“Having reflected on the oil market situation, in particular forecasts for the fourth quarter 2006 and the year 2007, the Conference observed that actions taken by OPEC in recent years have contributed to stability in the oil market, to the benefit of producers and consumers alike, and have demonstrated OPEC’s success in assuring adequate supplies to consumers. Heads of Delegation noted with concern, however, that crude oil supplies are well in excess of actual demand, as the above-average level of crude stocks in OECD countries demonstrates, and that the over-supply situation and imbalance in supply/demand fundamentals have destabilized the market. In the light of the foregoing, and in order to ensure market stability, the Conference decided to reduce production by an amount of 1.2 mb/d, from current production of about 27.5 mb/d, to 26.3 mb/d, effective 1st November 2006. This interim arrangement will be reviewed at the Extraordinary Meeting of the Conference scheduled to convene in Abuja, Federal Republic of Nigeria, on 14th December 2006. In the interim, the Conference requested the Secretariat to continue closely monitoring the market.”
Conclusions of OPEP Conference
O Conselho de Ministros do Petróleo da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no dia 14, chegaram a um pré-acordo, que tinha como objectivo a diminuição do fornecimento de um milhão de barris de crude por dia (bpd), e cuja decisão estava sujeita à confirmação final da Conselho de Ministros Extraordinário da Organização que se celebrou em Doha, no dia 19.
Este pré-acordo revelou que os Parlamentos dos países membros, que constitucionalmente necessitam de os consultar aprovaram a medida, existindo um consenso dentro cartel. A diminuição da produção tem sempre um impacto directo no mercado. Os preços do crude baixaram cerca de 25% nos últimos meses, chegando a situar-se abaixo dos 60 dólares por barril depois de ter atingido os 80 dólares por barril no Verão. O barril do crude de referência americano, conhecido por “West Texas”, encerrou a semana passada a pouco mais de 58.50 dólares, depois de ter atingido o seu valor mais baixo dia 11.
O “Brent”, fechou dia 13, com o preço de 59.50 dólares por barril, enquanto, o barril de crude fornecido pela OPEP desceu até aos 54 dólares por barril, desde que houve a redução na produção a 8 de Agosto, altura em que o preço do barril de crude atingiu um preço acima de 72.50 dólares.
A OPEP é responsável por cerca de 2/3 das exportações mundiais de crude, coordenando as políticas petrolíferas dos 11 países membros, com vista a proteger as receitas que recebem com a venda do ouro negro. Um dos mais sérios defensores da redução da produção do crude é Presidente crioulo da Venezuela Hugo Chaves, que pela descida dos preços perdeu popularidade e cujo país faz parte da Organização. A Venezuela foi um dos incitadores desta reunião, sabendo que a redução se daria, e o que faltava definir era a mecânica e a entrada em vigor, que defendia para 1 de Dezembro.
Recordemos, que a 1 de Abril de 2004, em Viena, a OPEP manteve no Conselho de Ministros da Organização, a redução da produção apesar do alto preço do crude. A OPEP decidiu nessa altura, seguir em frente com a redução da produção de um milhão de barris de crude por dia a, em conformidade com o delineado no Conselho de Ministros da OPEO, em Fevereiro do mesmo ano, que teve lugar em Argel. Nesse momento vivia-se uma difícil situação no mercado mundial de crude, e mesmo assim, a decisão foi tomada em plena crise não esperando pela Conferência Ministerial Extraordinária que tinha sido convocada para 3 de Junho do mesmo ano em Beirute, decidindo-se por uma Reunião Informal em Amesterdão, que decorreu entre 22 e 24 de Maio de 2004, e que inoportunamente coincidiu com o Fórum Internacional da Energia, que reuniu os responsáveis do sector energético dos principais países consumidores e produtores. A OPEP decidiu em Argel reduzir a sua oferta em duas fases, em que a primeira, implicava retirar do mercado em Março de 2004, perto de 1.5 milhões de barris diários (mbd) que produzia acima da quota oficial que era de 24.5 mbd. A segunda fase consistiu numa outra redução de um milhão de bd a partir do referido dia 1 de Abril, passando a quota de produção para 23.5 mbd. Apesar dessa medida, os Ministros reconheceram, que nem todos os países tinham retirado completamente o excesso da oferta, tendo alguns superados as quotas vigentes e outros necessitavam de tempo para poder cumprir os limites correspondentes à redução. Nessa data o Ministro do Kuwait, tinha defendido o adiamento da redução acordada, reconhecendo que havia suficiente crude no mercado e que todos os países iriam tentar chegar aos 23.5 mbd.
A medida tomada, pretendia evitar um receoso desequilíbrio dos preços no terceiro trimestre de 2004, tendo contribuído para uma alta dos preços, que chegaram a atingir os máximos dos últimos 13 anos. O encarecimento do crude foi atribuído a um aumento da maior procura, que o previsto na Ásia, principalmente na China, para além dos Estados Unidos e Europa, bem como a problemas sentidos pelas refinarias americanas para produzir gasolina, e um alto índice de especulação nos mercados, associados com vários problemas geopolíticos que criaram um ambiente de incerteza. Sem uma redução da oferta de crude, o mercado pode sofrer um desequilíbrio em 2007, devido a uma diminuição da procura a nível mundial, e a um aumento dos fornecimentos provenientes de países não pertencentes à Organização.
O relatório mensal sobre o mercado petrolífero, publicado no dia 16, pela OPEP, antecipa com base numa actualização das anteriores previsões, que a redução da produção em um milhão de bd, que a Organização previa acordar dia 19 para travar a queda de preços como se afirmou e se veio a confirmar. Segundo o documento da Organização, os seus 11 países membros extraíram conjuntamente quase 30 mbd, dos quais 2 mbd corresponderam ao Iraque (em relação aos números da OPEP o Iraque produz 2.4 mbd e pdia produzir 9 mbd), que não participa na repartição de quotas dos seus membros. A produção dos restantes dez países foi de cerca de 27.5 mbd, situando-se abaixo da quota conjunta em vigor, o que significa que alguns membros começaram a limitar as suas ofertas. O relatório prognostica, que a procura mundial será este ano de 84 mbd, representando um crescimento anual de cerca de 1 mbd, correspondente a 1,22%, inferior em 139.000 bd à anterior previsão, e para 2007 prevê-se que o mundo consuma cerca de 85.5 mbd, quase 1.3 mbd mais do que em 2006. Uma diminuição prevista no crescimento económico dos Estados Unidos e a aplicação de políticas energéticas conduzidas à diminuição da dependência dessa matéria-prima por parte dos países consumidores, são as principais razões, que fazem prever um consumo petrolífero menor que o previsto.
A OPEP está preocupada com a restrição do consumo, mas também com o forte aumento dos fornecimentos provenientes dos seus principais consumidores em 2007. A chamada produção Não-OPEP, registará o maior crescimento desde 1984, ao ultrapassar em quase 2 mbd a deste ano, ameaçando desequilibrar o mercado, uma vez, que a continuar a produzir a este ritmo, arrisca-se a que o mercado não possa absorver a oferta de crude. O relatório não específica o nível de preços que deseja defender a organização. Alguns membros, como a Venezuela, defenderam, que o preço de 55 dólares por barril, seria o valor mínimo. Apesar da falta de solidariedade existente dentro da Organização, teremos de admitir que está a recuperar o controlo do mercado, para pôr em marcha um nível de preços entre os 50 e 60 dólares por barril. No dia 20, a OPEP, acabou por decidir reduzir a sua oferta petrolífera, pela primeira vez desde 2004, em 1.2 mbd barris diários, representando 4,3%, a partir de 1 de Novembro, afim de poder manter os actuais preços do crude.
O número de barris situar-se-á acima dos 26 mbd, superando as expectativas do mercado. A redução foi tomada como base numa produção de 27.5 de mdb. A anterior quota conjunta, que datava de 1 de Julho de 2005, situava-se em 28 mdb, ainda que, a produção se tivesse reduzido nos últimos três meses. Cada país tem a sua quota, desconhecendo-se a partir de que nível, cada país procede à sua própria redução. Sobre esta matéria persistem diferenças internas, relativamente, à partilha do mercado que determina a sujeição a quotas de produção. Na Conferência optou-se por atribuir a cada membro a quantidade que reduzirá, sem tocar nas quotas vigentes desde 2005.
A maior redução cabe à Arábia Saudita, com uma extracção actual de 9 mbd, e uma capacidade de extracção de 11 mbd, sendo o maior exportador mundial de crude, com a maior parcela da redução em termos de fornecimentos, correspondente a 380.000 bd, seguido da Venezuela, com 138.000 bd, Irão com 176.000 bd, Emirados Árabes Unidos com 101.000 bd, Nigéria e Kuwait, com 100.000 bd cada um, Líbia, com 72.000 bd, Argélia, com 59.000 bd, Indonésia, com 39.000 bd e Qatar, com 35.000 bd. A OPEP conseguiu em Doha enviar uma mensagem de força aos mercados, uma vez que nas últimas semanas tinham surgido dúvidas sobre a capacidade da Organização de recuperar a disciplina interna para acordar uma diminuição antecipada de 1 mbd.
Quando o Ministro da Arábia Saudita do Petróleo, anunciou a medida, foi o suficiente, para que psicologicamente os mercados se movessem e os preços voltassem a subir nos Mercados de Londres e Nova Iorque, que tinham encerrado antes da declaração. O barril de crude Brent, na Europa, subiu 1,29 dólares ao encerrar o dia no Intercontinental Exchange Futures (ICE) a quase 60,90 dólares.
Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque (NYMEX), os contratos para Novembro de Petróleo Intermédio do Texas, de referência nos Estados Unidos, subiram 85 centavos e terminaram com o preço do barril a 58,50 dólares. O Conselho de Ministros da OPEP, não se manifestou sobre o nível de preços que deseja defender, prevendo-se, que seja o de uma cotação mínima de 60 dólares para o barril do WTI e de 55 dólares para o Brent, que usa a Organização como referência.
A Organização deve seguir a sua estratégia de testar com regularidade o mercado, com frequentes reuniões, mantendo uma estreita vigilância da evolução até 14 de Dezembro, data em que voltará a rever a situação como nova Conferência de Ministros marcada para Abuja, na Nigéria. Nessa data é de prever uma segunda redução da produção de 500.000 bd. Ainda que, ninguém o diga, o objecto reside em forçar um limiar de 60 a 61 dólares por barril nos contratos futuros de petróleo de Nova Iorque e Londres, dois baluartes da especulação com derivados. A própria volatilidade para a diminuição dos preços deixava no ar o Conselho de Ministros da OPEP. Apesar disso, previa-se que se confirmaria o prazo para a decisão de diminuir a produção num futuro próximo. A resposta dos operadores foi clara, de que não lhes importava o que iria fazer o cartel. A OPEP cometeu um erro táctico, de não tomar em conta que as tendências mudaram, e se rapidamente querem que os preços voltem a ser superiores a 60 dólares o barril, devem desenvolver antes de Dezembro um plano claro, que especifique quem reduzirá quanto.
As medidas gerais não servem a uma Conferência de Ministros em apuros. No momento, subsiste a disparidade entre Nova Iorque e Londres, dada a contradição, uma vez que o barril em Nova Iorque tem 161 litros, mais capacidade que o de Londres que tem 159 litros, pelo que devia ser mais barato, como acontecia antes. Esta situação sucede pelo que de broncos têm os ingleses e os americanos, que se prendem a medidas antiquadas e diferentes entre si.
Todos deviam passar a usar o sistema métrico. Mas também, prima um galimatias de pesos e medidas nos mercados de cereais e outros produtos primários.
A Arábia Saudita pensa declarar a margem em que reduzirá a produção. Importante, porque é o maior exportador dentro da OPEP (fora, é a Rússia) e, a sua influência é grande. Os dez membros da Organização aferidos pelas quotas produziram, em Setembro, 27.6 mbd. O objectivo formal contínua a ser os 28 mbd, mas pode mudar brevemente. Por motivos óbvios, ao Iraque não lhe foi atribuída uma quota, pois a sua produção está virtualmente administrada pelos americanos, que destinam os lucros a financiar a ocupação.
















