“Manufacturing growth accelerated in April as the PMI registered 54.7 percent, an increase of 3.8 percentage points when compared to March's reading of 50.9 percent.”
Institute for Supply Management

A passada semana, a moeda americana foi duramente atingida, tendo chegado por breves momentos a atingir face à libra os mínimos dos últimos vinte e cinco anos ou seja 2,0195 por libra esterlina. O euro entretanto, atingia o topo cotando-se a 1,655 dólares. Qual a razão desta deterioração do dólar? Tiveram como causa as expectativas sobre a subida das taxas básicas na “zona euro” e no Reino Unido. Todavia, é necessário estabelecer-se uma diferença qualitativa. Enquanto o euro é uma divisa real, uma vez que a política das taxas de juros do Banco Central Europeu (BCE) é de interesse mundial, a libra é apenas uma matéria de interesse dos operadores anglo-saxões, tal como o franco suíço, não ser uma moeda de reserva.
O máximo em quase três anos atingido pelo euro é muito mais relevante que os recordes da libra, em que o seu valor teve cotações superiores ao dólar entre quinze a vinte anos. Por razões opostas, o dólar mantém-se acima de 118 ienes em Tóquio, dado que o Japão intervém constantemente para não haver descida. Ao contrário da libra esterlina ou do franco suíço, o iene é uma divisa de reserva na Ásia Oriental e do Sudeste. Em geral, os operadores que movimentam contratos de futuros cambiais crêem que a Reserva Federal americana acabará por baixar em 0,25% a taxa de juro básico de 5,25% para 5% anuais, ao invés do BCE que planeia aumentar por igual margem de 4,75% para 5% em Junho.
Os recentes recordes do ouro que atingiram dia 23 do mês passado, 692,3 dólares a onça em Nova Iorque, por outro lado, apontam a vulnerabilidade do dólar e uma crescente instabilidade nos câmbios, bolsas e investimentos. Fundamentalmente, os operadores e especuladores supõem que a economia real americana atinja a recessão anunciada em Fevereiro por Alan Greenspan. A acontecer retiraria o suporte a uma série de máximos registados na Wall Street. No dia 26 do mês passado, a Dow Jones registou outra, com 13090 pontos, ainda que não acompanhasse as bolsas europeias. Os sintomas de reactivação na “zona euro” e no Japão, estão a atrair capitais de todo o tipo, o que não agrada ao Presidente do BCE. Os enormes deficits americanos nas balanças de pagamentos e comércio externo pesam, ainda que a Wall Street e o governo americano façam tudo para diminuir a sua real importância ou não os ter em conta, parecendo que nos Estados Unidos não se leva a sério o “ranking de liberdade económica” de 2006. Este índice é uma criação conjunta da Heritage Foundation ultraconservadora e do Wall Street Journal. Para a construção deste índice, foram analisados 161 países, em diversas categorias, nomeadamente Política Comercial, Carga Fiscal, Intervenção do Governo na Economia, Política Monetária, Fluxos de Capital e de IDE, Sistema Bancário e Financeiro, Salários e Preços, Regulação e Actividade de Mercado Informal. Cada um dos factores tem a mesma ponderação no índice agregado, recebendo valores de 1 a 5, correspondendo os valores mais baixos a uma situação de maior liberdade. Figura no topo Hong Kong, que não sendo um país é um centro financeiro “off shore”, como existem outras do mesmo tipo no Luxemburgo e Uruguai, uma economia jovem como a da Nova Zelândia e, os sobre endividados Estados Unidos. A seguir a Hong Kong figura Singapura e a Irlanda. Portugal encontra-se na 30.ª posição, à frente da Espanha, França Itália, Eslováquia, Hungria e a Polónia. Portugal obteve a pontuação de 2,29, que corresponde à classificação de “Bastante Livre”. Voltando à economia americana o Produto Interno Bruto (PIB) atingiu o menor ritmo anual desde 2003. Segundo o Departamento Federal de Comércio americano, no período de Janeiro a Março foi o mais fraco dos últimos quatro anos em termos de PIB. No mesmo período o indicador de gastos pessoais continuava a contrair-se, ou seja, a conclusão a retirar é que a visão do mercado apresenta-nos uma perspectiva inquietante que é a da estagnação. Assim, o PIB avançou a um ritmo de pouco mais de 1,3% anual no primeiro trimestre, um nível escasso que não se previa, e muito menos os cérebros brilhantes de Wall Street, hipnotizados pelas subidas dos mercados accionistas. A taxa de Janeiro a Março é quase a metade da registada no quarto trimestre de 2006, ou seja 2,5% anual, em si nada espectacular. Também não chegou ao modesto 1,8% prognosticado pelos mesmos cérebros de Wall Street.
O silêncio de meios e espaços associados à especulação, no que diz respeito a esses 1,3%, diz tudo. Uma das causas é o consumo doméstico, que começa a diminuir devido à subida do preço dos combustíveis nos Estados Unidos. Durante o primeiro trimestre de 2006, o PIB, crescia a um ritmo de 4,2% anual, não os desalmados 5,6% que prognosticavam na Wall Street. A seguir deu-se o esvaziamento da borbulha imobiliária e a crise de hipotecas usurárias, à qual muitos analistas queriam como é usual retirar relevância, enquanto, o consumo das famílias contraía 15% de Janeiro a Março, depois de ter acontecido cerca de 20% no quarto trimestre de 2006 e cerca de 19% no terceiro. Surpreende-nos que idênticas estatísticas tenham ficado para segundo plano.
No momento em que escrevemos este texto, o euro entrou em queda face ao dólar, depois do Institute for Supply Management (ISM) ter anunciado que a actividade no sector industrial nos Estados Unidos subiu para o valor mais elevado no período de um ano (Abril de 2006 a Abril de 2007) ou seja 54,7%, não sendo o suficiente para alterar os planos da Reserva Federal americanos. Entretanto, o Banco Mundial procura um substituto para o seu presidente Paul Wolfowitz, que tivemos oportunidade de comentar no passado dia 26 do transacto mês neste espaço, ainda que o Presidente George Bush se encarnice a protegê-lo, tendo também a oposição do FMI.
O presidente americano, que segundo a opinião pública está considerado como o pior presidente dos últimos 45 anos, pela sua má administração, põe em dúvida a conveniência dos Estados Unidos nomear o presidente da instituição. Os Estados Unidos detêm 16,4% de acções com voto. Uma minoria que na tradição soa a maioria, seguindo o Japão com 7,9%, sem voz e voto que é um absurdo, Alemanha com 4,5% e a França e Reino Unido com 4,3%. A massa de accionistas menores, mudos, atingem 62,6%, Como sucede no FMI e no Conselho de Segurança da ONU, essas distorções reflectem uma imagem congelada de 1945, imediatamente depois da II Guerra Mundial. Ou seja, existe um atraso de 62 anos.
A Rússia, China, Índia, Brasil, México e outros países pouco contam. Agrava-se face à manifesta incapacidade e falta de ética demonstradas por Paul Wolfowitz, ideólogo ultraconservador sem experiência política nem financeira. A lista dos seus últimos seis antecessores põe em evidência, começando por Robert McNamara, que tinha antecedentes similares, só que não foi Subsecretário de Defesa do pior presidente americano dos pós guerra, mas Secretário da Defesa do Presidente John F.Kennedy, infinitamente mais talentoso e inteligente. Para além disso, McNamara dirigiu o Banco Mundial por longo tempo, de 1968 a 1981 e conhecia o mundo como a palma da sua mão. Seguiu-o, Alden Clausen, ex-presidente executivo do Bank of America. Permaneceu um mandato de 1981 a 1986, e a sua longa experiência como banqueiro evitou os escândalos de Wolfowitz.
A seguir, Barber Conable, um senador republicano, que governou o Banco de 1986 a 1991, encarnado o estilo distante mas prudente do Presidente Ronald Reagan. A bola foi passada para a Wall Street com Lewis Preston, Presidente do Conselho de Administração da JP Morgan Chase, desde 1991 e, em 1995 e que passou por dez anos a James Wolfensohn, ortodoxo, experiente em banca de investimento, que realizou uma gestão orientada para o negócio financeiro, antes de a promover ao desenvolvimento.
















