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Entrada Economia Internacional Abalos no mercado de valores chinês

Abalos no mercado de valores chinês

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“There is a desperate need for regulatory pressure to force public companies to say more about what they do and to tell the public, not just a tiny pool of connected investors.”

The Economist

chinas stockmarket Numa decisão digna de registo e a rivalizar com os países desenvolvidos, o Ministro das Finanças da China elevou de 0,1% para 0,3% a taxa que incide sobre as operações praticadas com acções (acção é uma parcela do capital de uma empresa. É um título de rendimento variável, emitido por empresas de capital aberto ou sociedades anónimas. As acções podem ser escriturais se existirem apenas nos registos da empresa ou representadas por certificados em geral.

O investidor em acções é um co-proprietário da sociedade anónima da qual é accionista, participando dos seus lucros. As acções são convertidas em dinheiro, a qualquer momento, através de negociação em bolsas de valores ou no mercado de balcão. Importante para o texto é a compreensão superficial destes termos e do denominado índice de acções que é o indicador que mostra se a bolsa está em alta ou em baixa. Cada bolsa tem o seu próprio índice, formado pelo conjunto das acções mais negociadas nos últimos meses. O resultado diário que a bolsa divulga é a média ponderada do comportamento individual desses títulos. Essa média, tem em conta a participação que cada um desses papeis tem no volume geral).

A medida tomada no dia 30 de Maio pode ser considerada como a acção mais contundente do governo para travar a especulação num mercado que cresceu mais de 60% este ano. Após o seu anúncio o mercado acionário (mercado de acções é o segmento do mercado de capitais que compreende a colocação primária no mercado, de acções novas emitidas pelas empresas e a negociação secundária nas bolsas de valores e no mercado de balcão das acções colocadas em circulação) chinês caiu mais de 6%. A queda afectou outras bolsas acionárias na Ásia, não tendo criado a fuga de capitais que se temia. A tentativa de esvaziar uma perigosa borbulha começou a dar frutos, no dia da decisão em Xangai, capital económica do país, Shenzhen e demais bolsas (bolsa de valores é em geral uma associação civil sem fins lucrativos, cujos objectivos básicos são os de manter localmente ou por via de um sistema de negociação electrónica, as transacções de compra e venda de títulos e valores mobiliários entre os seus membros, preservando elevados padrões éticos de negociação e divulgando as operações executadas com rapidez, amplitude e detalhes. Bolsa em alta diz-se quando o índice de encerramento de determinada divulgação em termos de cotação é superior ao índice de encerramento anterior. Bolsa em baixa é o oposto).

Esses dois mercados (mercado de capitais é o conjunto de operações de transferência de recursos financeiros a médio, longo ou indefinido prazo, efectuadas entre investidores, através de intermediários financeiros), sofreram recuos situados entre 5,7% e 7%. O aumento tributário foi qualificado pelo governo central como uma medida drástica, mas necessária. Na realidade e depois do discurso do Primeiro-Ministro Chinês, Wen Jiabao, perante os três mil delegados presentes na abertura da sessão anual da Assembleia Nacional Popular deste ano, e posteriores declarações dos dirigente chineses, tratava-se de uma medida esperada. Alheios à ortodoxia de mercado, os dirigentes chineses sabem que é preferível esta medida que um esvaziamento traumático, como o acontecido entre 27 de Fevereiro e 11 de Março deste ano, que afectou o resto do mundo. Antes das transacções serem abertas dia 30, o Ministério das Finanças chinês emitiu um comunicado através da agência noticiosa oficial Xinhua. A Bloomberg’s e a Reuters só tiveram conhecimento horas depois. A instabilidade do momento evidenciava as preocupações chinesas quando ao desinvestimento, traduzido na pobre difusão no Ocidente. O aumento da taxa teve efeitos imediatos e relaciona-se com os recentes contactos entre o governo chinês e o Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, que transmitiu aos chineses as suas inquietações pela borbulha bolsista, não reveladas publicamente. Na realidade, existiam claros motivos para aumentar o imposto “ad valorem”, dados os excessivos ganhos obtidos pela bolsa chinesa de 62% este ano, pese a derrapagem de Fevereiro e Março e cujos ganhos de 2006 tinham sido de 130%. O ex-presidente da Reserva Federal americana, Alan Greenspan, tornou-se subitamente pessimista sobre China e a euforia do seu mercado bolsista, enquanto o Secretário do Tesouro não conseguia convencer o governo chinês a desvalorizar o yuan. Por tal motivo, Alan Greenspan teme uma crise no gigante chinês, advertindo sobre a borbulha especulativa reinante em vários mercados. Cremos que o presente crescimento da economia real chinesa não se sustentará no tempo. As violentas contracções vividas nas bolsas chinesas no final de Fevereiro e inícios de Março podem repetir-se este ano, o que naturalmente vai contra as previsões financeiras da Wall Street, de Londres e, especialmente, da muito eufórica Frankfurt. Esta situação terá uma forte correcção em sentido descendente num futuro recente. Não será possível continuar a política de importações baratas da China e de outros países em desenvolvimento, emigração de mão-de-obra entre Europa Oriental e Ocidental, taxas relativamente baixas e baixa inflação. Retomando uma ideia própria, muito propagada nos mercados financeiros e bolsistas é de crer que nos últimos quatro ou cinco anos, boa parte do mundo se expandiu mais rápido do que em outros momentos da história. Mas tal situação não irá prolongar-se por muito tempo.

As maiores economias deverão ser muito flexíveis, se tiverem de absorver futuras agitações. Nessa óptica, é de se prever largas quedas de activos mas, fiel a uma curiosa doutrina que é a do “optimismo fundamentalista” à qual não aderimos, proposta em 2003 por Alan Greenspan, em que previa que as grandes economias sairão ilesas, porque os ajustes não se repercutirão no emprego nem nos indicadores. As habituais contradições do ex-chefe da Reserva Federal americana não impedem que o seu desassossego sobre China seja compartilhado por outros. Acontece igualmente, acerca dos seus avisos sobre a crise de hipotecas usurárias nos Estados Unidos ou do desordenado apogeu de compras exageradas em metade do mundo. O conjunto de valores da maioria das bolsas europeias começou dia 4, com as sessões em baixa ao recolher os accionistas os ganhos da semana anterior, quando as mesmas fecharam em alta.

As bolsas da Europa terão que prestar de novo atenção aos mercados asiáticos, depois de uma nova derrocada, seguidas às duas anteriores quedas. As bolsas de Xangai e Shenzhen fecharam com fortes quedas, confirmando uma tendência para a baixa marcada pela medida governamental, de esfriar o mercado. Enquanto o índice geral de Xangai em acções convertíveis e não convertíveis, teve uma queda de 330 pontos num só dia, cerca de 8,25%, que foi a maior desde a "Terça-feira negra" de 27 de Fevereiro deste ano, o índice de Shenzhen cerca de 7,77%, em 965 pontos. Nova Iorque fechou no dia 1 com uma subida moderada, que deixou o Dow Jones e o S&P 500 com novos recordes históricos, incentivada por uma série de dados económicos favoráveis e boas notícias relativas às empresas. Com o barril de “brent” atingir os 69 dólares, as bolsas europeias também começaram a semana em perda e, Paris caía 0,413%, seguida de Milão com 0,268%, Frankfurt, 0,235%, e Londres, 0,197%. No mercado de divisas, o euro cotava-se a 1,345 dólares. As bolsas mundiais sentiram as diferentes crises do mercado bolsista asiático sem todavia apresentarem reacções dignas de registo. Numerosos investidores apressaram-se a vender os seus títulos, num ambiente marcado pelo medo de que as autoridades chinesas estivessem a preparar novas medidas de intervenção no sobreaquecido mercado de valores, o que provocou uma dos derrocados mais fortes vividos por ambas as bolsas. O índice geral de Xangai, que até a entrada em vigor da medida oficial, tinha acumulado uma série de máximos históricos, que culminaram nos 4.334 pontos, encerrou nos 3.667 pontos. Em Shenzhen, cujo máximo foi 13.455 pontos, encerrou nos 11.460 pontos. O triplicar do custo impositivo das transacções de valores, que fez que a capitalização conjunta de ambas bolsas descesse cerca de 5% entre os dias 25 de Maio e 1 de Junho. Dias antes da medida ser aprovada, o Ministério das Finanças tinha negado um possível aumento de taxas, daí se terem registado fortes sacudidelas. Um dia depois, as duas bolsas parecia que se tinham recuperado da derrocada, e encerraram com leves ganhos, mas no dia 1 face ao receio de novas medidas governamentais, sofreram de novo fortes quedas, sendo superior a 2,649% em Xangai e quase 4% em Shenzhen. Esta crise pressupôs uma diminuição na capitalização dos dois mercados de cerca de 90.000 milhões de euros, e no encerramento da sessão de dia 1 o seu valor era de cerca 1.672 milhões de euros.

As bolsas asiáticas continuam a resistir à pressão baixista chinesa. A referência da região, é a bolsa de Tóquio, que encerrou com uma leve queda de 0,079% no índice Nikkei. Para conseguir afastar os receios procedentes da China, os investidores da Bolsa de Tóquio depararam-se com um espectacular dado de investimentos empresariais. As companhias japonesas registaram um recorde de investimento no primeiro trimestre do ano, com um aumento de cerca de 13,7% que se situa muito acima dos 10% que estava previsto.

O pico atingido nos investimentos empresariais acrescido às expectativas de uma revisão em alta nos dados do PIB japonês do primeiro trimestre, soma-se ao bom sinal que deixaram os dados macroeconómicos publicados no dia 1 na primeira economia mundial, os Estados Unidos. Incerto apresenta-se de novo o panorama na China.

A mensagem lançada pelo governo do gigante asiático na linha de que não actuariam para travar um hipotético descalabro bolsista no país reforçou a retoma de mais-valias, e levou o índice CSI 300 a perder cerca de 7% durante a sessão.

Apesar do moderado encerramento em termos de descidas, as bolsas chinesas situaram-se nos mínimos de há três semanas, com ganhos de cerca de 75% até ao momento, tendo triplicado nos últimos dez meses. O índice Nikkei foi sustentado pelas acções das indústrias siderúrgicas como a Kobe Steel e a Japan Steel. Seguiram-se as empresas industriais nipónicas ligadas aos sectores do imobiliário, incentivadas pelas últimas referências macroeconómicas do Japão.

Quanto às indústrias exportadoras, os títulos da Toyota, Mazda e Nissan tiveram uma subida de pouco mais de 1%. No lado das perdas situaram-se as empresas de telecomunicações.

Este pequeno abalo ir-se-á fazer sentir nesta e nas próximas semanas nas bolsas mundiais. Vivemos num mercado globalizado e o mecanismo fundamental é a psicologia ligada ao investimento e fluxos de capitais.

Jorge Rodrigues Simão, in “HojeMacau”, 07.06.2007
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