“I made a mistake for which I am sorry.”
Paul Wolfowitz

O Banco Mundial (BM), vive uma crise crescente criada pela política de gestão de pessoal que o seu presidente, o americano Paul Wolfowitz tem seguido.
Primeiro foi o escândalo devido ao favoritismo para com a sua namorada, a inglesa de origem tunisina Shaha Ali Encrespa.
A situação atingiu o auge, uma vez que não foi a única a beneficiar da generosidade do presidente da instituição, que antes de ocupar o seu actual cargo foi Subsecretário da Defesa dos Estados Unidos e o principal promotor da invasão do Iraque.
Sob administração de Paul Wolfowitz, o BM contratou várias pessoas que desempenharam altos cargos na Administração do Presidente Bush e simpatizantes do Partido Republicano numa política de nomeações que os funcionários públicos da instituição consideram como obedecendo a critérios políticos e destaca-se por ser levada a cabo em termos ridiculamente generosos do ponto de vista da duração dos contratos e da sua remuneração.
Para além da sua namorada, a chave do problema reside em quatro nomeações. Uma é a de Robin Cleveland, que antes de ser contratada para o BM era a directora adjunta de Segurança Nacional no Escritório de Gestão e Orçamentos da Casa Branca.
Outro, é o de Kevin Kellems, um ex alto funcionário público do Pentágono. Ambos têm contratos por tempo indefinido, o que é uma prática anómala, dado que são assessores do presidente, com salários líquidos anuais de 250000 e 240000 dólares, respectivamente.
Ambos foram colocados num nível administrativo superior inclusive ao dos vice-presidentes do BM. A nível hierárquico superior só existem quatro pessoas, incluindo o presidente do BM, o que cria um sério problema ético.
O Departamento de Integridade Institucional do BM não parece ser o mais adequado para resolver esta situação, tanto mais que Paul.
Wolfowitz colocou na chefia do mesmo a mulher de George Folsom, que trabalhou para a Administração do Presidente George Bush pai e chegou a organizar actividades para obter fundos para o Partido Republicano o ano passado.
A quarta nomeação controvertida é a de Karl Jackson, ex colega do presidente do BM, na Escola de Estudos Internacionais Avançados (SAIS) da Universidade Johns Hopkins, e que tal como Paul Wolfowitz é um neoconservador, que recentemente afirmou publicamente em relação às torturas em Guantánamo e Abu Ghraib, que naquele tipo de guerra tem de se fazer coisas desagradáveis, e tem de se continuar a fazer.
Foi assessor do Presidente Bush pai e falta-lhe tal como a Paul Wolfowitz experiência no campo do desenvolvimento económico, apesar de ter sido contratado por dois anos a tempo inteiro, com um salário bruto anual de 210000 dólares.
As obrigações para com a SAIS impediam-no de se dedicar mais de três dias por semana à instituição, tendo há três meses o seu contrato sido rescindido e actualmente é consultor a tempo parcial.
Esses problemas somam-se aos da namorada há cinco anos do presidente do BM. Antes da tomada de posse do ex Subsecretário de Defesa americano como presidente do BM, foi transferida para o Departamento de Estado dos Estados Unidos para evitar um conflito de interesses.
Completou o presidente do BM a sua generosidade com um aumento salarial de 50000 dólares para 193000 dólares anuais líquidos, uma subida de categoria e um aumento da sua remuneração este ano de 7,5%, mais do dobro do teoricamente permitido.
O seu salário é pago pelo BM, o que significa que a comunidade internacional está a pagar-lhe um cargo na Administração dos Estados Unidos.
Esta é uma prática que se costuma seguir em países em vias de desenvolvimento, mas não para pagar a funcionários públicos do Governo da primeira economia mundial.
No dia 12, o Conselho Executivo do BM adiou a sua decisão sobre o futuro do presidente da instituição, depois de uma reunião em que se debateu o polémico salário da sua namorada.
O Conselho afirmou que o presidente tinha aumentado o salário da namorada sem consultar a Assembleia e o Comité Ético.
A promoção da namorada foi efectuada pouco tempo depois de Paul Wolfowitz ter sido nomeado para o BM, em Setembro de 2005.
Os directores executivos actuarão com rapidez para chegar a uma conclusão sobre as possíveis medidas a tomar, segundo afirmou o Conselho Executivo.
Os administradores da instituição indicaram num comunicado que os termos e condições do acordo não tinham sido nem comentados, nem examinados ou aprovados pelo Comité Ético, o seu presidente ou o Conselho de Administração.
Esta posição enfraquece mais a posição do Presidente do BM, que no mesmo dia deu explicações públicas.
Reconheceu que decidiu só, os detalhes do aumento do salário da namorada e pediu perdão pela sua actuação. A Associação de Empregados do Banco Mundial pouco tempo depois das explicações dadas pelo presidente, pedia a sua demissão, uma vez que a sua conduta punha em causa a integridade e actividade do BM e com estas acções tinha destruído a confiança dos funcionários na sua liderança.
A carta, entretanto, enviada por estes ao Conselho Executivo, no qual estão representados os 185 países membros, solicita que se efectue uma pesquisa internacional para encontrar um novo presidente.
Paul Wolfowitz divorciou-se da mulher, depois de mais de 30 anos de matrimónio.
Apenas, quando foi nomeado para dirigir o BM, revelou a sua relação com Encrespa, que trabalhava como relações públicas no Departamento do Médio Oriente e Norte de África (MENA) do BM.
As regras da organização multilateral com sede em Washington proíbem que os casais se supervisionem entre si ou tenham a mesma autoridade hierárquica, o que forçou a namorada a ascender a um posto executivo um dia antes da sua saída do Banco em que os aumentos salariais desde então fossem superiores a 60000 dólares, o que considerando o seu salário anual livre de impostos é superior ao da Secretária de Estado Condoleezza Rice, sua superior hierárquica.
Todavia, ao invés de lhe restar a dignidade de pedir a exoneração, afirmou que não se demitirá, pese as pressões para que abandone o cargo.
No comunicado final da Assembleia do FMI e do Banco Mundial, o Comité de Desenvolvimento reconheceu a sua grande preocupação pelo caso de suposto nepotismo no qual está envolvido o presidente do BM.
Mesmo continuando as investigações a decisão deverá ser fatal para Paul Wolowitz, pois deve continuar a existir a garantia de que o BM possa levar a cabo o seu mandato de forma efectiva e manter a sua credibilidade e reputação, além da motivação dos seus funcionários Este escândalo é mais uma nódoa acrescentada às centenas que têm o símbolo de condecorações por mau comportamento do Presidente Bush e da sua administração, que contra todos os factos e sem argumentos continua a apoiar o seu amigo ideológico.
A opinião pública americana considera na sua maioria que falta a autoridade moral ao presidente do BM para continuar com a sua missão a favor de um bom desempenho da instituição no mundo em desenvolvimento O governo americano tradicionalmente designa o presidente do BM num “pacto de cavalheiros”, sendo a liderança do FMI entregue a um europeu.
Para quem, desde que assumiu o cargo tem feito combate contra o nepotismo e corrupção, acaba por ficar preso na mesma teia.
O grupo de investigadores não simpatiza com Paul Wolfowitz, pois alguns deles sentem-se hostilizados pelo círculo íntimo do presidente, imposto pelo Presidente George Bush.
Enquanto, o Estado de Vermont pede o julgamento político do presidente e vice-presidente Richard Cheney por abusar das faculdades constitucionais no Iraque e Afeganistão.
Os vinte e quatro membros que compõem este grupo de investigação, demonstraram preocupação pelo assunto e insistiram em analisá-lo de forma imediata.
Em parte, porque os favores à sua namorada muçulmana, não começaram no BM, mas antes, na Defesa.
Segundo o Pentágono, Riza é líbia e foi contratada por Paul Wolfowitz, em 2003, para definir um projecto de governo em Bagdad.
Entretanto, a Secretária de Estado americana exigiu ao BM para retirar Riza da missão no Departamento de Estado. Desde que assumiu o cargo Paul Wolfowitz apoiou publicamente a política bélica do Presidente Bush e a frustrada invasão israelita no Líbano.
Apesar de ser judeu ortodoxo, não pode envolver a instituição nessas tomadas de posição.
O BM bem como o FMI, nasceram da Conferência de Bretton Woods, realizada nos Estados Unidos em Julho de 1944.
Foi criado com o fim de promover a reconstrução e desenvolvimento da Europa devastada pela guerra, e no decurso dos anos as suas competências e objectivos foram-se alargando.
Tem como objectivo “grosso modo” reduzir a pobreza a nível mundial, impulsionar o desenvolvimento sustentável, a boa governação, o respeito pelos Direitos Humanos, e a reconstrução de territórios destruídos por catástrofes, entre outros.
















