“The United States Continues to Lose Economic and Political Power”.
Lloyd Duncan

O presidente da Reserva Federal americana (FED) afirmou em Agosto de 2006, que o ritmo seguido pela globalização não tinha precedentes e como consequência aumentava os níveis de vida.Todavia, enfrentava tensões geopolíticas e proteccionismo. Trata-se de saber no momento qual a realidade? A alteração que se produziu meses após essas declarações e prognosticada pelo ex-presidente do FED, Alan Greenspan, que na sua visão, o mundo continuava repleto de um optimismo fundamentalista, tal como em 2004.
Nessa data, cuidava-se da reeleição do Presidente George W. Bush. No momento, está quase de saída, e a sua teimosia e falta de moralidade agravam as tensões no Iraque. O tipo de globalização que pensam o actual e anterior presidente do FED apenas é válido para as economias centrais e alguns gigantes periféricos como a China, Índia ou Brasil.
Realizando-se em Jackson Hole, no próximo mês de Agosto, a cimeira entre os órgãos directivos do Sistema da Reserva Federal (SRF) e de bancos centrais convidados, a chamada de atenção vai para as Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) que deparam com uma conjuntura bastante complexa.
Há dez meses, governadores e técnicos manifestavam receios fundados sobre a volatilidade política, ou seja, guerras e conflitos locais e o neoproteccionismo estimulado pelo colapso da Ronda de Doha.
Situação, que foi e continua a ser inocultável o papel negativo dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão Repetindo um “libretto” conhecido, em que o presidente do FED assinalou em Março que as mudanças económicas e tecnológicas podem diminuir efectivamente as distâncias no futuro.
Isso permitirá uma melhoria contínua na produtividade e níveis de vida.
Essa produtividade, na globalização criada a partir, ainda que, não exclusivamente pelos mercados financeiros, significa maior desemprego, inclusive nos países de economias centrais, conforme viria a criticar o economista Paul Krugman.
Seja como for, os avanços em termos de integração mundial nunca podem dar-se por seguros.
A este respeito o presidente do FED, referiu-se no mês passado a causas como as tensões geopolíticas e o terrorismo, bem como a oposição social a reformas que eliminam postos de trabalho devido às mudanças das tendências comerciais e económicas.
Por outras palavras, um fenómeno criado pela própria globalização.
O seu discurso na cimeira de Jackson Hole de 2006 foi curioso, dado ter resumido a história da integração, desde o Império Romano (que se tornou uma obsessão dos ultraconservadores que rodeiam o Presidente Bush) até ao presente.
Para desencanto da maioria não falou da situação económica americana nem das perspectivas nos Estados Unidos.
Também não se referiu à política monetária, sendo dos piores discursos dos últimos anos. Outros convidados, como o presidente do Banco Central Europeu e do Banco de Inglaterra optaram pelo tema chinês, receando que uma nova inflação possa ser transmitida a partir da China aos mercados centrais, modificando o sentido da globalização.
Curiosamente, até há pouco as exportações chinesas a preços irrisórios permitiam ao Ocidente, um certo desenvolvimento económico sem inflação.
Entretanto, a situação alterou-se e a China e Índia facilitam a existência de hidrocarbonetos caros pela sua crescente necessidade de combustíveis e energia.
Nos finais do passado ano, o presidente do FED, afirmava que o surgimento da China, Índia e dos países da ex-união soviética globalizaram grande parte da população mundial.
Parece-nos que ainda não teve conhecimento das novidades proclamadas pelo Presidente Vladimir Putin e dos seus projectos imperiais, oposto à globalização, apesar de terem explicado ao G-8 em duas das suas reuniões.
Durante anos, segundo a sapiência convencional, os americanos impulsionaram a economia global. Mas o mundo financiou o seu consumo através da criação de um mega deficit. No presente, nem o PIB tem robustez, mal atingindo 1,3% anual, pelos dados revelados no primeiro trimestre.
Tratou-se de uma surpresa para muitos. Para os mais atentos nem tanto, dado que em ambos os lados do Atlântico, desde 2005 se falava de uma estanflação (a terrível mistura de estagnação com inflação) de um novo tipo, que causasse estragos como os realizados nos anos de 1970.
Antes da primeira crise petrolífera de 1973 e 1975, quase todos os teóricos negavam que fosse possível tal combinação num país de economia central.
Actualmente, os especialistas neste tipo de matérias são mais cautelosos nas suas análises.
Menor poder aquisitivo, crescentes desequilíbrios fiscais, externos e crude ou combustíveis refinados caros fazem recear e esperar turbulências, ainda que não sejam iguais às produzidas nos anos setenta. A partir de Junho de 2006, surgiram aviso que a Administração do Presidente Bush desprezou, especialmente sobre crises recorrentes.
Não a revelaram Paul Krugman, ou outros ilustres dissidentes, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos seus Occasional Paper de Maio de 2006.
Os meios ligados ao coração financeiro americano e inglês não acolhem grandes temores. Argumentam que a actual desaceleração do PIB americano é pouco, quando comparado com os abalos dos anos setenta ou com a drástica adstringência antiinflacionária criada nos anos oitenta pelo então presidente do FED, Paul Volcker, bastante mais temível do que o aposentado Alan Greenspan ou o actual presidente.
No decénio de 1973 a 1982 aconteceram três recessões em economias centrais, tais como inflação superior a 10% ao ano e desemprego de 6% a 10%.
Actualmente, os Estados Unidos apresentam cerca de 3,3% de inflação básica, um indicador arbitrário, não usado nos anos setenta, que exclui alimentos e combustíveis, mas 4,4% se todos os valores de vendas a retalho forem considerados.
Enquanto o PIB americano não crescer entre os 3,75% e os 4% ao ano, a reactivação que Alan Greenspan e a Wall Street imaginam continuará na actual situação existente.
Com o Reino Unido ainda próspero, mas apresentando sinais de inflação, a “zona euro” e o Japão demonstram sinais de suave recuperação, mas não são ainda locomotivas globais.
A China não pode sê-lo, a não ser em certos sectores, dado ser uma economia em desenvolvimento e o seu PIB por habitante ser exíguo.
Por outro lado, o apressado e imprudente alargamento da União Europeia é um factor de risco que não é usual extrapolar-se.
Até ao momento, sustentam os seguidores do modelo da Administração do Presidente George W. Bush, que os consumidores americanos pouparam por via das importações, daí o mega deficit de 800000 milhões de dólares no ano passado.
As despesas bélicas, que não são de reconstrução nem desenvolvimentos no Iraque e Afeganistão, ou o prodigioso deficit em conta corrente neutralizam em grande parte aquele factor positivo. Essa é a diferença existente entre o presente momento e os anos setenta, quando o governo americano não tinha deficits astronómicos.
A mesma publicação que exalta as virtudes do consumidor americano, que se endivida para comprar o que não precisa e beneficiar o mundo, alerta sobre os perigos do deficit sem limite. Alan Greenspan e os directores da Reserva Federal são demasiado condescendentes face ao deficit nos pagamentos externos, como nunca tinha acontecido.
As suas estatísticas revelam que, durante o IV trimestre de 2006, esse deficit aumentou a 7,2% do PIB. Em conclusão, os Estados Unidos deverão apresentar uma dívida entre 820000 a 830000 milhões de dólares este ano. Parece claro, nesta altura do ano, que o continuo endividamento americano é suficiente e excede para neutralizar os efeitos estimulantes do consumo público privado, na forma de importações e outras despesas no exterior sobre a economia mundial.
A locomotiva, na realidade, vai ficando sem vagões.
















