“World crude oil supplies on 2006 decreased by 0.4 mbpd due to a fall in supply from Saudi Arabia, North Sea and Iran. OPEC crude oil supply averaged 30 mbpd. The output continued to be affected in Nigeria and Iraq. OPEC spare capacity continued to be low at around 1.5 million barrels per day, much lower levels than seen over the last decade.”
CRIS/INFAC
Os petroleiros gigantes navegam desde 2004 num mar de liquidez, devido a crescentes utilidades. Recentemente, a tendência foi a de se iniciar o desequilíbrio, depois do recorde nominal histórico de 14 de Julho de 2006, em que o barril de crude foi cotado em Nova Iorque a 78,40 dólares. Surgindo dessa forma um outro factor difícil de avaliar.
Nos últimos anos, em que importantes Estados produtores de petróleo voltaram a sustentar critérios nacionalistas, similares aos da pioneira lei iraquiana de 1972.
A Arábia Saudita restringiu o acesso ao gás natural; a Rússia constrói um império nacional, com projecções para o Oriente e Ocidente e a Venezuela cria uma frente sul-americana pouco favorável às empresas.
Só dois países parecem seguir em direcção à privatização, que são o Iraque se florescer algum dos anteprojectos de lei apresentados e o Irão.
Os satélites da Arábia Saudita no Golfo, como o Kuwait, Bahrein, Qatar, Emiratos Árabes Unidos e Omã seguem as linhas directivas sauditas. Era de imaginar que os gigantes se preparavam para dirigir ao Iraque, adulando os servidores públicos do actual regime, que poderiam eclipsar-se num futuro sistema federal.
O alvo real da BP, Shell ou Mobil é obter novos dados sobre as reservas, sem inspeccionar pessoalmente o palco de uma guerra civil, pois têm o que baste na Nigéria. Em troca, oferecem avaliações gratuitas dos aspectos geológicos e técnicos.
Esta campanha tem como fim, não os iraquianos, mas os seus astutos rivais como é o caso da Chevron, da Total ou da ENI, que obtiveram informações até 2002, quando negociavam contratos com Saddam Hussein.
Aplicando um antigo modelo dos anos de 1950 testado na América do Sul, estas companhias conseguiram informações actualizadíssimas, através de seminários técnicos no Iraque e no exterior. Como é natural, a corrupção não tem fim.
Ficou demonstrado durante as recentes investigações australianas sobre subornos pagos pelos governantes locais a servidores públicos de Saddam Hussein. No que concerne à iniciativa da ONU denominada de “petróleo por alimentos”, que envolve a BHP que é um consórcio anglo – australiano que se dedica à extracção de minério e petróleo, e a nossa conhecida empresa do Texas, a Halliburton e outras interessadas nas concessões iraquianas.
Este mal, faz parte do escândalo internacional que implicou 2312 companhias e foi rapidamente camuflado em 2004. Daí que Rifkind, ex-ministro e parlamentar conservador britânico, recomendasse à BHP e a uma sua subsidiária holandesa, o registo do projecto perante as autoridades de ocupação em Maio de 2003, uma vez que o Ministério dos Negócios Estrangeiros inglês assinalava na altura, que a administração americana no Iraque tinha sugerido a confissão da existência de interesses privados britânicos no dito projecto.
A existência de tantos “lobbies”, faria com que os possíveis beneficiários reais de uma abertura petrolífera iraquiana fossem os russos, chineses, venezuelanos, brasileiros e indianos, mais inclinados a assumir riscos geopolíticos.
O Ministro do Petróleo do Iraque recentemente fez uma viagem pela Ásia Oriental e Meridional, tendo mantido conversações em Pequim com os quatro maiores grupos de combustíveis e energia.
Nenhum lhe propôs questões de segurança. O Vice-Presidente da empresa russa Lukoil nos últimos dias de Dezembro do ano findo, negociou a renovação dos acordos assinados com o regime baath, do qual o actual governo se considera ser o sucessor legal.
O principal interesse diz respeito ao desenvolvimento de Qurna Ocidental, o maior jazigo em volume na Mesopotâmia. A Lukoil está disposta a trabalhar seja qual for a situação, o que faz que a ideia de risco, seja muito diferente do conceito Ocidental.
O Reino Unido afirmou que a reaparição da Lukoil atraiu o interesse da terceira empresa petrolífera americana, a ConocoPhillip, que ainda tem 20% do volume russo.
Outros sustentam que, a ser restabelecida a normalidade no Iraque, as empresas ocidentais optariam por começar a investir no Nordeste curdo, relativamente pacífico e pouco explorado.
Um projecto em inglês, que foi passado aos Estados-membros da “zona euro”, tem por objecto a entrega da exploração e extracção de hidrocarbonetos e contratos aos Estados Unidos e Reino Unido, o que significa, cerca de quase 2.000.000 barris diários (b/d) de produção e 1.350.000 de b/d de exportação.
Perto de se atingir o quarto ano da invasão aliada ao Iraque, os Estados Unidos tentam impor um parlamento mesopotâmico, uma lei que afiance à British Petroleum, Royal Dutch/Shell, Exxon Mobil, ChevronTexaco, ConocoPhillips e outras, o controle do petróleo e do gás no país.
Trata-se de uma perfeita arbitrariedade, a entrega da décima quinta reserva do mundo a um “lobby”, e o projecto criará um escândalo, pois exclui os europeus, com excepção dos ingleses e dos seus sócios holandeses.
Este projecto entregue pelos ingleses aos seus parceiros comunitários, foi desenhado pela Secretaria de Energia americana, cujo máximo operador é o vice-presidente Richard Cheney (ex-presidente da Halliburton).
A futura lei deixará sem efeito a nacionalização de 1972, anterior a Saddam Hussein, e concederá a essas empresas, contratos por trinta anos. Durante a fase inicial, as companhias ficarão com 75% das vantagens, como única forma de reconstruir a indústria, depois de duas guerras e sanções.
O texto (disponível na versão electrónica) parece indicar, que uma terceira guerra, a civil, concluirá brevemente com o triunfo do governo e do seu mandante, os Estados Unidos.
Para maior riqueza, uma cláusula absolutamente inovadora determinará, a partilha de trabalhos com a Arábia Saudita, segundo produtor mundial, a seguir à Rússia e o primeiro da OPEP.
Os objectores deste esquema, na “zona euro” e no Leste, acusam e bem os Estados Unidos e o Reino Unido de pretenderem obrigar o Iraque a ceder a sua soberania, em grau inaceitável, sobre 95% dos seus rendimentos nacionais.
Por outro lado, o projecto confirma o que em 2003 escrevemos, de que a invasão tinha por base, na realidade, servir os interesses das grandes empresas petrolíferas anglo-saxónicas. Recordemos o ridículo internacional de Anthony Blair que, desde sempre, negou essas suspeitas perante o parlamento britânico.
À margem da mesma dúvida ocasionada pela ocupação, e a consequente guerra civil, que o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush imagina liquidar enviando reforços para enfrentar a maioria chiita.
Trata-se de um sonho que parece não ser compartilhado pelo Congresso. Certo é que o Iraque foi em 2005 o décimo segundo exportador de petróleo, quando até 1990, era o sexto, depois da Arábia Saudita, Rússia, Noruega e Irão.
















