“What is at stake in Peru is whether the democracy we have, with all its imperfections, is going to survive or is going to disappear once again and be replaced by a military and nationalist dictator, which is what would happen if Mr. Humala wins".
Mario Vargas Llosa
Quase sempre os analistas de economia internacional limitam-se a escrever sobre as economias dos países desenvolvidos e das suas implicações na economia global. Esquecemo-nos a maior parte das vezes que o mundo está repartido por cinco continentes e estes divididos em fatias de países que fazem parte, ainda que a maioria sejam subdesenvolvidos do sistema económico mundial.
Em geral esquecidos ficam os Continentes Africanos, Sul e Central Americanos.
Veremos, ainda que de forma superficial o que por aí acontece.
Começamos por um país membro com o Brasil, Paraguai e Uruguai, membro do Mercosul que é a Argentina, encontrando-se a Venezuela nas negociações de adesão desde Dezembro de 2005.
O Produto Interno Bruto da Argentina cresceu em 2005 9,1%. O crescimento da economia argentina tem uma componente artificial que é a manutenção do tipo de transformação que requer uma expansão monetária traduzida em inflação.
Segundo os últimos dados, em Março do corrente ano, em termos de taxa anual, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) aumentou 11%.
A Venezuela foi um aparente vencedor tendo crescido em 2005 cerca de 10,35%, mas a taxa de inflação era em Março do corrente ano de 12%. O Brasil, gigante sul-americano, conseguiu tão-só melhorar o seu PIB em cerca de 1,37% em 2005, representando um fraco desenvolvimento se tivermos em conta que é um dos países com maior desigualdade de distribuição dos rendimentos, quando ainda se investiga o caso do ex-ministro da Fazenda António Palocci, típico de um país de alta corrupção.
O México, o imenso país do Norte aumentou o seu PIB em 2005 em 2,87%, e apesar deste crescimento modesto, teve um deficit na conta corrente em 2005 de 5778 milhões de dólares, muito diferente do que é pintado a nível promocional, questão de ver os relatórios do FMI, Banco Mundial e OCDE.
Quanto ao Chile campeão do desenvolvimento e paradigma económico da América do Sul devemos mencionar a sua forte depreciação, ultrapassando em 2005 a sua queda em relação ao dólar em cerca de 4%, não sendo um bom início de mandato presidencial para Michelle Bachelet.
Existem excepções, como a tranquila expansão do Peru, com uma aposta crescente nos mercados do Pacífico, ou o aceitável da Colômbia, com um crescimento de 3,71% em 2005, apesar das complicações derivadas do narcoterrorismo, situação que é impossível de ser resolvida pelas autoridades nacionais mas pela comunidade internacional, nomeadamente pelos Estados Unidos e seus aliados uma vez que após 40 anos os terroristas se recusam a um acordo político, restando a solução militar.
Com a reeleição do Presidente Uribe em 28.05.2006, espera-se uma forte investida na resolução dos problemas mais prementes do país nos próximos quatro anos No meio desta situação é de espantar, a partir de uma visão europeia, como os políticos sul-americanos, são incapazes de criar um sério sistema tributário e liquidar a corrupção, optando por procurar um bode expiatório, que tem, três ou quatro cabeças e que são o neoliberalismo; os Estados Unidos; os investidores estrangeiros e o imperialismo exterior.
Sendo esta ideia demasiado confusa voltaremos no próximo escrito a esta confusa concepção. Depois das eleições colombianas, os olhos direccionaram-se para o Peru cujas eleições do passado dia 4 acabam por dar a vitória ao Presidente Alan Garcia.
Os olhos estavam postos no Peru por várias razões, porque foi um país que soube apostar, com muita inteligência incorporando-se à prosperidade crescente que oferece a área do Pacífico e que outros países não têm sabido aproveitar como a Colômbia.
O aumento do PIB, em taxa anual e em termos reais, é extraordinário de 10,8%, com uma balança comercial que nos doze meses que terminaram em Março passado, oferecia um superávit de 5,31% do PIB; uma taxa de alteração estável no ano que concluiu a 17 de Maio passado; uma inflação do 3,5% anual, pelos dados revelados em Fevereiro e uma taxa de juros de 4,5% para as operações a curto prazo.
Mas estes dados relacionam-se com as dificuldades registadas na população mais pobre? Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano 2005 da Organização das Nações Unidas (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Peru é 0,762, qualificado como de desenvolvimento humano médio.
O IDH tem por base a esperança de vida, taxa de alfabetização de adultos em conjunto com as matrículas nos três graus de ensino, e PIB por habitante, em termos de Paridade de Poder de Compra (PPC).
Estes dados constituíam os indicadores para os peruanos resolverem mal ou bem o seu futuro e decidiram resolver bem apostando na continuidade do progresso nas eleições de dia 4.
A opção presidencial não se jogava entre Ollanta Humala e Alan Garcia, mas entre os partidos de direita e esquerda, da democracia liberal, algo de umbilical à própria independência do Peru, e a um regime que é definido por Michael Shifter com o uma mistura ecléctica de populismo, nacionalismo, militarismo e, socialismo, combinada com um realce bolivariano sobre a unidade da América do Sul.
O Presidente Alan Garcia significa, o desenvolvimento na continuidade, e Ollanta Humala, como Evo Morales, ou o equatoriano Rafael Correa, a alternativa incerta.
Todos sabíamos que esta proposta chavista conduzia ao desastre, e o que continua a salvar Hugo Chavez é que quando chegou ao poder, o crude cotava-se a 12 dólares o barril e hoje a cerca de 70 dólares o barril.
Mas as subidas nunca são ilimitadas e o dado quase como certo do Peru vir por Humala a engrossar as fileiras da Aliança Anti-Imperialista passou do sonho a uma realidade sensata.
Alan Garcia, por outro lado, oferecia a vantagem de ter orientado o Partido Aprista para uma esquerda moderada, semelhante ao que Anthony Gidden assinalou como a sua evolução depois dos descalabros sucessivos do seu marxismo inicial e do seu keynesianismo vulgar posterior.
Daí o querer mostrar uma vontade de melhorar os indicadores de distribuição do rendimento, do desenvolvimento humano, e de erradicar a corrupção, o que iria de imediato melhorar o nível de vida da população e liquidar de vez as tentações chavistas.
Escolher Alan Garcia, foi apostar por melhores condições de vida para os níveis de rendimento mais baixos, e por um desenvolvimento económico mais sólido.
Mas ainda que possa ser uma mistura de marxismo barato, de populismo hereditário peronista, de indigenista rancoroso, e de ignorância, não é uma viragem à esquerda pelo que as consequências não causam arrepios.
Se fosse o escolhido Humala não teríamos a menor dúvida. A bandeira peruana revela que o nacionalismo peruano é ter uma república soberana baseada nos recursos que Deus colocou sob seu solo para benefício dos seus filhos e que neste momento estão fora do seu alcance. O mesmo que acontece com a Colômbia
















