“According to our simulations, the effects of the Iraqi war on the global economy would be very damaging if the price of crude oil were to rise sharply.”
Paavo Suni
Quando as tropas invasoras tomaram Bagdade em Abril de 2003 e iniciaram o pior desastre desde o Vietname, um edifício foi cuidado com especial consideração, trata-se da sede do Ministério do Petróleo.
Cria-se que o negócio se americanizaria. Rodeado de holofotes, com dúzias de tanques nos acessos e tropas no telhado, manteve-se incólume durante as intermináveis escaramuças que se seguiram.
O pretexto, assentava no facto de os Estados Unidos desejarem proteger recursos vitais do país. A encabeçar a lista vinha o Vice-Presidente Richard Cheney, e que aquando da sua retirada da presidência da Halliburton ganhou mais de 1300 milhões de dólares, para além de deter a opção de compra de acções na empresa, e cujas subsidiárias obtinham um suculentos contratos continuamente.
Mas o papel do Vice-Presidente, que certamente irá ter como consequência o juízo político e a atitude dos militares inspiravam uma suspeita firme.
A invasão e o derrube da corte de Saddam Hussein obedeciam não à necessidade de terminar com o terrorismo profissionalmente praticado pela Al-Qaeda, inimiga tanto do Iraque, como do Ocidente, mas do compromisso existente entre os Estados Unidos, Reino Unido e os grandes grupos petrolíferos.
O rumo desfavorável que caracterizou as operações foi preterindo as expectativas do negócio.
Ataques, sabotagens, violência civil, falta de investimentos e corrupção (traço árabe que não desapareceu mesmo como os americanos) destruíram a actividade.
Em quarenta e cinco meses de ocupação, o Iraque não recuperou os distantes níveis produtivos do passado, quanto chegou a ser o terceiro país exportador da OPEP.
Até à queda de Saddam Hussein, o regime Baath prosperava graças aos rendimentos petrolíferos.
Actualmente a luta para controlar o sector (cujas reservas são só inferiores às da Rússia, Arábia Saudita e Irão) ameaçam acabar em pedaços com a unidade do país. Maxime, se os Estados Unidos prolongarem esta ocupação, que ultrapassou do lado americano os 3000 mortos.
A, distribuição geográfica desses recursos é desigual entre as áreas controladas pela maioria chiita e a minoria sunita, envolvidas numa guerra civil e os curdos.
O destino político geral, é a chave para a questão dos hidrocarbonetos. Incapaz de conter o conflito e tardio a encarar uma retirada em sério, os Estados Unidos pressionam o fraco parlamento iraquiano para forçar uma nova lei que reformule uma redistribuição de rendimentos petrolíferos aceitáveis às três comunidades.
A ideia não é má, para quem é detentor dos negócios e defende essa solução, presumindo que uma reforma consensual poderia desactivar a própria guerra civil, particularmente, quando combinada com a retirada ordenada dos exércitos ocupantes.
Mas o Parlamento iraquiano impede, o que talvez pudesse ser uma fórmula para a solução do problema. Convém recordar que Saddam Hussein estava disposto a uma abertura petrolífera, em que as grandes empresas rompessem o bloqueio imposto desde 1991 pelas Nações Unidas.
O ditador e o governo actual pretendiam e pretendem basicamente o mesmo, que é retroceder a nacionalização de hidrocarbonetos ditada em 1972 pelo general Bakr, que acidentalmente deteve o poder, sendo um visionário, pois no ano seguinte a OPEP criou a primeira crise petrolífera mundial de preços.
Segundo os dois anteprojectos tornados públicos, a reforma permitiria várias formas de associação com capitais estrangeiros, inclusive produção participada. Este factor expressa os desejos do sector privado, de que as companhias preferem esse tipo de contratos, uma vez que reduzem os riscos devido a custos extraordinários, significando maiores ganhos potenciais em caso de subida dos preços no mercado.
Uma legislação moderna e flexível proporcionará um quadro jurídico adequado aos interesses internacionais, essencialmente anglo-saxónicos e holandeses, e que os directores de grandes empresas consideram a chave para o despertar dos investidores que continua adormecido.
O mundo está farto do jogo em que se tornou o Iraque, mas sabemos que a situação pode melhorar sobremaneira em matéria de segurança, antes da adopção de decisões.
Assim, assinala um recente relatório interno da British Petroleum. Como se sabe, os riscos mineiros de exploração exigem um horizonte temporal mínimo de cinco anos, em qualquer parte do mundo.
Ainda que, as empresas petrolíferas estejam habituadas a trabalhar em contextos difíceis como a Nigéria (com guerra civil, pirataria e sequestros para extorsão) ou a Indonésia, o Iraque reduz todo o passado, no que a esta matéria diz respeito.
Desde a sangrenta guerra com o Irão, nos anos de 1980 e a subsequente guerra do Golfo Pérsico de 1991.
O prolongamento do actual conflito e a ocupação, podem liquidar o que resta do estado iraquiano.
A diferença existente da guerra civil argelina dos anos de 1990, depois da qual o fortalecimento do governo e as suas forças armadas atraíram de novo os investimentos e capital estrangeiro, é o facto de o Iraque ter um regime que é contestado por guerrilheiros e facções. O fracasso dos Estados Unidos fez acabar com a sua hegemonia militar no mundo, em que ninguém acredita que possa atacar o Irão, uma vez que recua no Afeganistão, no Iraque e, de novo na Somália.
E olhar para o futuro petrolífero do Iraque é como chegar ao esgotamento, em que não é possível analisar o porvir antes de se saber quem controlará o Sul e o Sudeste, onde se concentram as maiores existências de hidrocarbonetos.
Será um partido chiita nacional ou um local, sujeito ao vizinho iraniano? Um recente estudo americano, afirma que o país está a extrair cerca de 2.000 milhões de barris diários (b/d), pouco mais que o Sudão, e exporta cerca de 1.500 milhões de b/d. Situação que se situa aquém da produção oficial de 2.500 milhões de b/d e menos do produzido antes da invasão.
Um relatório do Ministério do Petróleo do Iraque, assinala que o país perdeu mais de 24.500 milhões de dólares em potenciais rendimentos petrolíferos, por instabilidade, violência e sabotagens aos oleodutos e gasodutos.
Numa perspectiva global, a produção iraquiana, valha-nos a ironia, é cada vez mais importante. À margem de preços voláteis, a procura continua a crescer na China, Índia, Japão, Vietname, Coreia do Sul e Ocidente.
Aumentam os jazigos que começam a esgotar-se, com poucas reduções como a Rússia ou a Venezuela.
Segundo o juízo da Agência Internacional de Energia (hidrocarbonetos na realidade), o Iraque devia elevar a produção ao ritmo de 4,9% anual até 2030, para cobrir as necessidades externas supondo que as suas reservas cheguem até essa data. Quanto à procura mundial passará de 87 milhões de b/d (dado de 2005) para 115 milhões de b/d.
As multinacionais desesperam desde 2003 pelo negócio no Iraque. O país contém, alegadamente, reservas conhecidas e cerca de 120.000 milhões de barris, mas apenas vinte e dois dos oitenta e sete jazigos estão a ser explorados.
















