“So it is no surprise that several governors from America's Federal Reserve are attending a conference on March 9th to discuss a new report on the Great Inflation, written by a weighty group of macroeconomists from academia and Wall Street.”
The Economist
Os bancos centrais dos países mais industrializados, na sua reunião bimestral realizada a 13 em Basileia e denominada por G-10, cujos membros são na realidade 11 países, e compostos pela Alemanha, Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça, que consideraram que a recente queda dos mercados bolsistas de todo mundo, foi uma correcção, não motivada por alterações na situação económica global.
A seguir a esta reunião, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), que também é o porta-voz do grupo, explicou que a evolução da economia global é positiva, pelo que desvalorizou a queda, dada a necessária correcção em termos de ajuste nos mercados.
Entre as observações do G-10, no que diz respeito a esta correcção, a mesma foi ampla, global e rápida, dando-se num curto período de tempo, de apenas alguns dias e afectou muitos sectores dos mercados financeiros.
Situação, que nos leva a uma primeira conclusão considerando este episódio de uma memória útil, de que nos mercados financeiros existem riscos que, se tinham subvalorizado.
O rendimento variável de todo mundo observou há duas semanas uma forte queda, arrastada pelo trambolhão das Bolsas chinesas e o receio de uma desaceleração da economia dos Estados Unidos mais forte do que o esperado.
Como segunda conclusão, retiramos o facto de que os recuos mais pronunciados produziram-se nas Bolsas que mais tinham subido de forma precipitada, o que, demonstra que a acção foi uma genuína correcção e que os mercados reagiram melhor do que se esperava.
O G-10, constatou que, nesta situação, o volume de trocas subiu consideravelmente, ao mesmo tempo que os mercados permaneceram líquidos e as infra-estruturas funcionaram correctamente.
Quanto às perspectivas de crescimento todos os países membros foram unânimes acerca da existência de boas perspectivas de crescimento para a economia mundial este ano, cujas circunstâncias continuavam inalteradas, e como terceira conclusão, o G-10 não crê que a queda das Bolsas terá repercussões na economia real.
O governo francês, assinalou que a conjuntura global atravessa um período muito favorável, em termos de crescimento, que actualmente é mais equilibrado entre as regiões.
Ainda assim, os países emergentes contribuem mais activamente para o aumento económico global do que outras economias, como a americana, japonesa ou europeia, mas tal situação, não modifica a percepção de equilíbrio geral.
O presidente do BCE, na sua qualidade de porta-voz dos bancos do G-10, considerou que não é tempo para a complacência, ou seja, que se deve efectuar um seguimento com muita atenção de todos os factores a fim de assegurar a estabilidade financeira, que situamos como quarta conclusão.
Relativamente aos preços de consumo, destaque-se que as expectativas de inflação devem permanecer solidamente ancoradas à escala global e os bancos centrais mantêm-se em estado de alerta para conseguir este objectivo.
Existe a necessidade de uma vigilância cuidadosa da evolução dos preços dos mercados imobiliários (não aplicável a Macau, dado não ter interesse, entenda-se a razão).
A actual política monetária dos principais bancos centrais do mundo, que tende a aumentar as taxas de juros, teve uma influência nos movimentos dos mercados imobiliários.
Na reacção dos mercados está incluída a actuação do Banco Central do Japão, que decidiu a 9 reduzir a quantidade de dinheiro concedido às entidades de crédito.
Medida que é o fim de uma política monetária demasiado expansiva, e que nos últimos cinco anos injectou enormes quantidades de dinheiro para combater a deflação.
Nesse sentido é de prever que o Banco Central do Japão aumente as taxas de juros em 0,25% em Dezembro, o que fará pela primeira vez desde Agosto de 2000, a manter-se o ritmo de crescimento da economia japonesa.
Recordemos que o Conselho de Governo do BCE, decidiu a 8 subir as taxas de juro a curto prazo para a “zona euro” em 0,25% pontos básicos, até 3,75% dado os riscos nas tendências de aumento, tendo em vista a estabilidade de preços, para além do médio prazo identificados nas suas análises económicas e monetárias.
Os mercados tinham antecipado esta decisão, depois de os membros do órgão executivo da entidade, insistirem no último mês nas pressões inflacionistas que existem na “zona euro”.
No entanto, o BCE reviu em termos de descida as suas previsões de inflação para este ano, em comparação com as publicadas em Dezembro passado, até uma média de 1,8%, devido à queda dos preços do petróleo.
Segundo a explicação do presidente do BCE, este aumento das taxas de juros deveu-se a uma alteração nas previsões da inflação para 2008, uma vez que o bom momento económico pode levar ao aumento dos preços.
Nas projecções de Dezembro de 2006, o BCE tinha calculado uma taxa média de inflação para a “zona euro” de 2%,este ano, e do 1,9% para 2008.
Apesar deste aumento, as taxas de juro do BCE ainda são moderadas, dado o favorável ambiente económico, o vigoroso crescimento monetário e do crédito e a ampla liquidez na “zona euro”.
Este aumento contribuirá para manter as expectativas de inflação a médio prazo em níveis conformes à estabilidade dos preços.
A taxa de inflação inter-anual, manteve-se em Fevereiro em 1,8%, igual à de Janeiro, e a diminuição dos preços desde o verão devem-se fundamentalmente ao embaratecimento da energia.
No que diz respeito à economia da “zona euro”, os indicadores mais recentes mostram que o forte crescimento conjuntural continuou este ano e as perspectivas a médio prazo para a actividade económica dos países do “euro” continuam a ser favoráveis.
O BCE prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da “zona euro” crescerá a uma média de 2,5% este ano, face aos 2,2% prognosticado em Dezembro último, e melhorará para 2,4% em 2008, ou seja, uma décima mais do que o calculado anteriormente.
A revisão para um aumento do PIB este ano e no próximo está justificada pelo forte crescimento da economia da “zona euro” na segunda metade de 2006 e pelo embaratecimento dos preços da energia, como dissemos.
A instituição europeia elevou também em 0,25% a facilidade marginal de crédito, pelo empréstimo às entidades, até 4,75%, e a facilidade de depósito, pelo qual remunera o dinheiro, até 2,75%.Os sindicatos reclamam que tal medida se reflicta nos salários, no bom momento que atravessa a economia da “zona euro” e os altos ganhos das empresas, pelo que chegaram a pedir aumentos de 6,5% para alguns sectores.
A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) considerou que os aumentos das taxas de juro podem arriscar a recuperação económica.
É de prever que o BCE aumente as taxas de juro uma vez mais, até 4% ainda este ano, talvez na reunião de Dublin, em Maio.
A decisão era esperada pelos mercados.
Nesse sentido, as Bolsas não acusaram a subida, ainda que o euro tivesse descido de 1,3178 a 1,3123 dólares.
A Associação Europeia das Câmaras de Comércio e Indústria lamentaram o aumento por considerá-lo em detrimento do auge económico.
O BCE segue desconfiando para além do médio prazo da repercussão dos preços do crude, da volatilidade dos mercados, e de um excesso de liquidez e pressões salariais, que são riscos para o aumento das taxas de juro, a fim de manter a estabilidade que vem identificando nas suas análises económicas e monetárias, pese o forte eco nos mercados financeiros, das sombrias declarações de Alan Greenspan, que alertou recentemente sobre uma possível recessão nos Estados Unidos.
O Federal Reserve (Fed, banco central americano) procedeu em 31 de Janeiro, ao décimo quarto aumento consecutivo das taxas nos Estados Unidos, passando para 4,5%, e afirmou que continuará a manter uma política monetária restritiva durante mais alguns meses, para conter a inflação desencadeada pelo forte crescimento da maior economia do mundo.
Os preços da habitação dispararam nos últimos anos em alguns países da “zona do euro”, como na França, Holanda, Irlanda, Inglaterra e Espanha, e em algumas áreas dos Estados Unidos.
Todavia, a reunião do G10 destacou que o proteccionismo que algumas economias do mundo aplicaram recentemente, é um grande risco para o crescimento económico internacional e para os interesses dos consumidores de cada país.
Os bancos centrais compartilham a opinião de que é importante que a economia global seja tão ampla quanto possível, pois contribui para impelir o crescimento económico e manter a estabilidade de preços e custos de vida unificados.
Os bancos centrais são sempre a desfavor do proteccionismo, e actualmente observamos uma tendência que vai noutra direcção (a favor dele).
Os bancos centrais dos países mais industrializados do mundo consideram que o nível actual dos preços do petróleo, é outro risco para o crescimento da economia mundial.
Se os preços do petróleo subirem, seriam adversos em termos de crescimento global, da inflação, e pelo risco de criarem efeitos colaterais, como aumentos salariais ou dos preços de outros produtos.
















