“The primary source of the increased atmospheric concentration of carbon dioxide since the pre-industrial period results from fossil fuel use, with land use change providing another significant but smaller contribution.”
IPCC Report, February 2007
A Organização Não Governamental “Greenpeace”, afirmou no dia 30 de Janeiro, que o relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), que foi revelado no dia 2 em Paris, demonstrava que a situação nesta área era mais grave do que se pensava.
Sendo suficientemente séria, é estranho que a Greenpeace e um jornal australiano tenham acesso ao relatório antes dos governos.
O IPCC foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, com o fim de orientar os responsáveis pela criação das políticas ambientais, e seu impacto na alteração climática a nível mundial.
Esta organização publicará em Abril, um novo relatório global. No início do século que vivemos, a alteração climática fará que, entre 1100 a 3200 milhões de pessoas sofram de escassez de água, e que entre 200 a 600 milhões de pessoas padeçam de escassez de alimentos no ano 2080.
O “slogan” gasto da ONU, é de actuar agora, porque ainda se vai a tempo. O tempo esgota-se. Sempre as mesmas imbecilidades, nas mesmas palavras. Os danos criados não têm forma de voltar ao “status quo ante”, tal como as infâmias, calúnias e injúrias proferidas, ou as mentiras que soam a verdade e fazem juízes condenar inocentes (vide Face Cruel da Justiça, de Caryl Chessman).
Os recursos gastos não se recompõem ou levam milhões de anos a refazer.Todavia, devem os governos ouvir as advertências de cerca de 2500 cientistas de todo mundo, reunidos no IPCC e tomarem as medidas necessárias para proteger as alterações ao clima, entendido como o estado da atmosfera expresso por meio de temperaturas, chuvas, nebulosidade, etc. Os governos devem apressar-se, e actuar contra a origem do problema, que são essencialmente, os combustíveis fósseis e o desflorestação.
Se forem reduzidas as emissões e mantido o aumento médio global da temperatura abaixo dos dois graus, é possível prevenir e minorar prejuízos mais graves. Existe um abismo e uma alarmante desproporção, entre os conselhos do mundo científico e a falta de acção dos governos.
Existe o conceito de “tecnicamente possível”, ou seja, a existência de tecnologia para actuar; permitindo reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito de estufa, podendo prescindir-se da energia nuclear, sem se perder a qualidade de vida, e com a possibilidade de satisfazer na totalidade a procura de energia com recurso às renováveis.
O Laboratório Alemão de Investigação Aeroespacial (DVLR), num relatório, afirma a possibilidade de redução de emissões de CO2, através do recurso às energias renováveis e à eficiência energética em quase 50%.
Trata-se de uma situação tecnicamente possível, que depende de vontade política para se concretizar. O caminho apontado pelos cientistas é o da redução de emissões de CO2 em 30% até 2022, e as soluções propostas incluem energias renováveis, descentralização dos sistemas energéticos, respeito pelos limites naturais, abandono das energias sujas e respeitar a equidade e a justiça, repartindo custos e benefícios entre países e gerações.
Um aumento da temperatura da Terra superior a dois graus, traria incontroláveis consequências de alteração climática, o que implica deter rapidamente, o aumento de emissões que conduzem a um aquecimento superior, nos finais do século.
No quadro das actuais previsões, realizadas nas últimas semanas, é pouco provável que o aquecimento se situe abaixo de 1,5 graus, não sendo de excluir valores superiores a 4,5 graus. Acima desse valor corre-se o risco, de que o aumento seja incontrolável, bem como a espiral de efeitos sobre o meio ambiente e a vida das comunidades humanas.
Antes da publicação do referido relatório pelo IPCC, o novo Secretário-geral da ONU, foi objecto por parte de instituições ambientais, que exigiram a realização de uma cimeira urgente.
Actualmente, está programada uma cimeira para o princípio de Setembro, sobre o reforço do Protocolo de Kyoto, através da implementação de mecanismos mais efectivos e pontuais.
Convém recordar, que o Protocolo de Kyoto, foi assinado no âmbito da Convenção-Quadro sobre Alterações Climáticas da ONU, adoptada em 1992, por 189, dos 192 países membros da ONU.
Trata-se de um compromisso, de redução, de emissões de gases de estufa, assumido em 1997, por 35 países industrializados e a União Europeia.
Assinado em Kyoto, no Japão, o acordo entrou em vigor em Fevereiro de 2005, e impõe uma redução da emissão de seis gases que contribuem de forma drástica para o aquecimento do planeta, como o CO2 (gás carbónico ou dióxido de carbono); o CH4 (metano), o N20 (óxido nitroso), e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6).
Para o período de 2008 a 2012, o Protocolo prevê, que esses 35 países, que representam um terço das emissões de gases de estufa, estão obrigados a reduzi-las em 5%, tendo por comparação os níveis de 1990.
Os Estados Unidos, que libertam para a atmosfera cerca de um 1/3 da restante poluição, e a Austrália, são os únicos dois países industrializados que não assinaram o Protocolo de Kyoto.
A China, Índia e o Brasil, três dos outros principais poluidores mundiais, não estão obrigados a cumprir as quotas de Kyoto, visto deterem o estatuto de países em desenvolvimento.
Assim, e em conclusão, o acordo tenta reduzir gradualmente os gases associados ao efeito de estufa, essencialmente o dióxido e o monóxido de carbono.
No presente inverno boreal, houve uma quantidade alarmante de aberrações. Verões curtos nos Alpes, inundações em meia Europa Ocidental, e violentas tempestades no Hemisfério Setentrional.
Acelera-se o derretimento de picos polares, em particular no Árctico. Um fenómeno derivado, o aumento do nível da água dos mares, começa a notar-se em todo mundo.
Mas as irregularidades parecem acontecer nas principais economias, conferindo um peso geopolítico, nunca acontecido, enquanto se limitavam ao mundo subdesenvolvido.
A maioria das instituições ambientais e ecológicas da ONU, tenta convencer o calmo Secretário-geral da Organização, a adoptar um papel mais activo na batalha climática.
O protocolo de Kyoto expira em 2012, e a cimeira de Setembro parece longínqua.
Pressionado, o Secretário-geral esteve, no passado dia 30, a ponto de convocar uma cimeira dos vinte líderes das principais economias, para a realização de uma cimeira de emergência climática.
Pena que o não tenha feito, depois de ter declarado que o governo do Quénia tinha proposto algo semelhante, quando visitava uma miserável aldeia nos arredores da capital, Nairobi.
A alteração climática é um dos problemas estáveis, que enfrenta a comunidade internacional, e deve ser encarada muito antes de 2012, conforme admitiu. Mas, tal como todos os seus antecessores a indecisão é uma prática endémica e epidémica da ONU.
















