“Due cose sono infinite: l'universo e la stupidità umana.... ma riguardo l'universo ho ancora dei dubbi”.
Albert Einstein
A Comissão Europeia, através do relatório apresentado ao Parlamento Europeu, a 26 de Setembro, pelo seu Presidente, aprovou a entrada da Roménia e da Bulgária, as duas das mais subdesenvolvidas economias da Europa, no dia 1 de Janeiro como novos Estados-membros da União Europeia (UE).
Adesão condicionada à submissão das regras traçadas em matéria de corrupção, crime organizado e migração de mendigos profissionais, entre outras. Parece descabido o termo usado de mendigos profissionais, mas é o que consta do relatório.
O mesmo documento toma posições fortes face à desejada e suada adesão da Turquia. Com economias mais limitadas que a Grécia, Eslováquia, Polónia e Chipre (onde 2/3 da população é de língua helénica), a Roménia e a Bulgária irão trazer à UE sérios problemas.
Por muitas razões que explicámos em anteriores escritos, e um essencial de não terem a seu favor o apoio dos nacionais de vários Estados-membros, como o Reino Unido, Holanda, Bélgica, França e Itália.
Este novo alargamento cria dificuldades acrescidas acerca da possibilidade da Suíça abandonar a curto prazo o seu encantador isolamento.
Os helvéticos chamam advertem sobre um facto que tem vindo a preocupar alguns Estados-membros, entre eles a Itália, Estado que mais tem sofrido com a exportação em massa dos ditos indigentes profissionais romenos, ciganos na realidade, cuja língua apesar de latina é muito semelhante, e com centenas de palavras iguais à língua italiana ou à tudesca.
Pobres romenos do Leste que para além de nos encantarem com os seus cantos saudosos a um reino há muito desaparecido, e solos de guitarra, em tudo análogos com os flamengos, apresentam uma outra face desapiedada de usarem crianças ou se auto mutilarem para causar compaixão.
Processo usado pelos albaneses, cujo país dificilmente entrará na UE. Será a segunda fase da quinta ampliação da EU, e é tão duvidosa como o eventual performance turca na sua adaptação ao negociado com a UE.
Serão os primeiros Estados a aderir com maioria católica oriental, não romana, no caso da Roménia e no que respeita à Bulgária, detentora de uma minoria muçulmana considerável.
A Roménia tem 237.000 km2 de superfície, 22.000.000 de habitantes e Produto Interno Bruto “per capita” de cerca de 7000 euros.
A Bulgária, com, 111.000 km2, 8.000.00 de habitantes e com um PIB “per capita” de cerca de 6000 euros.
A adesão da Roménia cria um outro problema, dado que a Moldávia, etnicamente romena e tendo feito parte do país entre 1878 e 1945, depois ocupada pela ex-união soviética, é um país independente encravado entre a Roménia, Ucrânia e Transdnestria que é uma região de maioria russa da parte Oriental da Moldávia, que goza de um estatuto de autonomia especial.
Situação em tudo idêntica à relação entre o Kosovo e a Albânia. A aceitação destes dois novos Estados para fazerem parte de imediato a 1 de Janeiro de 2007, é o resultado de uma típica manobra política da Comissão Europeia, que teve como contrapartida o congelamento “sine die” da adesão da Turquia, Croácia e Macedónia.
Estas três candidaturas vão ter de esperar pela aprovação do futuro Tratado Constitucional da UE, vulgarmente conhecida como Constituição Europeia, que como sabemos foi reprovado pela França e Holanda em referendo, e suspenso em quatro outros Estados-membros.
Como as desgraças vêm sempre acompanhadas, a Polónia passa a ter um governa ultranacionalista que ridiculariza os ideais da UE, cujo poder executivo, competência da Comissão é presidido por José Manuel Durão Barroso, conhecido na UE como amorfo e sem vontade própria e que de Durão só de nome.
Dividimos o longo processo de integração em quatro fases, sendo duas naturais e duas forçadas. A primeira identificada com a fundação da Comunidade Económica Europeia (CEE) e assinatura do Tratado de Roma em 25 de Março de 1957, criada segundo a ideia que presidiu à constituição da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), pelo Tratado de Paris de 18 de Abril de 1951.
A CEE, era constituída no seu primeiro momento pela França, Alemanha, Itália, Holanda, Benelux e Luxemburgo. A segunda fase deu-se em 1 de Janeiro de 1973, com a adesão do Reino Unido, Dinamarca e Irlanda, que na altura era um Estado de economia obsoleta.
A terceira fase de carácter forçado deu-se em 1 de Janeiro de 1986, com a adesão de Portugal e Espanha, em que o nosso país estava economicamente débil como a Irlanda anos antes.
A quarta fase de carácter igualmente forçado deu-se em 1 de Janeiro de 1995, com a adesão da Suécia, Finlândia e Áustria. Uma adesão prematura, deu-se em 1 de Janeiro de 1981 com a entrada da Grécia.
Fica fora do mapa da UE um país avançado como a Noruega, e um outro sociopoliticamente moderno, como a Islândia. A apressada adesão em massa a 1 de Maio de 2004, que constitui a primeira fase do quinto alargamento, vem agudizar a crise que a UE começa a viver após a implementação do Tratado de Amesterdão.
Aderem Estados maduros como a República Checa, Hungria, Eslovénia e Hungria, conjuntamente com Estados subdesenvolvidos como Chipre, Letónia, Lituânia, Polónia, Malta e Eslováquia.
Alguns, simples fornecedores de mão-de-obra barata para as indústrias da Europa Ocidental, em particular a Alemanha.
Mas os conflitos alastram-se pela imbecilidade, como é o caso da nova República do Montenegro, separada da Sérvia, que adoptou o euro sem pertencer à UE, e sem autorização do Banco Central Europeu; um outro, em que a Albânia assinou um acordo económico e financeiro no mesmo ano, mas fica na lista de espera com a Turquia, Sérvia, Croácia e a Bósnia-Herzegovina, era a mais pobre das repúblicas da antiga Jugoslávia, e actualmente é um país onde convivem três religiões e dois alfabetos que só os analfabetos da Comissão parecem desconhecer.
Num outro extremo e de semelhante marketing geopolítico, a Zona Euro, é um grupo seleccionado de doze Estados-membros que aderiram a uma moeda única.
O fracasso constitucional e as disparidades existentes, impedem que o euro se converta numa verdadeira moeda comum europeia, o que pode levar longo tempo a acontecer.
Temos defendido que a UE deixou de ser viável desde 1 de Maio de 2004, com a geometria geográfica e institucional actual.
Quanto à Turquia, a Comissão Europeia, afirmou no dito relatório que as suas reformas se dão a um ritmo demasiado lento, propondo ao Parlamento Europeu uma resolução crítica, rapidamente aprovada, criando novos obstáculos ao processo iniciado em 1987, com o pedido de adesão da Turquia.
As negociações começaram em Outubro de 2005 e levarão dez anos, que os turcos consideram demasiado tempo, e os seus oponentes que são a Grécia e a Polónia, em particular, demasiado poucos Estados-membros.
Os maiores obstáculos à adesão da Turquia são o reconhecimento de Chipre, que aquela controla 1/3 da sua superfície, o respeito pela minoria curda e pelos direitos civis.
O Vaticano, de forma discreta, objecta desde há muito o comportamento antieuropeu de 70 milhões de muçulmanos, que significa em termos espirituais.
Apesar da recente “faux pas” na Aula Magna da Universidade de Ratisbona, é posta em causa a iminente visita do Papa Bento XVI à Turquia, que depois de dois mil anos da vinda de Cristo escreve a Encíclica Deus é Amor.
As suas leituras que iremos analisar em detalhe têm-nos emocionado profundamente quando na bela e coerente introdução afirmou parafraseando I João 4:16, que Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”.
Pena só ter descoberto passado dois mil anos e é com esse mesmo Amor que se intromete na vida do povo turco, prejudicando-o. Quem sabe se em sede de recurso não poderá a Turquia apelar a Maria, elevada a membro da Santíssima Trindade que passou a Santíssima Quaternidade.
Por este andar ainda descobrem a fórmula matemática para demonstrar a existência de Deus que tanto angustiava Albert Einstein.
Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 12.10.2006/ “Le Monde”, 13.10.2006
















