“Angola, sub-Saharan Africa's number two crude producer after Nigeria, overtook Saudi Arabia earlier this year as the largest oil supplier to China.”
Randy Fabi
Angola, como país produtor de petróleo do Sudoeste africano, integrou-se oficialmente a partir de dia 1 na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, (OPEP), passando a ser o décimo segundo membro do cartel.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo de África, a seguir à Nigéria. Por esta via, Angola começa a ter peso na geografia política global do petróleo. Este facto que repercussões terá? Numa rápida visão parece que nada se altera, pois não existe um verdadeiro ambiente para a realização de negócios, uma vez que detém os mesmos problemas que caracterizam quase todos os países africanos, que é a pobreza e a corrupção.
Numa visão mais larga, terá de se considerar como um dos três países petrolíferos que cresce a maior ritmo no mundo, a ponto das tradicionais e maiores multinacionais prospectoras, produtoras e refinadoras de petróleo, como a Exxon Mobil, BP, Chevron e outras terem investido milhares de milhões de dólares nos últimos dez anos, interessadas em localizar e extrair vastas reservas submarinas além da plataforma/ mar epicontinental angolano.
Esforços que começam a dar fruto. Angola é um dos fornecedores de crude dos Estados Unidos e importante para o seu desenvolvimento. Conjuntamente com a Nigéria e países vizinhos de superfície menor, que se identificam pela excessiva violência no Golfo da Guiné, está a caminho de se converter numa das prioridades em termos de fornecimento de hidrocarbonetos do maior importador do mundo.
Nos próximos três anos, os países produtores daquela região africana contribuirão com um em cada três barris adicionais de crude a serem extraídos. Em 2015, os Estados Unidos comprarão 25% dos seus hidrocarbonetos, face aos cerca de 15% que adquirirá este ano. As capacidades de Angola derivam de uma sequência de grandes descobertas feitas numa área de 150 quilómetros no mar.
Por tal motivo, a produção decuplicou desde metade dos anos de 1970, e no ano passado correspondia a mais de mil e quinhentos milhões de barris diários b/d, que devem atingir dois milhões em 2008 e dois mil e seiscentos milhões em 2010, equivalente à totalidade da produção do Kuwait.
Angola terá relevância no tabuleiro geopolítico mundial. Actualmente instiga a rivalidade entre as empresas ocidentais, russas e chinesas. A China definiu-a como uma meta prioritária, pelo qual concedeu milhares de milhões de dólares em créditos, assistência ao desenvolvimento e bem-estar social, a bem da alteração de tratamento favorável em matéria petrolífera.
O ano passado, Angola superou a Arábia Saudita como o maior fornecedor da China. Angola depara com sérios atrasos em termos de desenvolvimento. As empresas petrolíferas crêem que Angola pode ser uma das últimas áreas virgens do mundo. Após a Ente Nazionale Idrocarburi de Itália (ENI) ter avaliado em novecentos milhões de dólares uma faixa marinha, a parceria constituída pela empresa petrolífera estatal angolana Sonangol e a sua congénere chinesa Sinopec ofertou dois mil e duzentos milhões de dólares por dois blocos contíguos. As empresas ocidentais são mais cautelosas, dada a falta de transparência e uma história de venalidade tipicamente africanas.
Angola foi palco de uma guerra civil de 27 anos desde a independência apressada em 1975, dada pelo nosso país, com todos os traumas e nefastas consequências que todos conhecemos. Após a retirada de um outro domínio colonialista da pior espécie, como o da ex-união soviética, através dos seus lacaios cubanos e de seguida dos Estados Unidos, que actuavam através das guerrilhas apoiadas através do Congo, e durante o período de duração do regime racista sul-africano, Angola passa em 2002 a comandar o seu destino.
Terminada a luta, o MPLA, o partido dirigente, mandou de regresso a casa os cubanos e abandonou o seu peculiar carácter marxista. As eleições foram desde esse tempo pospostas várias vezes e estão previstas para 2009.
O presidente vitalício, José Eduardo dos Santos, não parece interessado em melhorar os deploráveis índices sociais e éticos, apenas estando interessado nos económicos. Como sucede na Nigéria, às empresas petrolíferas não lhes interessa a situação social do país.
Não existem, garantias de que os produtores africanos sejam mais estáveis que a maior parte dos do Oriente. Para os importadores de petróleo, depender de países situados em áreas demasiado voláteis é um sério risco, cujo problema foi criado pelas potências coloniais a partir do Congresso de Berlim de 1885.
Primeiro, repartiram arbitrariamente grande parte de África. Segundo, descolonizaram-na da forma mais cómoda e absurda, consolidando os limites desenhados entre 1885 e 1919.
Surgiram dessa forma, países interiormente etnicamente anárquicos como a Nigéria, Congo Kinshasa, Angola, Zimbabué ou Sudão. Este processo afastou a arrumação étnica.
Simultaneamente, a oferta global de hidrocarbonetos tende a concentrar-se em regiões instáveis. Em dez anos, cerca de quinze produtores representarão 70% da totalidade da produção, face aos 55 actuais.
Os mercados têm vindo a baixar os preços desde Julho de 2006, com esporádicas e parciais subidas.
Há quem relativize esta situação. Por exemplo, no ano transacto as grandes empresas petrolíferas integradas obtiveram utilidades. Não obstante, prevê-se que este ano o mercado continuará a ter o mesmo comportamento, ainda que a procura da China se mantenha, apesar do declínio das reservas mundiais.
Esta combinação devia ter como resultado um aumento nos preços e mercados bolsistas com cotações fortes em 2008 e 2009. Quanto ao gás natural, energia nuclear e algumas outras fontes de energia alternativa a tendência é de subvalorizar as pressões da procura e a sobrevalorizar a oferta.
Mais, quando parece estar iminente a formação da organização dos maiores exportadores mundiais de gás (OPEP do gás) que tudo indica se formalizará no dia 9 em Doha no Qatar e que terá como membros fundadores a Rússia, Irão, Qatar, a Venezuela e a Argélia.
A União Europeia ficará mais dependente do fornecimento do gás russo. A organização terá como objectivo central, regular a extracção e exportação de gás natural. Com excepção da Rússia, não é de esperar um crescimento da produção de crude fora da OPEP.
A Arábia Saudita e os seus satélites talvez aumentem a extracção, tal como a Venezuela, Nigéria, Angola, Irão e Iraque. Este ano, o mundo consumirá cerca de 88 milhões de b/d.
Se todos os poços continuarem operacionais, a produção subirá cerca de 1% como prevê a Agência Internacional de Energia, e o total atingirá cerca dos 90 milhões de b/d. A produção em novos jazigos não se dará ao ritmo dos que forem substituídos. O que acontecerá se a China e a Índia desaceleram? A China admitiu que essa situação começará este ano.
O crescimento deverá passar dos anteriores 9,5% a 11% para 8% a 9%, que continuam a ser excepcionalmente altos. Todavia, não acreditamos que as principais economias diminuam o seu crescimento, e as possibilidades de uma queda na procura de hidrocarbonetos são remotas.
Se o ritmo de expansão da economia chinesa se reduzisse para metade, o que será algo impensável, os mercados presentemente iriam ter uma reacção fortemente negativa. A China actualmente não consome cerca de 6,5 milhões de b/d, face os 20 milhões de b/d dos Estados Unidos.
A procura mundial de crude dificilmente baixará dos cerca de 86-88 milhões de b/d, em 2008. Não se esperando aumentos significativos da capacidade produtiva, a relação entre a oferta e a procura continuará a ser tensa. No início da semana o preço do barril Brent, de referência na Europa, atingiu o seu máximo anual de 63,73 dólares, devido ao conflito diplomático surgido depois da detenção por parte do Irão de 15 marines britânicos, que o governo iraniano afirmou que se encontravam nas suas águas territoriais.
Esta crise não afectou os mercados bolsistas e os factos coincidem com as pressões contra o programa nuclear iraniano, e quando o Presidente George Bush foi derrotado ontem, numa tentativa de alterar o cronograma de evacuação dos militares americanos do Iraque aprovado pelo Senado, bem como do projecto de aumento das despesas de guerra. Todavia, ameaça vetar qualquer lei sobre a retirada de tropas.
O incidente fez aumentar até aos 64 dólares o barril de crude em Nova Iorque e a cerca de 56,50 dólares em Londres. Este erro iraniano deu origem a uma semana mais parecida como de jogos de guerra no acesso aos grandes jazigos do Irão, Iraque e Kuwait.
















