“New Orleans’s population, which stood at about 480,000 before Katrina struck in August 2005, killing up to 1,800 people, is now probably half of what is was.”
Pincas Jawetz
Nestes dois últimos escritos, temos vindo a analisar o quarto relatório do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (IPCCC), publicado em Paris no dia 2, bem como as reacções dos Estados Unidos não subscritor do Acordo de Kyoto.
Tema que contente directamente, com a economia global, daí residindo o interesse de todos os conscientes da vida do planeta. Somos de opinião, que teria maior efeito útil ter atrasado a publicação do relatório uns meses.
Para além, das pressões das grandes empresas petrolíferas, afectadas pela ligação entre combustíveis fósseis, efeito de estufa e o derretimento de gelos, o prazo limite de Dezembro de 2005, para finalizar os trabalhos, foi prematuro.
Por exemplo, impediu avaliar as violentas anomalias climáticas sofridas no Hemisfério Norte, desde mediados de 2006. Entre outras situações, recolheram-se provas de que, a cobertura gelada da Groenlândia, em que cerca de 80,5% da sua superfície de 2500000 km2, está a derreter-se a um ritmo maior do que previsto.
Começaram a aparecer ilhas, nessa superfície em descongelamento. Enquanto, a Antárctida, que é composta de duas ou três enormes ilhas unidas pela calote, está a lançar muito mais água nos oceanos do que a prognosticada em 2001.
Como era de esperar, o Presidente George W. Bush, o Secretário de Estado da Energia, e o Vice-presidente do American Enterprise Institute (AEI), que é financiado em cerca de 1500 milhões de dólares pela Exxon Mobil, da qual foi presidente, recusaram todo o tipo de medidas obrigatórias para o sector privado, relacionado com o efeito de estufa.
Como anteriormente escrevemos, o Presidente Bush, ironicamente admitiu, que 90% das emissões de dióxido de carbono, derivam de combustíveis fósseis, ou seja, os Estados Unidos mantém a posição pela qual se afastaram do Protocolo de Kyoto, em 2001.
Mas a relações de força em termos políticos mudaram, depois da vitória nas eleições parlamentares, os democratas passaram a controlar ambas as câmaras e pressionam por restrições obrigatórias às empresas petrolíferas.
Entretanto, aos deputados com apoio bipartidário, foi-lhes aumentado os impostos e taxas. O papel desempenhado pelo Presidente Bush, e pelo seu círculo de amigos, faz aumentar as suspeitas sobre a IV avaliação. Dois dias antes de ser conhecido o relatório, 150 cientistas e especialistas, afirmaram perante o Congresso, que o Presidente tinha criticado os avisos, tendo influenciado o IPCCC, reunido em Paris.
O responsável tinha sido o Presidente do Instituto do Petróleo, que manobra o “lobby” deste negócio. Como se não bastasse o governador republicado da Califórnia Arnold Schwarzenegger, deu o seu total apoio, àquele.
Em 2005, O Presidente Bush, nomeou o pimeiro, Chefe de Gabinete do Conselho de Qualidade Ambiental da Casa Branca, pelo que se tratou de uma autêntica anedota.
Foi um insulto à opinião pública americana, quando demitiu o cientista Richard Piltz. Mas não ficou por aí, quando o AEI, tentou subornar cada cientista e economista para pôr em causa o relatório, por 10000 dólares.
Em síntese, esses prolegómenos, retiram ainda mais autoridade à IV avaliação, cuja chave como sabemos, foi a de empurrar para o próximo século, desastres que começaram na primeira década do actual.
Quanto ao “lobby”“ petrolífero, é um caso de grave miopia, pois não vemos qual o motivo de dourar a pílula ambiental se, em vinte anos, se terão esgotado as reservas mundiais de combustíveis fósseis, ou seja, o seu próprio negócio? Existem dados irrefutáveis, entre eles, o facto de o planeta ter aquecido durante os últimos cem anos, cerca de 0,75 graus centígrados, e nas próximas décadas, continuará a acontecer, a um ritmo de 0,2 graus por década.
As temperaturas do Árctico aumentaram o dobro quando comparadas com a média global.
As secas aumentam em África e no Mediterrâneo.
A concentração de dióxido de carbono na atmosfera é a mais alta dos últimos seiscentos e cinquenta mil anos, sendo 35% mais alta que antes da revolução industrial do século XVIII. Não se tratam de advertências ditas de forma isolada por grupos de ecologistas. Di-lo o IPCCC, que no seu relatório ainda que apressado, não pode ser mais alarmista. Estamos a sobrecarregar o planeta. A culpa é de todos nós, sem excepções, e muitas das suas consequências são irreversíveis.
O IPCCC, envolveu durante os últimos seis anos, tês mil cientistas de todo mundo, cujas conclusões se plasmaram no quarto relatório. Os cientistas usam uma linguagem mais dura, da utilizada até ao momento, para advertir que o aquecimento global é provocado pelo homem, e o futuro do planeta não é demasiado optimista. As alterações climáticas são como um comboio que está em andamento, e não é possível pará-lo nos próximos séculos.
O gelo do Árctico diminuiu 3% em cada década; o degelo dos glaciares da Groenlândia e da Antárctida propiciaram um aumento do nível do mar de 0,41 milímetros por ano entre 1993 e 2003, e apenas no que concerne aos continentes gelados. O aumento das temperaturas também propiciaram graves secas, especialmente em África, nos países do Mediterrâneo e no Sul da Ásia, ainda que, ao contrário tenham aumentado as precipitações nas zonas mais Orientais do Norte e Sul dos Estados Unidos, Norte da Europa e Norte e Centro da Ásia.
Os cientistas constataram, que as secas foram mais longas e intensas, desde 1970 nos trópicos, e que se intensificaram as inundações, as ondas de calor ou os ciclones tropicais. Quem é o culpado de quase todos os males que sofre o planeta? A conclusão é rotunda, o homem.
O relatório do IPCCC, atribui à actividade humana a acumulação na atmosfera de gases de efeito de estufa, provocados pela queima de combustíveis fósseis, pela agricultura e pelas mudanças de uso do solo.
O relatório dá relevância ao aumento da temperatura que sofrerá a terra nos próximos anos, que calcula entre 1 e 6,3 graus este século, dependendo da quantidade de gases de efeito estufa, que se emitam para a atmosfera. As recentes investigações da NASA, assinalam, que caso não houvesse mais emissões, o aquecimento de cerca de 0,6 graus, seria irreversível, devido aos gases já emitidos.
Sendo impossível evitar os danos do passado, e dos próximos 50 anos, o quadro é bastante desolador e grande tarefa terão os governos, e a educação ambiental, que deve ser introduzida desde o ensino primário nas escolas, como disciplina obrigatória, porque sendo impossível salvar o planeta e a vida, trata-se da mais dura batalha existente, que é prolongar a vida do planeta e a nossa.
















