos, quer por sul-americanos.
O continente africano é tentador para as companhias internacionais.
A recente vaga de desempregos e violência na Nigéria, fez aumentar o valor do barril que actualmente é transaccionado e determina que os riscos geopolíticos permanecem.
A deterioração de segurança que apresenta a Nigéria ou, potencialmente, o Sudão, não pode ser compensada com a expansão a terrenos pouco conhecidos como a Etiópia, onde em Abril os eritreus mataram uma dezena de técnicos chineses, ao Níger ou a Moçambique. Não só por instabilidade, mas também por dificuldades económicas e operativas.
















