“For those who survive childhood, the path to a secure and happy future is still filled with obstacles. Children in developing nations have limited access to education, which limits opportunity and reduces potential.”
CARE
Na primeira semana de Setembro, do ano primeiro deste novo milénio, a Organização das Nações Unidas (ONU), decidiu realizar uma Conferência Mundial em Nova Iorque, onde estiverem presentes 147 Chefes de Estado e de Governo, e 191 países, que ficou conhecida pela “Cimeira do Milénio”, que elaborou a “Declaração do Milénio”, depois de muitas conversações, a nível nacional, regional e global, tendo o Secretário-Geral da Organização, Kofi A. Annan, elaborado o “Relatório do Milénio”, onde algumas das sugestões que apresentou, vieram a ser aproveitadas para a Declaração.
A ONU propôs esta Cimeira, como um marco simbólico da entrada num novo milénio, que se pretende de mudança em termos de inversão das constantes subidas das taxas de pobreza, de falta de água potável, de acesso à educação e aos cuidados de saúde primários, de mudança da propensão de disseminação do vírus HIV do Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), de atingir os objectivos no âmbito do desenvolvimento através de um maior empenhamento da ONU nas missões de paz, bem como um esforço no combate à injustiça e desigualdade social, ao crime organizado e às acções geradoras de terror.
Mal sabiam os líderes presentes, que passado um ano, o terror atingiria o pico, transformando-se numa forma de actuação com repercussões a nível global, com os ataques terroristas perpetrados pela Al-Qaeda ao coração financeiro e defensivo da maior potência mundial, como os Estados Unidos.
Por meio dessa Declaração, foi posto o acento tónico no desenvolvimento sustentável dos recursos globais, como forma de protecção do património comum da humanidade, a fim de garantir a existência da sua continuidade por parte das futuras gerações.
Na mencionada Declaração, os líderes dos países presentes foram unânimes, em reconhecer que a Organização tinha de ser reestruturada, para fazer face às preocupações e desafios deste novo milénio e século.
Nessa conformidade, a ONU por meio do seu Secretário-Geral e dos países membros, assinaram a dita Declaração, como um compromisso futuro de resolução dos problemas económicos, sociais e ambientais, que o planeta defronta.
Compromisso, que ficou conhecido como os “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM)”, em que um dos mais salientes e urgentes, é o de reduzir para metade, a pobreza que assola o mundo, tendo como meta o ano de 2015.
Para além deste enorme e primeiro “Objectivo”, é o de erradicar a pobreza extrema e a fome, aparecendo como segundo “Objectivo”, o ensino primário universal e o seu acesso, o que significa passados seis anos, fazer com que 140 milhões de jovens analfabetos no mundo, que não sabem ler nem escrever, deixem de o ser.
Actualmente, muito se tem falado e bem, sobre um novo tema – conceito, que é o da feminização da pobreza, uma vez que, as mulheres representam mais de metade da população mundial, e em grande maioria sustentam ou comparticipam activamente na manutenção da estrutura familiar, porém, continuam a ser uma comunidade excluída das grandes decisões nacionais, regionais e globais. Esses efeitos fazem-se sentir mais na África, América do Sul, México e Ásia.
Como terceiro “Objectivo”, é a promoção da igualdade e autonomia da mulher. Para os comodistas e egoístas deste mundo, em que o seu centro é o próprio umbigo, pensem que em cada três segundos morre uma criança, das quais 12 milhões são menores de cinco anos, e em que a maioria das doenças é prevenível ou evitável.
Os que têm filhos, dessa ou de outra idade menores, quantas vezes gastamos o que não necessitamos, o que nunca vamos utilizar, que passamos junto das múltiplas caixas da UNICEF, espalhadas por bancos, restaurantes, aeroportos e desviamos o olhar, recusando no nosso egocentrismo a dar uma contribuição.
O nosso consumismo excêntrico, caprichoso e neurótico está a matar o mundo. Transformámo-nos em suicidas de nós mesmos, e homicidas voluntários dos outros. Todos somos responsáveis pela saúde do mundo, num velho princípio bíblico, que nunca é aplicado, o da solidariedade.
Os deputados de todos os parlamentos mundiais, passam a vida a discutir por maiores regalias para os trabalhadores, aumentos de salários, de privilégios, de aumento de despesa pública.
Por muita pesquisa realizada, não conseguimos ler uma só intervenção nos últimos seis meses, no Parlamento dos países mais desenvolvidos que dissesse: “Senhores parlamentares o projecto de diploma, que hoje trazemos a esta casa, tem por fim pôr em prática o princípio da solidariedade e ser exemplo e incentivo a outros países, contendo apenas dois artigos.
Será deduzido em todos os salários, pensões, subvenções, lucros de empresas, etc., 1 euro mensal, porque cada unidade monetária europeia, salva uma vida. O diploma entra imediatamente em vigor após a sua publicação”.
Quantos milhões de vidas seriam salvos no mundo só num mês? Para quem teve a paciência de ler estas palavras, encetámos contactos com organizações e individualidades estrangeiras para pôr em marcha no próximo ano, uma Organização Não-Governamental (ONG) “Um por uma vida”, para promoção do depósito do 1 euro, dólar ou equivalente, a ser enviado à UNICEF, como cadeia universal de solidariedade”.
Recordemos, que os melhores promotores de um projecto para salvar crianças são as próprias crianças. Invertam a atitude mental de pensar no lucro, no ganho à custa da desgraça alheia. Todos podemos inverter esta vergonhosa situação, mas se não existir um começo, a situação continuará a piorar.
Não estamos importados em saber quantos casinos tem Las Vegas, Macau, ou terá o Vietname.
Quantas multinacionais (MNs), se deslocaram à procura de penetração de mercados, e custos mais baixos de produção, para competir no mercado global.
Quanto aumentaram os lucros do jogo ou das MNs, sediadas no Luxemburgo. Estamos preocupados com a inconsciência que governa o mundo, e faz ruir os sistemas económicos.
Quase todas as doutrinas económicas e sistemas políticos foram experimentados, e o resultado foi sempre o aumento da pobreza e a diminuição dos recursos disponíveis.
Se a democracia começa em casa, a erradicação dessas situações começa na nossa mente doentia.
Uma melhor consciencialização destes graves problema, como melhor da assistência médica e melhor nutrição, salvariam milhões de vidas por ano.
A melhor campanha, por nós próprios, será a de contribuir para reduzir a mortalidade infantil. Somos burgueses, vivendo no meio de um amontoado de excedentes, desperdiçando o que não consumimos e despendendo energias na crise neurótica do consumismo, que criará um mundo dentro de 50 anos, quase impossível de se viver, por ter atingido o auge da produção de satisfações e necessidades que destruirão a mente de todos, por meio de inimagináveis equipamentos e meios audiovisuais e de comunicação que fará nascer e desenvolver a doença mental dos nossos filhos e netos.
Nunca houve tantas possibilidades de atingir a cultura e o saber através da “Internet”, e os últimos estudos, e apenas da montanha de fichas ao nosso redor mencionamos a do Instituto Piaget de França, que relata, serem só 1,2% dos jovens, que usam a “Net” para se auto educarem.
As mulheres são novamente, os personagens principais no quinto “Objectivo”, que procura melhorar a saúde materna. Não é certamente seguindo o exame holandês e de outros países, com a liberalização do aborto e o homicídio de seres com vida (não entraremos neste tema, pelo menos no presente escrito, que nos levariam aos meandros da biogenética e das manipulações levadas a cabo, em conexão com os direitos humanos).
Sabiam que cerca de 15000 mulheres e crianças morrem devido a causas derivadas do parto, e que 98% se situam no Hemisfério Sul?
Quem é mãe ou está grávida parou para pensar nesta calamidade? Certamente que poucas. Mas a maioria lembra-se talvez do vestido da amiga, da discussão da vizinha com o marido, ou no incentivo negativo que deu à ruptura de uma relação.
Deixamos o número de mais de 550000 mulheres que morrem todos os anos devido a complicações durante a gravidez e parto. Certamente muitos desconheciam.
A maioria pode ser evitada com esse 1 euro ou dólar, mas certamente pensamos, que melhor será queimar centenas ou milhares de euros ou dólares, no capricho de viajar, de esbanjar indecorosamente no Natal, para mostrar à família, aos amigos e aos vizinhos que estamos bem de vida aparente e imunes às próprias circunstâncias da vida.
Lembremos que amanhã podemos ser nós a estar nessas circunstâncias menos boas da vida. O sexto “Objectivo” é a luta contra a SIDA, a malária e outras doenças nesta lista de propósitos de mudar o mundo.
Um valor aterrador, dado que cerca de 8500 pessoas morrem por dia de SIDA, ou seja uma em cada 7 minutos. Os governantes dos países relaxados ou tolerantes à prostituição, ou que promovem o turismo sexual, ou fecham os olhos, fingindo desconhecerem o que se passa debaixo do nariz, deviam lembrar-se que para além de violarem as convenções internacionais que subscreveram, estão a criar a perda de valores da sociedade, e a sua consequente ruptura.
A malária, é a causa da morte de mais de um milhão de pessoas por ano. O penúltimo “Objectivo”, é a garantia da sustentabilidade ambiental.
As florestas continuam a ser devastadas pelo mundo, obrigando as aldeias indígenas a mudaram de local, destruindo os seus modos e costumes de vida.
Uma das causas da pobreza no Hemisfério Sul, é o não respeito pelo ambiente. A responsabilidade principal para a execução dos “Objectivos” pertence aos países pobres.
Torna-se necessário que os países ricos reduzam as dívidas, (começaram, mas para alguns países, e não da forma mais útil e necessária) ou apliquem regras de comércio mais justas.
O último “Objectivo”, é a forma como os mesmos serão atingidos, que passa pela criação de uma “Associação Mundial para o Desenvolvimento dos Objectivos do Milénio”.
Um ano mais, chega ao seu termo, e após seis de compromissos, de acordos, de negociações, de discursos e manifestações, os “Oito Objectivos” continuam por realizar-se, principalmente no que diz respeito à redução em 50% do número de pessoas que passam fome, e na diminuição em dois terços da mortalidade infantil, caminhando a este ritmo, e pelas demonstrações da comunidade internacional mais vocacionada para o conflito e problemas da guerra, e não para resolver situações civis e de paz, é de crer que nenhum dos “Objectivos” será alcançado.
Actualmente, prevê-se que muitos deles levem pelo menos 150 anos para serem cumpridos. Os líderes políticos, e os países que se obrigaram ao seu cumprimento, falharam.
Nesse desrespeito político, condenaram dezenas de milhares de pessoas a morrer diariamente de fome.
Para se ter uma ideia mais segura da catástrofe, cerca de 31000 jovens menores morrem diariamente devido à pobreza existente no mundo.
Quase oitocentas e cinquenta milhões de pessoas adormecem pela noite com fome, cerca de 1212 milhões vivem com menos de um dólar americano por dia.
Perante esta realidade, será importante a construção de um Hotel de 6 estrelas na Taipa? Os insultos e má educação dos deputados nos parlamentos? Os exemplos não teriam fim. Talvez seja mais coerente e consciente pensar que o mundo real é este, e que não vivemos num mundo imaginário de fantasias, onde a ficção é o real transmitido poucas vezes pela televisão.
Todos somos culpados pelo mundo real ser assim, e neuróticos são os que pensam que esse mundo não é o nosso. Todos estamos sujeitos a ser a realidade desse mundo considerado imaginário, e que negamos pertencer.
















