"Global economy cannot continue to sustain America's enormous trade deficits and China's growing trade surplus; International Monetary Fund is finally focusing on issue, but is not addressing systemic problem; even if China strengthened its Yuan and eliminated trade surplus with US, US would still be borrowing more than $2 billion a day; US retains veto with IMF, which stymies recommendations that are not to liking of Bush administration; structural problems with global reserve system need to be addressed or world will continue to suffer imbalances that threaten global financial stability.”
Joseph E. Stiglitz
Os Estados Unidos apresentaram em Agosto um inesperado recorde relativamente ao deficit comercial com o mundo em geral, e em particular com a China atingindo cerca de 70000 milhões de dólares, devendo-se ao importante aumento das importações, onde predominam as de origem chinesa.
O deficit, cresceu 2,7% em relação ao deficit anterior, e revelado em Julho, que o situava em cerca de 68100 milhões de dólares, ainda que se esperasse uma reacção oposta, segundo as previsões do Departamento de Comércio.
O sector privado fez compras ao exterior, essencialmente computadores e bens finais destinados ao consumo privado. As empresas, em contrapartida exportaram um volume recorde de bens.
Como tudo na vida, há quem se encontre feliz e quem se preocupe com o aumento deste desequilíbrio crescente da balança comercial americana. Os senhores contentes por esta situação defendem a ideia, de que se tal acontece, é porque a população americana contínua a manter o mesmo nível de procura, mesmo havendo sinais de esfriamento económico a “contrario sensu” do revelado pelo Livro Bege da Reserva Federal Americana (FED).
As exportações americanas devem-se ao facto de existir uma conjuntura que apresentava um dólar fraco, perfil que abandonaria em Setembro.
Pensamos que as exportações americanas tiveram como destinatários as denominadas economias em expansão da Europa Ocidental e da Ásia Oriental, e o seu aumento se deve mais às necessidades desses mercados, que à situação debilidade do dólar face ao euro, e as únicas que apresentam essas características são as economias da China e da Índia.
O gasto dos consumidores, representa 2/3 do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, na realidade aumentou de forma mais rápida em alguns Estados, conforme defende o Livro Bege, mas 4 de 12 Estados, apresentaram sinais de crescimento económico durante o passado mês.
Por outro lado, o Departamento do Trabalho, no seu recente relatório, afirma que os novos pedidos de subsídio de desemprego abandonaram a semana passada os patamares do mês de Agosto.
Entre os dias 2 e 7 deste mês, os pedidos de subsídio aumentaram de 304000 para 308000, representando um crescimento de 1,31%. Voltando à Balança Comercial, o deficit com a China, politicamente desgastante, ultrapassou o anterior máximo de 20500 milhões de dólares, situando-se no momento, em 219000 milhões de dólares.
As exportações da China para os Estados Unidos atingiram novo máximo situando-se em 26700 milhões de dólares, ao passo que as exportações americanas tiveram uma queda de cerca de 4800 milhões de dólares.
Os mercados bolsistas encerraram dia 13, em queda afectados por estes indicadores económicos desfavoráveis. No dia 16, os mercados de acções americanos terminaram a sessão de forma negativa, afectados pelo indicador económico divulgado pelo Departamento do Comércio, relativamente à queda de 1,3% em Setembro do índice de preços no produtor, renovando os receios dos investidores de que a FED venha a adiar uma nova alteração das taxas de juro, incentivadas por uma pesquisa negativa atribuída à Intel, que afectou as acções das demais empresas tecnológicas.
Entretanto, a China pôs à venda por cerca de 22000 milhões de dólares o Banco Industrial e Comercial da China (BICC), que é o seu maior banco e uma das dez maiores instituições financeiras do mundo.
Figurando entre os relativamente saneados e registado na Bolsa de Xangai. Iremos conhecer brevemente o valor exacto que lhe será dado, o conteúdo das propostas, que são situações esperadas com ansiedade nos principais centros económicos do país, como Hong Kong, Xangai, Pequim e Guangzhou.
Esta semiprivatização, realiza-se, por meio de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), que é lançada sobre valores mobiliários correspondentes a acções ou obrigações.
A OPA será efectuada em Hong Kong e Xangai. Os mercados estão seguros de que se situará entre os 18500 milhões de dólares e os 22000 milhões de dólares, ultrapassando os 18400 milhões de dólares, que foi ovalor máximo conseguido em 1989, a nível regional, por meio da oferta de uma operadora japonesa de telefones móveis.
Em termos de capitalização bolsista, o BICC representa um valor acima dos 130000 milhões de dólares. A apresentação dos termos da oferta teve a participação de cerca de 200 instituições financeiras e fundos de investimento de (que são instrumentos de poupança que resultam da junção do capital de vários investidores) Hong Kong, e a lista de convidados não atingiu os 100.
O conhecimento deu-se na Europa Ocidental dia 13 e nos Estados Unidos dia 17. É de crer que a maior fatia do bolo fique na posse dos americanos.
Os sinais são claros e no encerramento da apresentação inicial e nos dois dias seguintes, a procura de acções atingia oito vezes mais que a oferta. O primeiro dia de aquisição será reservado aos investidores privados e depois aguardam-se participações em massa.
No geral, face a semelhante procura, os banqueiros e intermediários sobem o volume e preço básico de uma OPA, mas o BICC é um caso político, ou seja, anómalo.
Recordamos o tempestuoso lançamento da OPA pela China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), que fracassou na primeira tentativa, e face a essa prova o o governo chinês procurou ser mais rigoroso nos procedimentos.
O maior banco da China não é alheio à difícil situação que ainda atravessa o sector financeiro, pressionado por cerca de 675000 milhões de dólares de dívidas incobráveis em carteira, e que se presume sejam na realidade cerca de 750000 milhões de dólares.
O governo chinês, em 2005, injectou 15000 milhões de dólares para cobrir tais passivos e, é de crer que este ano o montante duplicará. Ao contrário de outras entidades financeiras, o BICC não se debate com problemas jurídicos; ainda que tenha sido objecto de alguns escândalos, tais como os de Fevereiro de 2005, em que o gerente da sucursal em Hunan foi condenado a vinte anos de prisão por aceitar subornos; dois meses depois, o gerente de Guangdong foi condenado a doze anos de prisão por igual delito.
Por outra lado, o volume do BICC expõe o banco a manobras de pequenos agiotas, uma vez que os seus trabalhadores, funcionários públicos, que têm a seu cargo créditos, são jovens e carecem de experiência.
A China, no dia 4 do mês transacto, reviu a taxa de crescimento do PIB de 2005, que foi de 10,2%, mais 0,3% que o anunciado no início do corrente ano. Estes dados demonstram um crescimento da economia maior que o previsto, especialmente nos sectores industriais e de serviços, que cresceram 11,7% e 10%, respectivamente, muito mais que o previsto e anunciado, que situavam em 11,4% e 9,6%, respectivamente.
O único sector que não alterou os seus dados foi o da agricultura e pescas, que cresceu 5,2%. Os novos dados aproximam-se mais ao crescimento que a economia chinesa teve no primeiro semestre do ano, que foi de 10,9%, de Janeiro a Junho, e de 11,3% no segundo trimestre.
A taxa revista converte 2005 no terceiro ano consecutivo em que a economia do país asiático cresceu acima dos 10%. O Banco Mundial reviu recentemente as suas previsões para 2006, concluindo que a economia chinesa cresceria cerca de 10,4%.
Quanto à produção, a indústria contribuiu com 47,5%, os serviços com 39,9%, e a agricultura e pescas com 12,6%. Após a revisão, o PIB de 2005 valorizou-se em cerca de 2,30 mil milhões de dólares, ou seja, cerca de 1,80 mil milhões de euros.
















