“Possible return to 1970s-style ‘stagflation’” — a miserable blend of a stagnant economy and inflation. With stagflation, prices continue to creep up even as joblessness keeps many of us out of work. “Ask any investment professional what his real absolute fear is, and he'll say a crash in the dollar”.
Terry Connelly
O Sistema da Reserva Federal dos Estados Unidos (SRF) tem uma estratégia anti-inflacionista que parece alheia a aterragens suaves, depois de anos de voos a grande altitude e usadas em linguagem aeronáutica como sendo aquelas em que são seguidos à risca os procedimentos técnicos exigidos com o mínimo de desgaste dos equipamentos e usando a perícia dos pilotos. No sistema financeiro americano os voos altos são exagerados e as aterragens sejam de que carácter revista, pura e simplesmente não existem.
O comité monetário, quando decidiu suspender o ajuste da taxa básica nos 5,25% anual, no dia 8, afirmou que dada a inflação ser elevada, voltaria a excluir a possibilidade, dado o crescimento apontar para uma moderada desaceleração na economia.
Parece que tudo caminha bem no melhor dos mundos. Não obstante, essa aterragem pode ser menos suave.
Cremos que o SRF é demasiado optimista sobre a desaceleração ou muito ingénuo ao crer que será fácil cumprir as suas metas inflacionistas.
Na realidade, só teve uma aterragem suave, em 1994-1995, quando Alan Greenspan pôde travar a economia o tempo suficiente para diminuir a despesa pública e controlar a inflação, sem provocar uma subida do nível do desemprego, e fazer face a duas recessões em 1991-1993 e 2001-2003.
O seu sucessor Benjamin Bernanke enfrenta desafios mais duros. O petróleo acima dos 70 dólares por barril era inimaginável em 1994-1995.
A produtividade, que subia na altura, tende a diminuir actualmente. Entre altos e baixos, o dólar – que se encontrava sólido há 12 anos, continua fraco face às outras divisas suas rivais.
Se o Presidente da FED tem realmente a intenção de controlar a inflação, cerca de dois milhões de pessoas ficarão desempregadas em 2007-2008.
A desaceleração tem que ser mais marcada do que o SRF ou a Wall Street esperam, e não é necessário analisar os equilíbrios entre a inflação e o desemprego nas últimas dezenas de anos.
O SRF deseja manter a taxa da inflação em 2% anuais, numa ficção estatística que exclui do índice de preços ao consumidor a energia, combustíveis e alimentos.
Actualmente situa-se em 2,9% e é de prever a sua subida tendo como causa o petróleo, que não faz parte desse indicador, mas altera substancialmente os outros.
O passado demonstrou que reduzir em 1% a inflação implica aumentar quase 2%, o desemprego anual.
Para manter um tecto inflacionário aceitável o Presidente da FED terá de permitir o despedimento de mais de três milhões de pessoas, mais do que na recessão ocorrida entre 2001-2003.
Não considerando as possíveis turbulências nos preços petrolíferos, aparece no horizonte ainda, a denominada bolha no sector imobiliário.
A Reserva Federal pode vir a ter num cenário que se adivinha como mais próximo da realidade, no clássico risco de estagnação e inflação conhecido por fenómeno de estagflação, no qual a inflação pode sair vencedora.
Mas a inflação não estará só e triste, pois têm raízes mais profundas do que pensava Alan Greenspan ou acredita Bernanke.
A autoridade monetária americana reflecte a possibilidade de vir a erradicá-las, mas será um processo doloroso que ultrapassa a sua imaginação.
Existe como em todos os países, a corrente optimista que acredita que a inflação pode abrandar, porque a economia enfraquecerá mais do que é previsto pelo SRF.
Talvez o desemprego atinga uma taxa igual ou superior a 5,5%, considerando que actualmente se situa em 4,8%, e o ex-presidente Clinton deixou-a em 4,2%, com um milhão de desempregados, antes de a inflação começar a diminuir.
Parece-nos que nas actuais condições deixou de ser previsão, e quase é certo que a economia americana entrará em recessão no início de 2007, como resultado da carestia dos combustíveis e energia, elevadas taxas de juro e um colapso nos bens imóveis.
Ou o SRF não acredita nas suas próprias previsões quanto à inflação, que é no mínimo absurdo, ou a estagnação será mais séria.
Não conseguirão atingir duas metas opostas ao mesmo tempo. Seja qual for a fórmula, prevalece o cepticismo quanto à dita aterragem suave.
Este conceito tem cerca de 12 anos e foi engendrado por Alan Greenspan como método para combater a inflação antes de começar astuciosamente a deitar mão de políticas monetárias para arrefecer a economia, de forma a evitar o seu reaquecimento, o que apenas se deu entre 1994-1995.
Foi um sucesso que fez o SRF intervir para atenuar o impacto da crise sistémica internacional, por via da reforma em 1997-1998, que vivemos por ser um dos 11 membros do Comité Bancário de Hong Kong; do crash bolsista de 2000; da recessão de 2001 e o subsequente auge de desemprego.
Nas quatro situações falhou. Nos últimos anos, as taxas de juros diminuíram a um ponto tal, que originaram uma febre especulativa imobiliária com o desemprego que subia e os rendimentos das famílias estacionários, as pessoas a endividar-se na compra de casas, para revender com lucro.
O crédito hipotecário era considerado um presente. Alan Greenspan veio a descobrir essa forma de exuberância irracional quando já era tarde demais.
Esta situação parece com as devidas adaptações uma história de ficção que nada tem a ver com a realidade de Macau, ou tudo a ver, porque a tendência é de copiar os maus modelos, principalmente quando fomos os primeiros a apontar no início do ano passado uma situação inflacionária que ultrapassava os 5%, que veio a ser confirmada por uma empresa credível de Hong Kong meses depois.
Quando há tempo prevíamos que este ano Macau fecharia o ano atingindo a marca de quase dois dígitos, o silêncio não vale como acordo ou aceitação tácita, mas como ignorância ou comodismo, na esperança de que a tendência se inverta.
Macau é um espaço exíguo e tão só basta reviver a situação imobiliária do último quinquénio para se dar conta da bolha especulativa, que está acompanhada de inflação, de falta de produtividade congénita (baseada na diversão nocturna, sem o equilíbrio diurno produtivo), mas cujo desemprego desce por um conceito -mecanismo conhecido por incorporação na indústria do jogo e ao tempo ironicamente chamado de fonte de turismo.
Temos sérias dúvidas e como académico rejeito liminarmente este tipo de conceitos e enquadramentos, respeitando todavia, quem os emprega.
O turismo reveste foros de ciência e o seu direito especioso não deve ser incorporado de termos político - promocionais de duvidosa índole.
Por via desses factores, Macau está a caminho da estagnação com inflação, merecendo ser objecto de estudo, por poder chegar à situação de pleno emprego, pelo que foge à radical definição da falta do elemento desemprego, na considerada estagflação.
Temos vindo sempre a defender que Macau é um local privilegiado para a pesquisa e investigação científica, congressos e seminários técnicos com vista a servir o Continente.
Basta uma série de telefonemas para se saber, que Universidades e Institutos, ainda que prevendo o natural, que são centros de pesquisa e investigadores os possuem e que produzem.
Inexistentes ou ficaram pelo papel. Quando existem funcionam sem qualidade científica e pedagógica, quase no oculto como sociedade secreta ou discreta.
Não se incentiva, não se inova, não se estuda, não se publica, não se debate e quando se debate é a troca de ideias de café sem o mínimo arrimo na investigação académica.
Um dos grandes debates deste século é o da educação, da pesquisa que inova. As nações perderão as batalhas em todas as frentes se a perderem na educação.
Uma reforma da mentalidade do sistema educativo leva no mínimo 15 anos de adaptação e ajustes.
Seria bom não recorrer a outra especialidade característica desta terra que é a sua especificidade, que tem a tendência para ser específica em todas as áreas da educação à teoria económica.
Não é nossa intenção criticar na simplicidade de que tal atitude reveste, mas abrir o caminho à reflexão, que se torna necessária, para corrigir situações e construir soluções.
















