“For the upside risk, clearly the biggest shock to U.S. inflation over the last two years has come from oil prices, though the risk now appears linked more generally to commodity prices overall. Though nominal oil prices are obviously dancing around record highs, the run-up in inflation-adjusted terms still falls short of the $93 "real" peak in 1980 that we calculate using Consumer Price Index (CPI) data. In addition, oil prices are now roughly half as important for the economy and U.S. inflation as they were in 1980. Nevertheless, the upside shock to domestic inflation from soaring oil prices has been substantial.”
Michael Englund
Na sequência do nosso escrito com o tema “Por uma Política de Energia Comum” da União Europeia (UE), de 27 de Abril, voltamos à história acerca das circunstâncias da subida e instabilidade dos mercados bolsistas do crude, fazendo uma trospectiva. Assim, a 17 de Abril o petróleo passou a barreira dos 70 dólares por barril em todos os mercados e não havia razões para pensar que esse preço fosse extraordinário no futuro imediato. Não era previsível que baixasse, e inclusive era possível que seguisse a sua escalada. Ao que parece, a instabilidade originada pelo desafio nuclear iraniano, com o Irão um dos grandes exportadores mundiais, foi o factor que mais impeliu o preço, embora haja que somar como factor determinante o aumento constante da procura, fundamentalmente dos novos países asiáticos em desenvolvimento. Com o actual nível de preços é previsível que entrem em exploração novos campos de produção e que apareçam outros jazigos, como os do Mar Cáspio que estarão operacionais antes de 2008, levando ainda algum tempo, pelo que não é de esperar imediatos aumentos da oferta como meio de moderação dos preços. O crescimento económico mundial começa a povoar-se de incertezas depois deste novo ímpeto ascendente. Para Portugal e outros países de economias mais frágeis ou que possuem desequilíbrios estruturais e conjunturais de desenvolvimento regional, mais dependentes em matéria energética especialmente de petróleo, este acontecimento é francamente negativo, pois está em risco a actual fase de recuperação e crescimento sustentado no que a Portugal concerne. Apesar disso, pouco se fez para mitigar a dependência do crude. A produção eléctrica com energias alternativas protagonizaram debates importantes em toda a Europa mas como afirmámos em anterior escrito é insuficiente para conseguir maiores parcelas de independência. Os governos que cancelaram a alternativa nuclear nos anos de 1980, a começar pela nossa vizinha Espanha, quando por coincidência foi da responsabilidade de um governo do PSOE em 1983, com a última Central Nuclear de Trilho, que só recebeu a autorização para a sua entrada em funcionamento em 1987. O cancelamento dessa alternativa em vários países veio concluir que nos países onde existe, é que sem a contribuição nuclear não teria sido possível sustentar o crescimento económico e o bem-estar actuais dos mesmos. Parece claro, que confirmada essa extrema dependência, os governos dos países ocidentais não podem sentar-se e esperar para ver como sobe o crude ou que por arte de magia cheguem, na quantidade suficiente, energias alternativas.
A escalada dos preços do petróleo ameaçam as expectativas de correcção das taxas de inflação que começaram a disparar, e ainda que se produza uma pequena correcção nos meses seguintes, a inflação ir-se-á situar nos Estados da “Zona Euro” acima do previsto numa taxa preocupante que prejudica a competitividade da economia de alguns países europeus, com particular incidência na de Portugal. Se os preços do petróleo continuarem efectivamente a sua escalada, ainda que apresentando momentos de descida, como tudo indica, as expectativas de recuperação e desenvolvimento sustentado serão praticamente impossíveis de cumprir. Apesar da realidade espera-se que os elevados preços do petróleo venham a afectar negativamente o cumprimento das previsões orçamentais, tanto de crescimento económico como de execução das contas públicas. Recordemos, que o Orçamento para 2006 se elaborou com um preço do petróleo de 66,5 dólares, em média anual.
As companhias aéreas prevêem superar em 40% as perdas previstas para 2006, que se tinha calculado em cerca de 4000 milhões de dólares pelo aumento do preço do petróleo, segundo o relatório da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). A IATA previa, no relatório de Janeiro, que as companhias aéreas perderiam cerca de 10000 milhões de dólares em 2005 e 2006, pelo sobrecusto do preço do combustível, calculado numa média do barril de tipo Brent entre 55 e 60 dólares. Tendo em conta que o preço do combustível tem disparando e que o Brent superou no dia 17 de Abril os 71 dólares por barril, o sobrecusto para as companhias aéreas será maior.
O citado relatório destacava que por cada dólar que sobe o preço do petróleo se acrescentam mil milhões de dólares aos custos da indústria aérea, e a repercussão é menor que este número por ter sido reservada uma parte do combustível às linhas aéreas, mas o impacto do corrente ano vai superar todas as previsões. A estimativa do combustível passou de 45000 milhões de dólares em 2003, com um preço médio do barril Brent de cerca de 28,7 dólares, a 64000 milhões em 2004, a 37.5 dólares o barril, e aumentou até os 98000 milhões em 2005, com um barril entre 57 e 60 dólares. Estes últimos números pressupõem mais 26% de custo adicional na conta de resultados das companhias. Este sector acumulou perdas de 45000 milhões de dólares nos últimos cinco anos.
A boa saúde da economia mundial, ameaçada pelos riscos dos preços do petróleo, constituiu o núcleo das discussões do G-7, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), que se reuniram na capital dos Estados Unidos a 21 de Abril. A reunião dos Ministros de Finanças dos países do G-7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), e as do FMI e do BM, dia 22 e 23 do mês passado (matéria que veremos oportunamente). O FMI multiplicou as advertências sobre as consequências negativas da alta do preço do petróleo, que como se afirmou passou os 71 dólares por barril, ameaçando o frágil equilíbrio das finanças mundiais. O G-7 debateu este tema quando as tensões com Irão pelo programa nuclear do governo islâmico não permitiam pensar numa próxima baixa do preço do ouro negro
O Director-Geral do FMI, pretende dar uma maior representação aos países emergentes, o que exige uma reforma do complexo sistema de quotas vigente. Os preços do petróleo continuaram após a data referenciada a sua ascensão impulsionados pela crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irão sobre o programa nuclear, bem como pelos ataques da guerrilha na Nigéria. Em Londres, onde a actividade foi escassa depois da Páscoa, o barril de Brent para entrega em Junho chegou a cotar-se a 71,62 dólares, e fechou a 71,46, superando todos os máximos históricos. Em Nova Iorque o preço do petróleo do Texas fechou 70,40 dólares, mas manteve-se abaixo do seu recorde de 70,85 dólares do mês de Agosto de 2005. Os preços mencionados foram impulsionados em grande parte por razões geopolíticas, mais que pelo próprio jogo da oferta e a da procura, ainda que no fundo ninguém esqueça o forte dinamismo das economias chinesa e indiana que pressionarão cada vez mais o mercado. O facto de que Irão, quarto produtor mundial de crude, não apresente nenhuma vontade de voltar atrás na questão nuclear é a principal causa da tensão do mercado. Neste meio, o atentado suicida perpetrado nessa data em Tel Aviv, reivindicado pela Jihad Islâmica, que provocou nove mortos, além do suicida, não contribuiu para reduzir as tensões na região. Além disso, existem muitos outros lugares no mundo em que os conflitos podem ampliar-se e provocar perturbações de abastecimento. A Nigéria, como maior exportador de petróleo de África e o décimo segundo do mundo, os ataques contra instalações petrolíferas provocaram o bloqueio de mais de meio milhão de barris por dia. A estas duas causas de preocupação somou-se uma terceira que é a ameaça do governo do Chade de interromper o fornecimento de petróleo se não se libertarem os fundos que lhe concedeu o Banco Mundial para construir um oleoduto.
Todas estas causas em conjunto, no mercado americano criaram receios de que a forçada substituição de um aditivo por etanol em alguns tipos de gasolina a partir deste mês provoque desajustes no abastecimento deste combustível. Estas incertezas produzem-se a menos de dois meses do inicio nos Estados Unidos do período de maior consumo de gasolina no ano, o que aumenta a preocupação do mercado. A subida do preço do crude está a afectar o bolso dos consumidores. Quer as gasolineiras quer as petroleiras advertiram que os preços das gasolinas e dos óleos diesel continuarão a subir, porque ainda não repercutiram na sua totalidade no aumento das matérias-primas e outros custos internacionais.
O aumento do preço do petróleo cria um risco para as boas perspectivas de crescimento mundial, e pode implicar um endurecimento da política monetária na Europa e Estados Unidos para travar as tensões inflacionistas que pressupõe a escalada do crude. Os preços do petróleo só poderiam conter-se na consideração racional de que as reservas de crude são indispensáveis. A carta enviada pelo Presidente do Irão ao Presidente George Bush no dia 8, afirmando que há outros meios para resolver o impasse sobre o seu programa nuclear fez cair o barril de petróleo cru para entrega em Junho em 0, 24% situando-se em 69,77 dólares depois de em Abril ter ultrapassado os 75 dólares por barril.
















