“China will unswervingly carry forward the tradition of China-Africa friendship, and, proceeding from the fundamental interests of both the Chinese and African peoples, establish and develop a new type of strategic partnership with Africa, featuring political equality and mutual trust, economic win-win cooperation and cultural exchange.”
Li Zhaoxing
A 3.ª Conferência Ministerial do Fórum de Cooperação China - África, realizou-se em Pequim de 3 a 5 do passado mês, tendo participado pela primeira vez um total de 41 Chefes de Estado ou de Governo e Ministros da Economia de 48 países, sob o tema “amizade, paz, cooperação e desenvolvimento", onde se salientava a oferta da República Popular da China, de ajudar financeiramente o continente africano.
O discurso de abertura, proferido pela Vice-Primeira-Ministra Wu Yi, permitiu que a capital testasse antecipadamente, a sua capacidade em termos de organização e segurança, para os Jogos Olímpicos de 2008.
O tema da Conferência, repetido em todos os discursos pronunciados pelos dirigentes no Grande Palácio do Povo, adornado por milhares de bandeiras soltas, nas ruas e locais comerciais.
O Presidente Hu Jintao, participou numa cerimónia ostentosa, seguido por Presidentes dos países presentes, tendo posto a sua assinatura em selos comemorativos.
No edifício onde decorreu o evento, empresários chineses e africanos, reuniram-se para discutir formas concretas de cooperação. Pela noite, um banquete e uma gala como forma de celebrar a citação histórica que tentam provar "a igualdade e a confiança que suportam a cooperação saudável para as duas partes", a China e a África.
Nesse evento, o Presidente chinês anunciou, a oferta até ao limite de 5000 milhões de dólares, na forma de concessão de créditos preferenciais e créditos de natureza comercial, duplicando a ajuda ao continente no período de 2006 a 2009, e irá criar um fundo conjunto para o desenvolvimento.
Prognosticou, que a Conferência iria fazer história. Não duvidamos. A China, que há poucos anos era subdesenvolvida, e a África, compartiram dores e devem usufruir do desenvolvimento com o modelo de cooperação que desejassem.
Nos actos preparatórios da Cimeira, destacadas figuras públicas dos países participantes, tiveram oportunidade de se reunirem, e de destacarem o papel da China em África, durante décadas, iniciado com a solidariedade política na Guerra Fria e que evoluiu para a cooperação económica.
Algo, que os chineses no seu pragmatismo conseguiram manter, foi o de conseguir que a amizade sino – africana, resistisse ao tempo e às mudanças internacionais, e dar um novo incentivo, pensando como aumentar a cooperação com base no apoio mútuo, que sempre será favorável à China, dispondo de incalculáveis recursos em reserva monetária e ávidos das matérias-primas africanas.
Foi assinada, entre a China e os países africanos presentes, no dia 5, a denominada por “'Declaração de Pequim”, que preconiza um novo tipo de associação estratégica, baseada na confiança, cooperação económica e trocas comerciais.
As declaradas intenções chinesas, defrontam o medo dos países africanos, pela sede do gigante asiático pelo petróleo, minerais, mercados, aliados e queixas de sindicatos e negócios africanos.
Segundo o Banco Mundial, a China está em vias de se converter no maior emprestador dos países africanos, mas igualmente, na de contribuir para o aumento da corrupção e da dívida.
Os grupos defensores dos direitos humanos, pediram à China para exercer a sua influência diplomática e económica, com o fim de melhorar a situação em África.
A China que segue o princípio de não interferência nos assuntos internos dos outros países, mas ao proclamar-se amiga do povo africano, não deve permanecer muda. A título de exemplo, recorde-se que empresas chinesas possuem 40% de investimentos em edifícios no Sudão, e a atitude da China ao bloquear as resoluções da ONU contra o Governo sudanês.
Damo-nos conta como a China pressionou a Coreia do Norte a regressar à mesa das negociações, e é de se prever, que desenvolva esforços similares em países onde a situação é catastrófica, como no caso do Zimbabué, onde vendeu tecnologia que permite controlar as comunicações.
Os cerca de 3100 participantes, que assistiram a esta Conferência, são de países que reconheceram a República Popular da China, tendo apenas estado ausentes, os cinco países que mantém relações com Taiwan, como seja o Burkina Faso, Santo Tomé e Príncipe, Suazilândia, Gâmbia e Malaui.
A China conseguiu recentemente, que três países rompessem os seus laços com Taiwan, como a Libéria, em 2003, o Senegal, em 2005, e o Chade este ano.A China, segundo consumidor do mundo de petróleo, depois dos Estados Unidos, importam de África, cerca de 30% do crude, e tem investido biliões de dólares na exploração do petróleo e gás em Angola, Chade, Sudão e Nigéria.
O comércio sino - africano, atingirá cerca dos 55000 milhões de dólares até ao final do mês e ano, representando um acréscimo de 21,2% em relação ao passado ano, com base na fictícia teoria de que ambas as economias são complementares.
Quase, um milhar de empresas chinesas, que representam um investimento de perto dos 6000 milhões de dólares implantaram-se em África, por meio de acordos com 28 países e com projectos de engenharia, construção, petroquímica, educação ou saúde.
A China tem intenções de activar empresas agrícolas e alimentares. As exportações chinesas para a África, atingiram os 11500 milhões de dólares nos primeiros seis meses deste ano, correspondendo a um aumento de 35% em relação ao ano transacto, enquanto as importações, foram de cerca de 15000 milhões de dólares, representando um aumento de 53%.
Enquanto os Estados Unidos e a Europa ignoram a África, o gigante asiático soltou o tapete vermelho, para receber todas as nações que compõem este esquecido e paupérrimo continente, à excepção dos cinco países que reconhecem Taiwan, como dissemos e recusaram o convite da China.
Esta Cimeira foi um enorme mercado, no qual a China, se prontificou a oferecer ajuda económica e investimentos a África, em troca do que mais necessita, como sejam as matérias-primas e recursos naturais para alimentar o seu extraordinário crescimento, bem como um gigantesco mercado ainda virgem e esquecido pelas multinacionais ocidentais, para colocar os seus baratíssimos produtos.
Face ao espólio da época colonial, o colosso oriental oferece aos países em vias de desenvolvimento, o exemplo do progresso conseguido durante os últimos vinte e cinco anos. Mas, a China vai mais longe ao destruir uma lança em favor do multilateralismo, e obtendo o apoio do bloco africano, na luta com Estados Unidos pela hegemonia e recursos mundiais.
Enganada está a Europa e os Estados Unidos, porque a África têm mais para oferecer, que os cálculos feitos no Ocidente.
Não foi por mero acaso, que durante esta Cimeira foram celebrados mais de 2500 acordos entre a China e os países africanos.Esta Cimeira foi o maior evento diplomático organizado pela China em toda a sua História, pelo que durante esse fim-de-semana, desde girafas, elefantes, zebras, hipopótamos e até as pirâmides do Egipto acercaram-se às paredes publicitárias que inundam Pequim, contribuindo para dar uma nota surrealista à cinzenta cidade oriental.
A segunda maior empresa estatal de petróleo irá explorar jazigos de crude e gás na Libéria, e um consórcio chinês assinou um contrato de 2500 milhões de dólares, para explorar uma mina de ferro no Gabão.
Em troca, estas nações receberão descomunais investimentos em projectos conjuntos, destacando-se a construção na Nigéria, da maior linha ferroviária de África, que terá uma extensão de cerca de 1300 quilómetros e custará cerca de 7000 milhões de dólares, ou a construção de uma central hidroeléctrica no Gana que produzirá cerca de 400 megavolts (MVA).
Como todos sabemos, a ajuda da China não é desinteressada, uma vez que consolida um vasto mercado para a imparável produção da fábrica global, onde já vendeu cerca de 400 aviões e numerosos produtos, desde motocicletas até transístores, passando por armas.
Fazendo eco dos receios das potências ocidentais, o presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, criticou a bola de oxigénio que a China deu aos regimes acusados de violar os direitos humanos, como o Zimbabué ou o Sudão, ao impedir com o seu direito de veto no Conselho de Segurança as resoluções da ONU.
Acrescenta-se ainda o facto, do novo risco de endividamento que sofre a África devido aos empréstimos chineses.
Face a essas críticas, a China defende-se, no belo argumento, da sua política de não interferência nos assuntos internos de outras nações.
Tendo-se libertado do colonialismo branco, a África vai cair no sedutor colonialismo amarelo, argumentando a China terá de parafrasear o líder Deng Xiao Ping, quando disse que não importa que o gato seja branco ou negro, mas sim que cace ratos.
Com esta verdade absoluta, de nada servirá a meia escusa ocidental.
















