“Temos de fazer algo pelos riscos das alterações climáticas. É um tema que vai além da política, é uma questão moral, e está nas nossas mãos solucioná-la”
Al Gore
As alterações climáticas que têm estado na agenda dos países a nível global, criam devastadores efeitos na fauna e flora do planeta. O relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), tornado público em Paris dia 2 do passado mês, e sobre o qual temos vindo a reflectir nestes últimos escritos, revela que 30% das espécies do planeta, estarão em grave risco de extinção, se as temperaturas subirem este século, cerca de dois graus centígrados, como se prevê.
Mas, nem só as espécies animais serão afectadas seriamente. As consequências das alterações climáticas serão evidentes na saúde, com o aparecimento de novas doenças (aquando do aparecimento da SARS, um cientista do Instituto Pasteur, declarou à France 2 – Televisão pública francesa que só a região de Cantão era um ninho de incubação de mais de 3000 vírus.
Perante o pânico que se viveu, foram gloriosas afirmações negativas e falsas como se veio a confirmar, mais parecendo o cenário de uma batalha intergaláctica bacteriológica. A China tem evoluído de forma astronómica no campo da higiene sanitária, e existem muitos países em piores condições, que não são objecto de atenção) a inexistência de água doce suficiente, a escassez das colheitas, etc.
O aumento da temperatura teve um forte efeito no planeta, e este inverno tem sido notório em boa parte do mundo, com plantas a germinarem e florescerem antes do tempo ou a manter as folhas por mais tempo; espécies de aves a mudar os seus períodos de migração ou nascimento; animais que alteram os seus biorritmos e prescindem da hibernação; mudanças de pelagem e metabolismo em muitas espécies e alterações de comunidades marinhas devido ao aumento da temperatura da água ou mudanças na salinidade e nas correntes, entre outros.
Os cientistas têm avisado, se este século o aquecimento for superior aos ditos dois graus centígrados em relação à média dos anos de 1990, o impacto será tremendamente negativo para o mundo, e catastrófico nas zonas costeiras e muitas ilhas.Os dois graus centígrados afectarão, com uma concentração de gases de efeito estufa na atmosfera equivalente ao dobro do nível da era pré-industrial, que estava em 280 partes por milhão.
O nível actual é de 380 partes por milhão, e cresce rapidamente.As regiões do planeta, que serão mais afectadas com impactos negativos, nos sistemas naturais e socioeconómicos, por si críticos, serão a África, Sul, Este e Sudeste da Ásia e grandes territórios da América do Sul.
Não significa, que os impactos das alterações climáticas sejam insignificantes na América do Norte, em particular nos Estados Unidos e Canadá, mas os esses países encontram-se mais bem preparados para enfrentar este tipo de problemas.
As alterações climáticas são inequívocas, e o relatório do IPCCC, nada mais revela que uma realidade existente.
Os 6000 cientistas que compõem o Grupo, limitam-se, a apontar factos e possíveis efeitos.Não são apresentadas medidas preventivas ou de ataque aos problemas.Mais fez o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore que ganhou o Óscar para o Melhor Documentário por “Uma Verdade Inconveniente”, cujo tema é o seu alerta sobre os efeitos das alterações climáticas, incluindo críticas à gestão ambiental do actual presidente dos Estados Unidos, George W.
Bush, assim como a manipulação dos relatórios científicos, que frequentemente incluem verdades, que não estão de acordo com determinados interesses políticos e económicos.
A rodagem desse documentário devia ser obrigatório nas escolas, universidades e nos cinemas gratuitamente.Talvez não ganhe 40 milhões de dólares pelas suas campanhas globais pelo ambiente, como ganhou o seu sócio no binómio presidencial cessante William Clinton, com os seus pobres discursos, idênticos ao seu estéril livro “My Life”, mas tem feito muito pelo planeta e pelo ser humano.
Os efeitos das alterações sentir-se-ão em todo o planeta, e também na Península Ibérica (Portugal e Espanha), onde os cientistas prevêem uma descida do número de dias frios, reduções da média anual de chuva e de neve, aumentos de chuvas torrenciais, vagas de calor e aumento da salinidade das águas do Mediterrâneo.
O relatório dissipa qualquer dúvida, a respeito do aceleramento do ritmo do aquecimento global, não mantém dúvidas a esse respeito, e faz um apelo muito forte aos governos de todo o mundo.
Nos últimos anos, o aumento do nível do mar intensificou-se, como também aumentou o ritmo de fundição dos glaciares e das calotes de gelo.A Europa teve o aumento de um grau centígrado no último século, a um ritmo mais rápido que a média mundial, e a concentração de dióxido de carbono em 2005, atingiu o maior valor dos últimos 650000 anos.
Todos estes factores, podem prever para Portugal, um aumento das chuvas torrenciais e uma maior frequência das vagas de calor, até ao ponto de se produzir uma, em cada período, de três a cinco anos.
Este problema, é o maior que a humanidade enfrenta. Constata-se, que os 15 anos mais quentes registados, deram-se nos últimos 20 anos, e 11 deles foram depois de 1995, o que demonstra que a segunda metade do século XX, foi a época mais quente durante os últimos 1350 anos no Hemisfério Norte.
Além disso, prevê-se que a cobertura de neve se contraia, e o gelo do mar diminuía quer no Árctico, quer no Antárctico.
No dia 3, mais de 40 países apoiaram, em Paris, a criação de uma organização das Nações Unidas para o meio ambiente, proposta na conferência internacional “Cidadãos da Terra”, que encerrou com um apelo ao combate e degradação do planeta, que chegou a um limite irreversível. A humanidade está a destruir, a uma velocidade aterrorizadora, os recursos e equilíbrios que permitiram o seu desenvolvimento e que determinam o seu futuro.
O “Apelo de Paris”, foi lido no final da conferência, pelo Presidente Jacques Chirac, e promove a transformação do actual Programa da ONU para o Meio Ambiente numa agência similar à Organização Mundial da Saúde (OMS), que seja uma voz forte, reconhecida no mundo, e que permita avaliar os danos ecológicos e compreender, estudar e criar fórmulas para os remediar.
Entre os que apoiam a criação dessa organização da ONU, figuram a maioria dos países europeus, cerca de vinte países de África, Ásia e América do Sul. O Presidente Jacques Chirac terminou a leitura afirmando: “Lançamos um apelo solene para uma grande mobilização internacional contra a crise ecológica e em prol de um crescimento respeitador do meio ambiente, e que o futuro do planeta no seu conjunto está em jogo, e a sobrevivência de toda a humanidade em perigo.
Chegou o momento de sermos lúcidos, de reconhecer que chegamos ao limite do irreversível, do irreparável, de admitir que não podemos permitir-nos esperar; que cada dia que passa, agrava os riscos e os perigos”.
A preocupação pelo meio ambiente deve estar no centro das decisões e iniciativas dos subscritores, que se comprometem a adoptar medidas indispensáveis para evitar e combater os perigos, em particular os resultantes das alterações climáticas, cuja gravidade é de todos conhecidos.
O “Apelo de Paris”, estabelece a necessidade de criar uma “Declaração Universal dos Direitos e Deveres Ambientais”, que garanta um novo direito humano, o de um meio ambiente saudável e protegido.
Recusa o modelo económico, baseado na dilapidação desenfreada dos recursos naturais e na contaminação, devendo ser substituído, por outro modelo que esteja ao serviço do desenvolvimento sustentável e da luta contra a pobreza.
Neste sentido, foram convidados a compartilhar entre os países ricos, os emergentes e os menos avançados, esforços, propondo a criação de mecanismos de financiamento inovadores para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se.
O apelo, reconhece que mais de 40 países conformam um grupo pioneiro, para a criação de uma agência da ONU para o Meio Ambiente, fazendo um convite a todos os estados a unirem-se a este combate.
Veremos quem adere à solidariedade global da protecção do meio ambiente. Certamente, os Estados Unidos não entenderam bem o apelo a bem dos seus interesses industriais.
















